umapausa

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sábado, janeiro 30, 2010

Sem pausas e sempre "grito"

Me sinto atravessada pela vida. Pelo acorde, pelo faça, estude, seja, cresça. A minha vida está tão apertada que não sobra espaço para o tal lirismo, quase infantil, dos gritos letrais. Está tudo ficando tão adulto, que estou mais pra uma vaca que uma pessoa. Eu tenho que crescer e esquecer que sou poeta. Deixar de baixo da cama toda a bagunça da poesia que um dia eu chamei para minha vida. Tenho que estar sob esta capa de responsabilidade, de erros imperdoáveis. Eu não posso falhar.
Não posso mais sentir a beleza de ser triste por um dia. Não consigo chorar aqueles choros lavadeiros, que deixa nossa alma tão limpa e sem esdrúxulos, que ela fica pronta para se sujar de novo.
Não, isso não é uma lamentação. É uma simples explicação do porquê eu jamais quero ser uma verdadeira poeta e nem disso, mereço ser chamada. Eu sou presa na racionalidade por vontade própria. Se eu amasse tanto a arte e poesia, não faria da medicina, o amor da minha vida. E não estaria passando por toda essa merda de dificuldade para entrar no curso à toa.
Na verdade, eu ando gritando muito por aqui. Não preciso me apegar veemente à essa vida de loucuras inusitadas, poesia, lágrimas e tormentos, porque o que gera o grito, está solto nos atos, não mais nas letras.
Grito aqui, com tudo que tenta me entristecer. Grito com todas as absurdas pessoas idiotas que pensam que eu preciso de dependência inter-pessoais. Grito com a louca da minha madrasta que um dia esqueceu de por sua máscara e resolveu me infernizar. Grito com meu pai, quando acha que eu deveria dar bom dia à cobra que ele é casado. Grito com as mesquinhas egoísitas, que pensam que um dia eu as considerei do mesmo tanto que disse considerar. Não sob a forma de voz intensa, mas numa atitude que deixa bem claro a minha revolta.
Mergulho poético demais, às vezes me afoga. Mas quando eu vivo sobmersa demais, desconfio se tenho mesmo esse pulmão terrestre ou àquelas brânquias poéticas.

(Eu sei, logo vou sentir saudades e confessar: sou da poesia.)

4 comentários:

Ivan Bueno disse...

A vida é mesmo cheia desses imperativos: faça, estude, seja, cresça... Esses imperativos sufocam, às vezes, e sufocam muito, várias vezes. Alguns inúteis, simples ditados sociais, outros necessários ou simples consequências do viver.
Não sei do que você merece ser chamada, se não de poeta, mas seus textos são muito bons. O rótulo pouco importa!
E ao ler todo o texto, uma frase me martelou a cabeça sem parar: "Crescer dói!"... e como dói. Abrimos mão de inocências, da capacidade de sermos lúdicos, um pouco "irresponsáveis", leves, lépidos. Vai pesando...
O término do texto, o entre parêntesis, é ótimo.
Gritar faz bem, ainda que o grito saia por escrito.
Beijo.

Fábio Coelho disse...

"o que gera o grito está solto nos atos, nao mais nas letras"
=D

falou e diiiiiiiiiissssse!!!!!!!

Luana Andrade disse...

Eu ouço sua melodia, me envolvo em seus acordes mais imperativos por meio de suas linhas fantásticas e aqui estou na tentativa de audição de seus gritos... Lu, uma vez eu tive a pretensão de afirmar que acreditava em poesia, ao invés de senti-la como deveria ser, ou seja, eu acredito em você! Aprecio muuuito sua forma de expressão, ela me recupera. Abraço em ti Luna.

Larissa disse...

vx é mto boa..adorei tudo por aqui flor..continue escrevendo..gostei mto deles..apesar de quase sempre vx expressar as mesmas coisas..mais eu amei tudoo..me identifiquei com vários textos =) ..bjinhuxx