umapausa

umapausa

quarta-feira, dezembro 29, 2010

admiro-o

me rasga, mexendo, moendo, apertando, assusta, reprime, indica. Muda. Perto de você, nauseio de mim.

domingo, dezembro 26, 2010

desde maio 2006

cavei várias covas num capricho absoluto. Matei-me diversas vezes até dispersar de mim tudo que fui. Meu futuro me incomoda, eu não cumpri com a promessa de ser dona do que se segue. E aqui, corroída, olho repentinamente para isto. Eu não passo de um isto.
acordei! descendo ladeira abaixo para um inferno mais profundo. Finalmente, pude me ver num estado repugnante. Agora já era destino, eu já sei. Não quem eu sou, mas quem pretendo ser.
é preciso fogo para moldar-me, irredutível, teimosa, preciso do fogo que queima e espatifa. Enquanto ando no meio termo, colo pedaços mal feitos de um alguém. Isto.
Meus sorrisos que estampam só poderia ser sinceros. Mas não vem de uma alma aceita, vem de um corpo cansado e determinado a seguir. Insatisfeito, mas sincero.
Ainda assim volto ao passado e pergunto àquela: quem? Avanço até aqui e indago: quem? Essa mania de se definir é irritante e imprecisa. Eu não sei quem sou e isso já me torna digna de errar.
Me desconheço, me forjo aos poucos. Tantos poucos que hoje há excesso nas opções de ser. Não valho muito, sou humana inconsciente, dosada à fervor e emoção. Nunca fui, sempre quis ser e neste percurso existo.
Meus anos passados foram marcados a bytes e afins. Cá está todo o caminho de uma alma incansável e por demais ousada. Ousei em querer maior que sou. Agora me cresço para conseguir.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

É dezembro

É dezembro, luzes irritantemente radiantes brilham na minha avenida. E eu nada posso contemplar, estou presa no tempo e sou da cor cinza, tanto faz.
Pago pelo preço impagável, busquei exatamente aquilo que não me era bem-vindo. "Tome cuidado com seus sonhos" me diziam, mas eu achava prazeroso por demais e não iria, nem sob tortura, parar de sonhar.
Hoje resta de mim pedaços, talvez. Sou sangue vivo e cinza pálido. Ferida e ainda naquele estado escrupuloso de latência. Reservando minha vida para mais tarde e é exatamente esse mais tarde que nunca chega. Por mérito.
Eu mereço cada lágrima derramada. Eu mereço cada grito enfraquecido. Eu mereço cada passo negativo, que é fracasso, mas é parte de uma suposta vitória.
Cada não que decorei. Cada obra maldita que contemplei. Cada dor no ego. Cada fratura da alma, exposta.
Ai de mim, que não tomou juízo. Que quer a regalia sem ao menos ter mérito.
Outra vez me ponho frente aqui, neste sepulcro mórbido de mais uma esperança. Estou flagelada, estou feia.
Ao menos, finalmente, descobri meus erros e mais que isso: assumi a culpa.
Eu sou apaixonada por cada milímetro de dor, masoquista ou não, eu gosto. Desafiei a vida, ela não foi obra do destino, não deixei ninguém traçar meu futuro. Eu quis tudo, tudo, tudo isso. Embora não soubesse dos detalhes, eu sabia que nada seria fácil, ainda mais para uma desmedida e por demais intensa como eu.
Preciso me expremer mais um pouco. E farei até acabar tudo de mim.
Eu sou apaixonada por cada milímetro da minha vida. Essa merda, ao menos, fui eu, a dona, quem fiz.
Daqui a pouco sigo em frente, não outra vez, mas de uma vez, talvez.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

0102

O ano foi invertido.
E por querer ser forte demais, tornou-se aço. Riscado, mas inoxidável.
Não chorava suas dores, ouvia músicas. Não queria desistir, dormia para sonhar. Não falava com ninguém, lia mais, pensava menos.
As confusões mentais estão debaixo do tapete. Numa ousadia vísivel ela ignorou o mundo e pôde então finalmente lutar. Livre e inacreditavelmente feliz.

terça-feira, outubro 26, 2010

TDAH

*ao Luca Gontijo


Oi!
Não.
ao meu rasgo e avesso, te subestimo. Não ao tanto que me faço, mas que sou.
Tarefas intermináveis, vinte páginas que faltam para o treze únicos livros da minha vida. Não concluo meus sonhos porque os sobreponho com outros, não escuto ninguém, porque  são trezentas e oitenta e cinco imagens cerebrais por segundo. Quero cadeiras enfileiradas, chão limpado com álcool e água quente.
Desliga essa tevê barulhenta, não sou cativo dessa tela eletrônica de saltos quânticos. E nem músicas me seduzem, eu tenho o mundo, o meu mundo, para conquistar.
Hoje meu sorriso rompe os limites da minha irritação, mas se eu fechar o semblante, meu bem, não cobre motivos, eu sou assim.
Eu não traço uma reta, sou várias diagonais desses infinitos pontos que me fecham. Eu não sou definido, eu sou qualquer coisa que se tenha orgulho ou aversão. Eu quase sempre estou do lado de fora do mundo. E o mundo nem me é tão necessário.
Todos os dias, ritalina. Ritalina me polariza.
A minha fome é uma mera sensação fisiológica. Memória fotográfica - perca instantânea da mesma, senso crítico, exposição eufórica de ideias. Eu busco o complicado, porque sem desafios me definho em tédio.
Os meu sonhos são exigentes e eu sempre consigo, nós -assim- somos extremamente determinados. Nem que seja sangue o preço da vitória, pago assim mesmo. Eu também não tenho lá muito medo.
Os efeitos colaterais não importam, me aceitar e me incluir no mundo dos aceitáveis, dos novos aceitáveis, sim. Porque somos instintivamente unidos.
Não me entupa de defeitos e não me proponha mudanças absurdas. Por que você faz assim, por que você não me escuta e por que você não muda são frases reduzidas a total indiferença.Também sou definido por uma molécula de Ácido Desoxirribonucleico, meu bem, mas seres humanos não é só DNA. Mais que composisão, falo de disposição. Aqui há cérebro, peito, sangue e confusão.
Detestável aos fracos de espíritos, amável aos que interessam.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Eu ainda vou xingá-lo de novo, bater o telefone na sua cara, falar de seus defeitos, implicar com suas manias e exigir mais carinho. E, juro, farei com todo amor do mundo.

  


terça-feira, outubro 05, 2010

sigo palavras e busco estrelas*

entre pulos, cortes e pedaços das misturas de meu tempo. Eu estou, justo, no encontro de todas as ramificações, hoje dia cinco de Outubro sou o passado, presente, eu sou futuro. Eu sou seus risos e abraços, suas promessas malditas, você foi e foi de novo. Eu sou a revolta do porquê que foi assim. E por que mesmo que foi? Categorias nostálgicas se organizam em minhas veias, quentes, fervendo, quero a saudade morta, mas na verdade, quem morreu foi você. E eu não fui ao seu enterro.
Ah, se me dessem. Eu cavaria sua cova, abraçaria-o do mesmo jeito. E você, mesmo póstumo, seria ainda aquela estrela que fiz brilhar.
E isso é : você sumiu e me deixou aqui, seguindo estrelas, outras estrelas. Vãs. Sua insubstitualidade ainda me comove. Eu fraca, latejo veneno, rogo-lhe pragas e espero que você sofra. E que seja muito, muito feliz. Você, ah você, sumiu.
O tempo não curou-me a ferida, convenhamos meu bem, o tempo não é nada. Estou na bifurcação do tempo! O tempo é um fingido. E pesa em cima de mim. Não, eu não tenho o poder que você insistia em afirmar.
Ouvir sua música favorita, lembrar. Buscar explicações e cair no vazio da irrealidade. É um absurdo, eu já amadureci meus ramos e não choramingo por pouca bobagem. Mas é que, entenda, foi hoje. Cinco de out... e acabou. A vida segue, meu bem. E eu não fui aos seus enterros.

domingo, setembro 26, 2010

sábado, setembro 25, 2010

êi-la!

Sem muitas reclamações diárias, perpetuo-me um doce. Não que seja fingido, é leve, da alma, de mim. Cansei de me desabrochar em tédio. Mais que isso: simplesmente cansei.
É que "reclamar" é um ofício violento ao bem estar. É um vício incontrolável, maldito. Primeiro você reclama de coisas consistentes até a chegar ao ponto de reclamar por si só, por querer para si tal atitude demasiada sedutora, reclamar e só. Nesse estágio, as mais reclamações que diálogos, são frasais e repetitivas: que bosta de calor, que raiva, que saco de estresse, que chuva, que merda de vento.
É letárgico. Eu sei.
Eu quero risos a granel, prazeres, endorfinas à alma. Leveza ao coração, que já bate desassossegado, constragido pelo mundo. Quero bipartir minha boa parte, quero sim, ser um doce. Não exclusivamente e somente para eles e elas, mas para mim. Para o bem estar mental que preciso produzir enquanto me acabo nos estudos.
Expremi, até sair, todo o negrume. Toda toxidade que garante minha chatice. Minha auto chatice. Minha auto insuportabilidade.  Mas garanto, estou encardida, afinal tenho quase 22 anos um quê de intensidade na vida.
E que seja. Eu sou um doce.

quarta-feira, setembro 15, 2010

para quem deveria estar dormindo

Eu que prometi a mim mesma não ficar tardando em dormir, presa ao silêncio e frescor da madrugada de sempre. Ah, convenhamos, como sempre nossos planos convergiram em outros pontos. É que agora é Setembro, eu estou no meio do cerrado de cimento: eu preciso, eu preciso mesmo não dormir e continuar. O calor do dia me sufoca, meu organismo está sim muito fatigado. Eu teria que dormir, aguentar minha intensa labuta do outro dia com um pouco mais de dignidade na minha energia. Mas não posso, a noite insiste em deixar meu trabalho cerebral mais prazeroso, lamento.
Eu que, também, prometi que neste semestre faria academia. Além de alimentar a vaidade que não me falta, tinha o principal objetivo: a força. Precisava, preciso de mais força física, mental, racional. Todas possíveis, agora. Seguindo o conselhos do meu acupuntor, evitei a academia e seu ambiente fechado, bacteriado, virusado, sujo- ambiente propício a crise de enxaqueca; e também por uma legítima preguiça. Então, com humildade no ego, me aventurei a caminhar e correr, esporadicamente, duas ou três vezes na semana. Mas os dias que faço são tão raros que desprezíveis.
Não, planos. Vocês não me respeitam. Numa ousadia absurda vocês têm vida e decisões próprias. Traçamos, porque somos otários. Precisamos de alguma coisa para imaginar. Nem que seja  ficar "mais ou menos". Ah, eu desisto. Seguindo contra minha tendência, terei agora os planos mais artificiais possíveis, daqueles que são praticamente previsíveis de acontecer. Serei rasa. Não vou buscar futuro distante, não mais e nunca, nunca mais. O limite é traçar leve o que farei nas próximas 24 horas, com a consciência plena e conformada de que posso não conseguir. Os planos têm lá sua vida própria.

terça-feira, setembro 14, 2010

Oração dos Oxidados

Pago pelo Oxigênio que recebo
Com o Carbono que devolvo
Numa atitude involuntariamente educada.
Participando do Ciclo do Carbono,
Não sou essencial e nem única
Compartilho tal privilégio
Com todo o resto das espécies vivas da Terra

Obrigada, Raios Solares e Vapores D'água
Que são precursores da formação da
Santa Molécula de Oxigênio
Que me envidece e insiste em envelhecer
Oxidando minha epiderme, meus cabelos, minha alma

Por vingança - e contradição- dou o Carbono em excesso
Para esse tal de Ciclo harmonizado
Embebedo-o de CO2 com minha tecnomania
Carros, indústrias, senhores dos poluentes, meus capangas da vingança
Desequilibro o mesmo Ciclo, cavo minha, mais nova, própria cova
E o efeito se estufa

Seja abençoada, Oh, Mãe Natureza! Com minha reciprocidade
Na saúde que me gera
Na doença que me cobre
Que os Dióxidos e Monóxidos de Carbono
Produzidos tanto pela minha necessidade, quanto vaidade
Agradeçam e vinguem,
A vida e velhice que o São Oxigênio me causa

Amém

segunda-feira, setembro 13, 2010

francamente

Volte, volte exatamente à ala dos perdidos e desamparados. Juro, meu bem, é bem melhor do que viver sob estes montes de artifícios e risos mesquinhos de quem te quer somente pelo fato de te ter. Eu ainda valorizo as proezas perdidas, gosto de sensibilidades e revoltas à favor do sentimento alheio. Ainda gosto de olhar dentro de vários olhos, todos os possíveis, e ouví-los, somente. Gosto de dizer otimismos e realidades endurecidas, apesar de não ter aprendido a ser a sincera de todos os jeitos. Eu olho para você, puro e jogado. Mais um que escorregou em suas paixões à moda antiga - pelos preceitos tão modernos e tão confusos. Estou na ala dos bastardos, eu gosto de sujeira sendo-a verdade e coração. Moralistas, seguros e perfeitos são bons demais para mim, eu não suporto, sou um tanto frágil. Pessoas, eu sempre falo é de pessoas. Eu insisto em afirmar o que restaram dos meus princípios.
E mesmo assim, o maior deles prevaleceu. A raiz, a minha fôrma, meu cosmo transcendental: minha tara ao espontâneo, minha repulsa maligna e incontrolável pelo forçado. Eu gosto é de pessoas. Não de projeções.

domingo, setembro 12, 2010

Eu quero medicina

É que hoje tornou-se redundante acrescentar um "estressada" na minha longa lista de defeitos. Que se foda. Eu estou num campo de concetração, comendo tempo, bebendo matérias repetitidas, a mesma coisa, uma bosta. Durmo  a meia noite e acordo cinco e quarenta três, cambaleando pelo caminho até chuveiro, tonta, trêbada de sono, morta. Uma zumbi, praticamente. Depois, as mesmas pessoas naquele asilo sem espaço. Mil carteiras e um corredor de 10 milimetros para eu passar. Aquele ar condicionado, condicionando os vírus e bactérias dos presentes até meu pulmão: e eu resisto, até agora não gripei de novo. Eu tenho constantes déjà vu no cursinho. Engraçado, já ouvi aquilo uma vez. De novo.
É que tenho tempo cronometrado até para comer. E se demoro, me ferro. Entro atrasada na aula e sem escovar os dentes. Hoje, somos três. E revezamos em crises existenciais e internas. Hoje eu que estou grilada, tudo bem amiga, passa. Me paga um café. Me dá um chocolate, um abraço, pelo amor de Deus: me faça parecer que eu existo. Sim, amiga, você existe e seu cabelo está lindo hoje.
A vontade quase sexual de ficar inerte pra tudo e presente apenas para as palavras do professores. Eu quero engolir tudo que eles brotam, eu estou entendendo. Mas aí, vem aqueles pivetes e aquela menina da voz enjoada conversar. Filhos da puta, calem a boca, eu quero prestar atenção na aula, Sou demente e ao contrário de vocês, preciso disso. Mas eu não falo, só penso. E vou me remoendo, ficando com raiva, orelha vermelha, coração disparado, AH! Vou, infantilmente, ser x9. Dedar todos para o direitor. Que me odeiem, mas eu preciso ouvir, pela última vez, todas aquelas palavras repetidas.
Aí, depois de umas 12 horas internada naquele lugar, volto pra casa. Vejo a melhor coisa do dia: minha cachorra, chorando, gritando, falando: mamãe, que saudade!. Amasso ela e algumas vezes, levo-a para passear.  Depois como, estudo e cochilo, porque dia de dormir é dia de sábado à noite, lá pelas quatro ou cinco horas da madrugada. Alguns dias vou pro horto caminhar e conversar com uma amiga. E ela é tão linda que sempre lembra das minhas hitórias mais antigas e pergunta sobre mim. Ela ri de minhas neuras e manda eu estudar mais, ela é simplesmente linda. Algumas outras vezes sou espetada por agulhinhas que me dão choque: eis a cura da enxaqueca, que é mais uma ausente na minha vida.
Minha vida se resume em me internar lá, eu quero. Eu escolhi. Se é bom, olha, seu débil, é muito óbvio que não é bom. Nem todas as escolhas são precisamente boas. Estou no deserto, no meu deserto, no meu sofrimento. Se eu estou estressada, faz o seguinte, vaza. Você optou por ser otário e me convencer e ser mais feliz, eu não quero ouvir as merdas dos seus conselhos porque a felicidade é subjetiva e você é uma pessoa cheia de preconceitos sobre mim. Eu sou feliz, sua anta. Quem tá aqui, do meu lado, do meu, realmente, lado, sabe disso.
Atualmente fiz sob minha atmosfera de relações inter pessoais, uma peneira. Muito seletiva, muito. Não há um critério para escolha de quem passa, mas geralmente, na minha vida, habita as pessoas mais simples em seu conteúdo anímico. São elas, geralmente felizes, que não me dizem como ser feliz. São elas, geralmente calmas, que não me dizem: Luna, você tá muito nervosa, muito estressada.
O resto?
Deveriam ser reciclados  e os mais podres, compostados.
Eu só estou no deserto pré-sonho. Só, porra.

domingo, agosto 29, 2010

she's lost control

escancarada, desmantelada, inteiriçada, desfeita, refeita, desfeita, refei... Solte, Destino! Estas rédeas me pertence.

quinta-feira, agosto 26, 2010

depois eu assumo, choro e conserto

Não posso restituir laços oxidados. Assim, no estado de latência, permaneço. Às vezes cria-se em mim tanta saudade que espumo baba de seu excesso na minha boca. É uma pré-epilepsia da alma. Estou escondendo.
Preciso de um rasgo profundo, sangria, fogo e muita assepsia. Mas por favor, deixe isso para mais tarde. Agora eu não tenho tempo.

domingo, agosto 15, 2010

perdão de uma apaixonada que se diz equilibrada

é imprescindível ressaltar que os estoques de perdões armazenados comigo são, logicamente, proporcional ao amor que sinto. Obviamente isso não dá-lhe o direito de usá-los constantemente, porque apesar de muitos, são liberados esporadicamente e conforme o contexto geral da situação. Portanto, cuidado e cautela. Já dizia Jesus que o que suja o homem não é o que entra, mas o que sai pela boca. Cuidado com sua boca e suas palavras. Sim, sim, há muito perdão. Mas são condicionais.
De fato, isso é resultado do cativo, carinho, reciprocidade e afins. De fato, você merece. Porque não há apenas perdões em estoque no meu coração, há você por inteiro, como dono absoluto e vitalício.
E eis toda essa a formalidade e chatice, porque  eu só quis chegar na razão o mais perto possível. É que quando eu falo de você, a razão se difunde por aí. Resta-me apenas alma e coração, tornando tudo muito subjetivo.
No mais, perdoô-lhe. E gosto profundamente desta situação que você se pôs. Errado, perdido, 'me perdoe e não tenho mais nada para dizer'. E gosto mais ainda do abraço profundo de um arrependido que teme, teme muito em me perder.
A situação foi orgástica. E de você não esperava outra coisa. É a força do costume.

segunda-feira, julho 12, 2010

Aqui, neste pedaço de papel: toda a saudade que sinto. E sofro. E sinto. E a omito. Não que seja uma saudade remota, repetitiva, insistente. É a saudade de um modo agudo, intensa, afobada. Sinto sua falta hoje, mas acredite, não é todo instante. E quando vem, rouba essas lágrimas que caem agora de mim. Aflita, abraço a mim mesma com facas cortantes, na tentativa de ser forte, eu mesma me machuco. Mesmo que eu tente fugir do lirismo e ir para racionalidade, cá está toda essa saudade involuntária, sufocando minhas decisões. Ela é filha de uma emocionalidade que agoro considero tosca. E usando a razão, seria loucura eu não sentí-la.

Goiânia, 02 de junho de 2009.




quinta-feira, julho 08, 2010

Caos à Lama

Uma transparência falsa, que reflete mentiras entrelaçadas nas verdades, de modo que fique mais ameno o peso que carrega na consciência que lhe resta. É assim, tanto faz. Indiferença é o retrato da preguiça de viver, que é agora sua mais ousada mania. Não foi culpa dela, não totalmente. Por um lado ela poderia ter sido mais controlada psicologicamente, seja frenquentando terapias e terapias ou sendo mais um membro beato de uma igreja qualquer. Ela precisava de forças externas. Ela precisava de um apoio invisível e perfeito, ela precisava de Deus. Precisava? Se já o tinha, precisava mais. Mais? Não. Era para ser assim, como é. Exatamente.
Não que "era para ser" seja mais um desses métodos irritantes de aliviar sofrimentos, de aliviar caminhos - que parecem ter vidas próprias- que tomam seu ritmos. A gente planeja chegar em "A" e acabamos no "Z", felizes forçadamente para não entrar em psicose maniáco-depressiva.
Mas o "não era para ser" é exatamente o que carrega em sua semântica: não era para ser.
Tudo que se enovelou diante de seus chagados olhos foi resultado de sua saga, de sua função no mundo, de seu nascimento.
Hoje, por si só, ela é ainda sincera. Mas vendo-a por cima, por aqui, por ali, por longe dela que seja, vejamos sua transparência opaca. Igual aquelas janelas de casa de , de tia antiga. Vitrô, vidro enrugado, visão difusa. Ela tenta ser a transparente que sempre foi, mas o problema é que não pode, o mundo rouba-lhe sonhos e vontades. Os como vai você lhe suga, porque não são sinceros, são invejas, são invejas boas e más, inseguras ou certas. São pessoas que não têm o pulso firme e olhando-a querem a determinação dela para si.
Hoje ela não é a mais certa. Mas mantém sua postura de estrela que brilha, que nasceu para brilhar, seja na desgraça do povo lá fora, seja na mesmice do povo tão dentro de si. Seja na lama, no edifício, na ponte que se acende esporadicamente. Por onde for. Do caos à lama. Da lama ao caos.



"Da lama ao caos, do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana
Da lama ao caos, do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana"
(Nação Zumbi)

quarta-feira, maio 19, 2010

buraco


Procuro profundidades. Vou ali cavando, cavando, até entender que não há mais o que cavar. Me jogo lá dentro, me lambuzo do escuro, me vejo só. Não choro, porque sou forte. Mas como a terra, por desespero. Então assumo: errei. E me sujo de novo, mas com o vazio. Farta e enjoada, vomito. Suja pelo meu próprio veneno, cravo as unhas nas paredes de terra que me apertam. Vou forte, vou determinada. Saio. Faço meu próprio parto, de novo, ao mundo.
Mas a luz me cega. A luz lá fora, tão intensa, tão irritante, me assusta. Eu me cabisbaixo. Não por ser perdida, triste ou qualquer artefato que me induzem a ser. Por assumir que quando saio da toca, da minha toca, o mundo me assusta. Por proteger meus olhos de uma fotofobia. Por simplesmente abaixar a cabeça por um momento, um momento. Até que a terra úmida lá em baixo, me chama. E me fala: sou teu útero, tua morada.
Mas é que um dia todo mundo precisar se parir. E foi meu dia. Minha vez. No mundo onde as luzes me acompanham, onde me abraçam, me jogam, me dançam, me falam, me fazem de tudo; eu não estou sozinha, eu sei. Tão cheia de tantos, mas vivendo na superfície absoluta. Superficialmente. Superficialidade.

sexta-feira, maio 14, 2010

não nasci para me enraivar

é doentil julgar. apalpar verdades abstratas, inventar uma porção delas e apontar o dedo para alguma coisa, qualquer coisa, apontar. Achar, e fazer disso um fato verídico de sua profunda imaginação. Rotular e ri, criando um sepulcro para si mesmo, onde habita o cemitério da compreensão. Compreensão que hoje, que agora, é mais um daqueles fantasmas que quem vê é taxado louco, porque fantasmas não existem.
pelo menos, entre tantas coisas, sempre houve a compreensão de minha parte. E mesmo, na atualidade, vazia de qualidades e alvo merecido de falácias ridículas, eu a desenterro daquele mesmo cemitério que citei. Fui doente, julguei. Armei minha própria armadilha, onde caí e fiz disso subida até aqui.
e como disse Nietzsche, humanos, demasiados, humanos. Tão cheios do eu e vazio do nós. Embebidos numa tolice fora de qualquer cabimento, porque a sobrevivência, ou melhor, a própria sobrevivência é um ideal, chave e resposta de muitas péssimas atitudes. Ferir alguém para se suprir. Matar alegria de uma pessoa, que antes, rindo, te irritava, te corroía. Ardia lá, naquela exata lacuna vazia do seu coração: precisou-se agir. E atitudes, onde -valha-me Deus!- agride pessoas, não são de graça. Talvez o preço seja sua própria necessidade de viver por julgar, agredir, ferir e outros mais, num clico onde aumenta-se a potência quando mais machuca vítimas. Talvez seja infelicidade que aflora naquela mesma lacuna vazia do seu repugnante coração. Humano, demasiado, humano.
me arrasto entre correntes até aqui para dizer: branca. Bandeira branca à guerras tolas e vãs, contra seres que já são inferiores por si só e que na verdade é uma guerrilha, onde os perdedores planejam emboscadas. Não que eu seja uma vencedora ereta de orgulho e honra no peito, mas é que se for preciso perder, arrastar e me sujar para ter a paz que defendo, farei. E de bom humor. E sorrindo aquele sorriso brilhante irritante, corrosivo. E chorando lágrimas dramáticas que subestimam seu orgulho, arranca de si vergonha e piedade, verdadeira, piedade.
Na verdade ajo na mais absoluta verdade de mim. Me desculpe a alguns que me ensinaram a viver o jogo do 'que se foda o resto do mundo', eu me importo com o resto do mundo sim. Não cabe nesse coração pequeno mágoas, raivas e outras coisas parecidas. Só tem espaço para o chato e repetitivo amor, amor, amor. Paciência, compreensão. Perdão. Sou cristã demais para o mundo, sou cristã de menos para igreja.
e seja essa a explicação de tantos deslizes de minha parte. Como pedido de desculpas, rasguei meu peito, trouxe o meu feio coração chagado. Decepcionada com o mundo. Com a vida. Com o caminho que escolhi e tanto insisti. Como prova do meu desespero me trago pura até aqui. Que antes, protegida pelas cascas grossas da ignorância e pelo fervor da raiva. Fazendo o que nasci para fazer. O que é mal feito, mas é o meu mal feito mais bem feito. Ter uma pausa para o meu grito.


(e assim se vai uma temporada de enxaqueca. Com o meu perdão e expulsão de toda raiva que armazenava em vão. totalmente em vão.)

terça-feira, maio 04, 2010

As críticas

Os caminhos mais fáceis conduzem
às histórias mais monótonas.
E pra quem tem a ousadia de ser: a vida.
Como brinde: a liberdade.

Pensar, querer. Tudo está preso
ao complexo mundo das ideias,
inaudível aos que são exatos demais.
E a estes restam as coisas menores.

As realizações forçadas,
objetivos prontos e sonhos
tão necessariamente minúsculos.
Mas restam. Quanto aos ousados,

os sobrepostos à mesquinhez mundana
e regras tão moralistas,
sobram as críticas dos habitantes
do mesmo mundo. Críticas

vestidas de maldade, de bondade,
de tudo, críticas. Afiadas,
cortantes, más. São críticas.
Falarão dos seus atos. E dirão:

sonha demais. Mas não esqueça
que os caminhos fáceis conduzem
às histórias mais monótonas.
Morrerá de qualquer jeito. Então

que morra fazendo. E não esperando.
Eu tenho a vida, a liberdade.
E tenho mais ainda
todas as críticas. Todas possíveis.

sábado, maio 01, 2010

última semana, abril.



Segunda feira, madrugada, quarto, voz me chamando. Insistente, masculina, sarcástica, real. Luna, Luna, Luna. Celular, namorado, não resolveu, chorei de medo. Cama da mamãe, me abraçou, não dormi, faltei aula. Som alto, acordei, irmã cantando. Saudades saciada, manhã toda com ela. Almoço, sair com mãe e irmã, risos, discussões, risos, falácias, risos. Celsinho, cerveja, sushi e salmão. Dia cheio, noite má dormida. Terça atrasada, ônibus demorado, 7:20h, não entrava, faltei aula. Embora à pé, chorei. Planeta, Lucas, desabafo, desabafo, desabafo (ele acha que eu sou louca). Aula à tarde, repúdio, cansaço, tristeza. Final da aula, irmã. Banho, arrumar, sair. Japonese Food. Irmã e Jéssica, risos. Pequeno. Risos. Quarta, bom dia. Café, chapinha na franja. 7:10h, não faltei aula. Xavier, estopim. Nervos, impulso, pronto falei. Falei alto, falei na hora errada. Pronto falei. Mal humor, calor. Cansaço. Faltei aula a tarde. Aniversário Camila, Flamengo x Corinthians, sair. Hangar, Jéssica, Tia Deise, cerveja. Gol do flamengo. Risos, gargalhadas e mais risos. Rock Gol, risos, gargalhadas. 3:30h, feliz, táxi, casa. Quinta-feira, muito bom dia, flamengo venceu. Cdf, repúdio. Cansaço. Mal humor. Cansaço. Hanna, Bárbara, Bruna, Loren - risos. Final da aula, padrinhos em casa, feliz. Sonho, coca, café, risos. Estudar, estudar. Bom humor, feliz. Estudar. Comer. Estudar. Meia noite, dormir. Sexta-feira, bom dia. Cdf, repúdio. Hanna, Bárbara, Bruna, Loren - mais risos. Última aula. Última aula do dia, útima aula no cdf. Gritos, dedo na minha cara. Injustiça. Cobras, fofocas. Mentiras. Ofensas. Choros. Choros intermináveis. Minha garganta doía. Injustiça. Fui embora.Pra sempre. Pra sempre. Chorei, falei. Chorei, comi. Chorei, tirei o uniforme. Chorei, saí. Bougainville. Café, pão-de-queijo, melhor irmã do mundo. Risos. Noite, bar, bonita. Cerveja, risos, cerveja, mais risos e gargalhadas. Sábado, ressaca, Leandro, almoço, costela, risos. Feliz. Feliz? Não sei. A semana foi muito cheia. Foi muito rápida.

quarta-feira, março 31, 2010

"limpar a chaminé", disse Freud.


não há noites sãs e as fomes são meras sensações fisiológicas. Mal posso esperar para poder encontrar você, contar como foi meu dia e me arrepender por ter falado tanta coisa. Não é a ansiosidade que me corrompe, já sou corrupta por ser eu mesma, porque firo meus próprios princípio sendo tão inconstante e volúvel. Ah, mas que se foda todas as constâncias emocionais, estamos falando de rotina, de nunca ter tempo pra nada, de não poder fazer de tudo que mais gosta, respirar um ar ventilado, tomar um sol beira praia ou ficar horas falando com a melhor amiga de todas. Eu falo da obrigação mental de ter que "ter". Eu tenho que fazer tantas coisas, tenho que ter tantas coisas, tenho que ser tanta coisa que precisaria de dias mais longos, noites mais curtas e ausência do sono. Se não fosse meu desequilíbrio comigo, não existiria meu eu. Sou assim, não sendo certa, mas sendo pateticamente verdadeira. Eu estou no lugar errado e sempre estive, eu sei. Saí do grupo de pessoas loucas para morar aqui nesse asilo da normalidade exagerada. Pode uma intensa querer abraçar a lógica? Pode, porque eu abraço e a tenho comigo. Eu sou, em prantos, fraca e, esporadicamente, muito forte. Compreendo minha determinação e tenho consciência do caminho que irei percorrer, será sem mais tempo ainda, espinhoso, me apertará mais ainda, mas eu gosto disso. Tá vendo? Meu ter tempo é simplesmente pensar demais, ficar aqui lamentando minhas poucas desgraças e minha triste sina de ser a luna de todos os dias. Todos os dias suportar meus próprios limites, de conversar com meu estômago e falar: come, amor, eu preciso de alimentos. E dizer para meu cérebro parar de latejar, gritar, quebrar meu crânio de dor: meu anjo, eu não consigo resolver listas de físicas enquanto você doí. Quem diria, enxaqueca. Eu cresci sem saber o que é dor de cabeça, o máximo que tive foi quando descobri que precisava usar óculos. E nada se compara com esta dor, fotofobia, enjoô, freios de carros me irritam, o barulho do ar concionado, sapatos arrastando no chão e principalmente o som que as luzes exalam no ar. Sem a crise, tenho pesadelos, como sempre, seguindo o meu cotidiano. Mas com as dores, os pesadelos me flagelam comendo os restos que tem de mim, eu acordo um caco, durmo de novo, choro, mato aula de novo. Choro, não consegui almoçar. Nem fazer aquele exercicío fácil de matemática. Choro, vou pro computador, edito fotos, faço vídeos e penso que escrever é a cura. E continuo chorando, não em lágrimas, não em vozes, mas em alma, que é o pior de todos os choros. Se ao menos saísse lágrimas, lavaria, metaforicamente, minha alma. Mas não sai, e eu estou ansiosa demais para passar toda essa dor. Quando eu vejo os noves ponto alguma coisa da nas redações, quando eu vejo os bons pontos de matérias que realmente estudei e amei, eu me recomponho. Ah, eu odeio de verdade este mundo que amo. Falar, falar, escrever, escrever. "Limpar a chaminé", Freud e sua psicanálise tão certa. Limpei.

segunda-feira, março 29, 2010

anedota de uma menininha e seus hormônios

Professor, você pode explicar de novo porquê a decomposição do amor forma vapor d'água mais ódio e calor? Não, vou passar a matéria adiante, ou você deglute isso ou mais tarde no escuro eu sintetizo a fórmula para você. Isso é um assédio? Sim, por que? Porque assédio é só depois do casamento, case comigo e me ensine a calcular equações polinomiais, quero achar o x e rasgar você. Não vou casar com você, cale essa boca, você tá atrapalhando a aula... o quê? menina, ponha já esta camiseta de volta, seu sutiã está encardido de tristeza! não, não o tire, eu não quis dizer isso... oh, que lindos...

--Acorde, você tá atrasada.

segunda-feira, março 08, 2010

três horas e trinta e três minutos da madrugada


Ah, não sei. De repente você sai gargalhando da boate e a caminho do carro você encontra um menino descabelado, descalço, com aqueles olhos fundos e vermelho que mal dá pra saber se é droga ou tristeza. De repente você sai feliz de uma feira, levando uma comida gostosa pra comer em casa e se depara com uma mulher magricela, um menino nos braços, suplicando com o olhar e boca umas moedas. De repente você vai pro cinema e ouvindo uma música agitada no carro, som alto, sorrisos, aquele clima de alegria, e no semáforo, a esquina está cheia de desabrigados, com roupas marrom-velhice, um deles vem até você, olhar, absorver, comer sua alegria.
Tá. Eu já parei com ideazinhas de mudar o mundo, tocar os corações alheios com palavras vãs. Já parei de acreditar em revoltas quaisquer que iludem e não passam disso. Mas eu ainda tenho este coração chagado e incoerente, que carrega ao mesmo tempo felicidade e tristeza. Não ora uma, ora outra. Simultâneamente, as duas.
E o pior, categorizo como normalidade. Ponho dessas máscaras que vendem por aí, de quem está acostumado a viver em cidade grande, miséria, mendigo, lixos revirados. Converso sério com o meu cérebro: isso não é problema seu. Ah, mas essa máscara está suja, e mais que me contamina, me infecta, passo a ter uma patologia chamada coração de pedra.
De repente, acordo 3:33h. Daquele jeito desesperado, de quem acha que está atrasado, de quem teve pesadelo, de quem foi assustado. Mas não era nada. Era só a máscara que tinha caído do meu rosto.
Me roubam de volta pro mundo, todos esses olhares. Eu que saio, discreta, pro Meu mundinho, minha vidinha egoísta e só minha. Cultivo uma cultura de problemas, rego todos os dias com melo-drama de quem tem autopiedade ( e jura que não!), de quem tem a doença do narcisismo. Mas não. O mundo tá lá fora. De novo.

"[...]Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos e dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos - odiosa carga para seus filhos- e o mundo inteiro de solidão, pobreza, dor e transformaram a em arremedo o que a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro com isso. [...]"
RUSSEL, Bertrand. Minha vida

domingo, fevereiro 21, 2010

Tecnologicamente viciada.

Veemente agarrada aos decibéis, bytes, pixeis, ondas eletromagnéticas. Qualquer coisa que faça barulho ou que mostre imagens. Mas que não me deixe sozinha.
Acordo, som. Chego, computador. Como, tevê. E quando enjoo de tudo, celular.
Não que tenho medo do silêncio, de ficar sozinha comigo. É que eu sinto saudades do barulho de conversas que era esta casa. As vozes, as brigas, gargalhadas ou cantorias.
Das vezes que eu acordava e tinha para quem contar meus sonhos. Das broncas que eu teria que dar pelo motivo que fosse. Das fofocas, dos medos, das intrigas, das besteiras. As conversas que me irritavam, as conversas desnecessárias.
Dos bondias, das boanoites, dos "me deixe em paz". Sinto saudades das péssimas músicas que colocavam alto. De ouvir tantos desabafos e fatos estrondosos.
Eu sou viciada na tecnologia. Porque é ela quem me ilude a estar perto de quem eu quero.
Eu sei, não deveria. Há muita coisa pra fazer. É que o barulho lá fora perturba o silêncio aqui dentro. Debocha da minha solidão e eu, fraca, ligo o som ou a tevê ou o pecê.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Crown of Love



Eu era louca, insegura e me mantinha submersa no medo. Na sexta eu não me sentia sua, no sábado começava turbulento e com o passar do tempo fazíamos as pazes de uma briga que só eu sabia. No domingo você era tudo pra mim. E você, de nada sabia. Só ia retribuindo e vivendo comigo um amor que eu, louca, não acreditava.
A semana exprimia o máximo da saudade, até virar raiva, até tirar a ternura e pôr a implicância para doer menos. Eu pensava, quando não deveria, criava histórias em que você sempre era o vilão e eu a pobre desmiolada mocinha apaixonada. A semana e minha literal solidão, estudando, cansando, querendo ver você de novo, mas ao mesmo tempo querendo nunca tê-lo conhecido. Era só saudade, e eu louca, fazia disso meu, nosso, inferno.
A gente tinha terminado por uns dois meses, juramos novamente eterno amor, mas eu já sentia um novo fim. Ninguém me convencia do contrário. Eu causava brigas que pra mim já existiam.
Foi quando em uma milésima tentativa eu me fiz forte. Convenci meu cérebro de que não nascera para relacionamentos longos, em que não houvesse o fogo quente e ilusório da paixão. Eu já tinha posto na minha cabeça que não teríamos futuro. Que quando eu abrisse a porta do seu carro para vê-lo em um outro sábado, seria mais fria, sentiria que não era mais ainda sua.
Olhei para seus malditos olhos que já me estremeceu por dentro e falei um oi seco, tão desmerecido para você.
Você percebeu. E diferente das vezes que começava a querer ficar sério, a querer brigar e perguntar com desaforo: o que foi dessa vez? de novo assim?; você pôs uma música no seu carro e falou: Escuta, sou eu cantando pra você.
Eu desacreditei. Porque você não é desses que põem 'nossa música' em qualquer sonzinho romântico. Porque na verdade, você quase nunca usa o 'nossa música'.
Mas eu já havia me entregue a minha psicologia-de-ser-forte e não me movia. Simplesmente ouvia e fingia não entender aquele inglês fácil daquele som. Ao invés de você sem paciência me perguntar: o que que foi?, como já tinha feito outras vezes, perto do meu melo-drama, você cantou.
Cantou alto, aumentou o som. A música crescia, progressivamente, estourava. Parecia um som gospel daqueles que você chora sem saber o porquê. Mas era de amor. Do amor que eu já tinha afirmado: não existia. A letra da música fazia meu coração vibrar.
Ainda bem que som estava alto suficiente para eu chorar e soluçar . Ainda bem que você estava dirigindo e cantando feliz, sem ver meu rosto vermelho, minha raiva se dissolver em lágrimas. Eu estava prestes a desligar o som e gritar, dizer que estava cansada, que nós não seríamos felizes, estava só esperando você olhar e indagar sobre meu escândalo. Mas enquanto o ápice da música passava, eu lhe perdoava em silêncio.Engoli todo o texto que decorei durante a semana, tudo que havia treinado, meus argumentos imbatíveis. Eu chorei, e chorei e chorei e quando só havia resto de choro em minha alma você percebeu e me perguntou o porquê, eu falei: a música é linda.


Crown of Love - tradução

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Eu nunca mais quero ver você chorando


Tá vendo todas estas nuvens? São passageiras. Se vão, como um dia você também irá. Pra longe, pra morte, pra nada. Você vai e isso aperta seco em meu peito, como se todo o sangue em meu corpo se esvaziasse, deixando meu coração sem ter o que bombear.
Então, não se preocupe tanto com este seu céu nublado, ele é só mais um item da pilha do seu passado. Eu estou aqui, apertando forte sua mão e isso é uma das coisas que importa. Não me venha com essas lágrimas silenciosas. O choro precisa de suspiros para ficar mais ameno, quando ele é assim, tão lacrimejante e mudo, me amedronta, porque sei que é mais doloroso. Por favor, pare de chorar. Sou tão inútil perto de todas suas queixas sobre a vida. Tudo que posso fazer e apertar sua mão sob a intensidade do que sinto, quanto mais doí, mais aperto.
Quem dera se eu pudesse mudar alguma coisa, abriria seu caminho com minhas mãos, daria todos os seus sonhos e poria na sua face um sorriso, daqueles tão sinceros e felizes, que chega a ser irritante.
Não, não me confesse seus segredos. Eu tenho medo de guardar coisas tão importantes, que mudaria vidas e destinos e pessoas. Sei que é o desespero, sei que a dor abre uma porta por acidente, justo a que passa o medo de morrer. Então você vai chorando e confessando, me dizendo tanta coisa, era pra eu gritar com você, era pra eu fazer escândalo e brigar com sua covardia de não ter enfrentado a vida em prol de seus princípios, que hoje são restos. Mas eu não consigo, seu choro é como um suplício divino. Me deixa tão intacta que para falar, falo baixo, sussurro e até penso antes. Fico como uma princesa sábia, delicada e de palavras doces. Não consigo me revoltar, só consigo olhar para seu rosto e continuar apertando sua mão. E junto apertando meu cérebro para ele ser o mais eficaz possível para não cair lágrimas de mim.
Quero desanuviar seu céu, quero eternizar você. As nuvens vão e até seu corpo pode ir, mas pra mim, você, realmente, nunca irá.
Eu nunca mais quero ver você chorando. Nunca mais.

sábado, janeiro 30, 2010

Sem pausas e sempre "grito"

Me sinto atravessada pela vida. Pelo acorde, pelo faça, estude, seja, cresça. A minha vida está tão apertada que não sobra espaço para o tal lirismo, quase infantil, dos gritos letrais. Está tudo ficando tão adulto, que estou mais pra uma vaca que uma pessoa. Eu tenho que crescer e esquecer que sou poeta. Deixar de baixo da cama toda a bagunça da poesia que um dia eu chamei para minha vida. Tenho que estar sob esta capa de responsabilidade, de erros imperdoáveis. Eu não posso falhar.
Não posso mais sentir a beleza de ser triste por um dia. Não consigo chorar aqueles choros lavadeiros, que deixa nossa alma tão limpa e sem esdrúxulos, que ela fica pronta para se sujar de novo.
Não, isso não é uma lamentação. É uma simples explicação do porquê eu jamais quero ser uma verdadeira poeta e nem disso, mereço ser chamada. Eu sou presa na racionalidade por vontade própria. Se eu amasse tanto a arte e poesia, não faria da medicina, o amor da minha vida. E não estaria passando por toda essa merda de dificuldade para entrar no curso à toa.
Na verdade, eu ando gritando muito por aqui. Não preciso me apegar veemente à essa vida de loucuras inusitadas, poesia, lágrimas e tormentos, porque o que gera o grito, está solto nos atos, não mais nas letras.
Grito aqui, com tudo que tenta me entristecer. Grito com todas as absurdas pessoas idiotas que pensam que eu preciso de dependência inter-pessoais. Grito com a louca da minha madrasta que um dia esqueceu de por sua máscara e resolveu me infernizar. Grito com meu pai, quando acha que eu deveria dar bom dia à cobra que ele é casado. Grito com as mesquinhas egoísitas, que pensam que um dia eu as considerei do mesmo tanto que disse considerar. Não sob a forma de voz intensa, mas numa atitude que deixa bem claro a minha revolta.
Mergulho poético demais, às vezes me afoga. Mas quando eu vivo sobmersa demais, desconfio se tenho mesmo esse pulmão terrestre ou àquelas brânquias poéticas.

(Eu sei, logo vou sentir saudades e confessar: sou da poesia.)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

me cansa

Como manda a rotina, cansei. De sentir falta de palavras, da querência de minha presença, das indagações sobre meu comportamento, de uma saudade que deveria ser sua. A secura da sua sombra não me atormenta, mas me irrita. E mais uma vez, me cansa.
Há uma enorme probabilidade de eu me cansar de estar cansada. Porque tudo que se repete demais, me cansa.