umapausa

umapausa

sábado, outubro 10, 2009

ontem à noite


Assim que desliguei o celular, repetia em mim " tristeza não tem fim, felicidade sim". Como se fosse essa a trilha sonora do que passava naquele instante.
Tentei fugir. Mergulhar minha mente nos insólutos problemas matemáticos que o professor protagonizava no quadro. Foi em vão. A música vinha ora com a voz suave do Tom Jobim, ora com a ríspida e sincera voz de Tom Zé. Ou então, vinha somente com um saxofone fúnebre.
Pensei em tudo e fiz daquela matemática, que era somente um pano de fundo, uma base para dramatizar mais. Ou pelo menos ser um pretexto bom suficiente para poder entristecer. Adicionei mais problemas, multipliquei impossibilidades. Subtraí de tudo, restos de alegrias, que naquele momento, aos meus olhos, eram restos. E por fim, não dividi nada com ninguém.
A música novamente veio, agora com uma orquestra sinfônica e uma voz tenor de um homem qualquer. Nesse momento, tive vontade de rir. Do meu melodrama. Do minha mania de fazer a realidade virar uma cena, jamais assistida, de um filme. Um belo filme.
Eu sabia que isso era só começo. E ainda sei. Não como uma mente pessimista, sem esperança. Uma mente já madura perante a isso. Acostumei com essas loucuras, esses desalinhos da vida.
Então, cansada de ouvir a música mental, cansada de ficar pensando e simplesmente pensando, nada resolvendo, comecei a prestar atenção no cálculo daquela velha aritmética. Esqueci a ligação. Do que me falaram. Fiquei tão concentrada naquela aula tão, pelo menos para mim, repetitiva que bateu o sinal. Os loucos foram liberados do hospício. Uma correria afobada, disputa de todos, pra quem sai do manicómio primeiro. O sinal foi um meio de voltar a ouvir " Tristeza não tem fim, felicidade sim", não sei porquê, mas foi.
Quando eu saí daquele cursinho tedioso, quente e muito azul, minha mãe não estava lá. Que raiva, pensei. Cadê minha mãe? Eu quero minha mãe! Eu quero minha mãe. " Tristeza não tem.."
Mas lá estava ele. Meu maior referencial da normalidade. Meu botão de escape da loucura, que me retorna e torna a realidade, não tão má, não tão ruim. Mas a realidade que ele me ensinou a viver. Idiota, feliz. Porque no final, é tudo uma piada. Entrei no seu carro, estava passando mais um daquelas músicas loucas que ele jura que é um pré-estouro de sucesso mundial. A minha música, já muitas vezes mixada, da minha mente, finalmente acabou. Meu homem.

sábado, outubro 03, 2009

Salvador, duas vezes.

Não, obrigada. Não quero saber quem é você. Quero que fique assim, como está. Sabendo do seu estereótipo, deusificando-o ou apenas admirando um dom seu, que também, é um pouco meu.
Não quero saber do seu nome. Nem do que mais faz. Se eu pudesse, seria até invisível. Só para não ter risco nenhum de criar algum laço de amizade porque se eu saber quem é verdadeiramente você, posso perder meu único objeto humano, atualmente, a ser muito admirado.
Permaneçamos assim. Não me chame, não me pergunte, não tente conversas que sempre intermináveis, gerarão impressões, na maioria falsas. Na maioria, injustas.
Não tenho tempo para mostrar quem eu sou. Não tenho meios para deixar isso fielmente digno. Se palavras saírem, podem quebrar o encanto. Não terei mais a quem seguir.
Alguém que me fortalece, que me ampara, que muda minha vida, sem dizer nenhuma palavra. Porque sua luta, é também, agora, minha. Sua vitória, é mais uma das minhas vitórias, de muitas vitórias de que muitas pessoas que admiro, almeja.
Enquanto posso viver esse ilusório encanto, de ver em alguém toda a pureza e certeza de que seguir em frente, me deixe em paz. Porque quando eu enfraquecer de novo, é de você que virá a força.