umapausa

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sexta-feira, agosto 15, 2008

pouca mentira dentro de si


sentiu-se míope e incapacitada, não poderia jamais enxergar seu próprio erro, sua própria moléstia infantil ao seu jeito. Acreditar demais, levar a sério signos linguísticos tão míseros perto de uma alma humana. A explosão da alma, uma caixa perturbada de surpresas, a alma é admensional devido a sua imensidão.
Não se sabe como é, porque nunca foi. Sempre esteve ou estará, nunca é e nunca será. Nunca permanecerá em fixo o caráter colhido pelo faro do amor, o mesmo faro que lança laços eternos de relações harmônicas, sejam duradouras ou não, sejam eternas ou imaginárias. O faro que suga as qualidades de um corpo com alma, para si. E entrelaça. E aperta em seu peito.
Assim forma-se a consideração. Não que ela seja um processo obrigatório, ou um processo espontâneo. Ela nasce da consequência do bum! O bum do orgulho por achar qualidades num corpo, qualidade incomuns, raras, qualidades clichês, mas qualidades. O medo de perder aquela caixa de alma, o medo seu faro não mais poder sentir o cheiro do abraço que diz: ' não é só', leva a consideração.
Não é fácil achar coisas que movem nossa pesada emoção. Não é fácil ser compatível com essas coisas espalhadas no mundo, coisas chamada vulgarmente por seres humanos. Se em seis bilhões de pessoas no mundo, com mais ou menos umas mil em convivência, quase no máximo três ou quatro, quem sabe cinco ou até uma é especial, é grande coisa? É especial e importante, a consideração é um diamante raro, que pouquíssimos possuem.
Sim, creu. Creu que pudera mais um vez experimentar o gosto do eterno, a leveza da consideração, a ação natural da relação de mutualismo, boas-novas ao bom convívio, embora ainda assim, houvesse lá, naquele momento, uma brecha do obscuro.
E a brecha cresce a medida que o laço enfraquece. O silêncio do não e o excesso da hipocresia.
Sentiu-se míope e incapacitada à medida que sentira na língua o gosto amargo de seu erro, deu-se demais ao que cria, não olhou por um minuto a brecha.
Mas a brecha cresceu e a ensurdeceu.