umapausa

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domingo, fevereiro 21, 2010

Tecnologicamente viciada.

Veemente agarrada aos decibéis, bytes, pixeis, ondas eletromagnéticas. Qualquer coisa que faça barulho ou que mostre imagens. Mas que não me deixe sozinha.
Acordo, som. Chego, computador. Como, tevê. E quando enjoo de tudo, celular.
Não que tenho medo do silêncio, de ficar sozinha comigo. É que eu sinto saudades do barulho de conversas que era esta casa. As vozes, as brigas, gargalhadas ou cantorias.
Das vezes que eu acordava e tinha para quem contar meus sonhos. Das broncas que eu teria que dar pelo motivo que fosse. Das fofocas, dos medos, das intrigas, das besteiras. As conversas que me irritavam, as conversas desnecessárias.
Dos bondias, das boanoites, dos "me deixe em paz". Sinto saudades das péssimas músicas que colocavam alto. De ouvir tantos desabafos e fatos estrondosos.
Eu sou viciada na tecnologia. Porque é ela quem me ilude a estar perto de quem eu quero.
Eu sei, não deveria. Há muita coisa pra fazer. É que o barulho lá fora perturba o silêncio aqui dentro. Debocha da minha solidão e eu, fraca, ligo o som ou a tevê ou o pecê.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Crown of Love



Eu era louca, insegura e me mantinha submersa no medo. Na sexta eu não me sentia sua, no sábado começava turbulento e com o passar do tempo fazíamos as pazes de uma briga que só eu sabia. No domingo você era tudo pra mim. E você, de nada sabia. Só ia retribuindo e vivendo comigo um amor que eu, louca, não acreditava.
A semana exprimia o máximo da saudade, até virar raiva, até tirar a ternura e pôr a implicância para doer menos. Eu pensava, quando não deveria, criava histórias em que você sempre era o vilão e eu a pobre desmiolada mocinha apaixonada. A semana e minha literal solidão, estudando, cansando, querendo ver você de novo, mas ao mesmo tempo querendo nunca tê-lo conhecido. Era só saudade, e eu louca, fazia disso meu, nosso, inferno.
A gente tinha terminado por uns dois meses, juramos novamente eterno amor, mas eu já sentia um novo fim. Ninguém me convencia do contrário. Eu causava brigas que pra mim já existiam.
Foi quando em uma milésima tentativa eu me fiz forte. Convenci meu cérebro de que não nascera para relacionamentos longos, em que não houvesse o fogo quente e ilusório da paixão. Eu já tinha posto na minha cabeça que não teríamos futuro. Que quando eu abrisse a porta do seu carro para vê-lo em um outro sábado, seria mais fria, sentiria que não era mais ainda sua.
Olhei para seus malditos olhos que já me estremeceu por dentro e falei um oi seco, tão desmerecido para você.
Você percebeu. E diferente das vezes que começava a querer ficar sério, a querer brigar e perguntar com desaforo: o que foi dessa vez? de novo assim?; você pôs uma música no seu carro e falou: Escuta, sou eu cantando pra você.
Eu desacreditei. Porque você não é desses que põem 'nossa música' em qualquer sonzinho romântico. Porque na verdade, você quase nunca usa o 'nossa música'.
Mas eu já havia me entregue a minha psicologia-de-ser-forte e não me movia. Simplesmente ouvia e fingia não entender aquele inglês fácil daquele som. Ao invés de você sem paciência me perguntar: o que que foi?, como já tinha feito outras vezes, perto do meu melo-drama, você cantou.
Cantou alto, aumentou o som. A música crescia, progressivamente, estourava. Parecia um som gospel daqueles que você chora sem saber o porquê. Mas era de amor. Do amor que eu já tinha afirmado: não existia. A letra da música fazia meu coração vibrar.
Ainda bem que som estava alto suficiente para eu chorar e soluçar . Ainda bem que você estava dirigindo e cantando feliz, sem ver meu rosto vermelho, minha raiva se dissolver em lágrimas. Eu estava prestes a desligar o som e gritar, dizer que estava cansada, que nós não seríamos felizes, estava só esperando você olhar e indagar sobre meu escândalo. Mas enquanto o ápice da música passava, eu lhe perdoava em silêncio.Engoli todo o texto que decorei durante a semana, tudo que havia treinado, meus argumentos imbatíveis. Eu chorei, e chorei e chorei e quando só havia resto de choro em minha alma você percebeu e me perguntou o porquê, eu falei: a música é linda.


Crown of Love - tradução

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Eu nunca mais quero ver você chorando


Tá vendo todas estas nuvens? São passageiras. Se vão, como um dia você também irá. Pra longe, pra morte, pra nada. Você vai e isso aperta seco em meu peito, como se todo o sangue em meu corpo se esvaziasse, deixando meu coração sem ter o que bombear.
Então, não se preocupe tanto com este seu céu nublado, ele é só mais um item da pilha do seu passado. Eu estou aqui, apertando forte sua mão e isso é uma das coisas que importa. Não me venha com essas lágrimas silenciosas. O choro precisa de suspiros para ficar mais ameno, quando ele é assim, tão lacrimejante e mudo, me amedronta, porque sei que é mais doloroso. Por favor, pare de chorar. Sou tão inútil perto de todas suas queixas sobre a vida. Tudo que posso fazer e apertar sua mão sob a intensidade do que sinto, quanto mais doí, mais aperto.
Quem dera se eu pudesse mudar alguma coisa, abriria seu caminho com minhas mãos, daria todos os seus sonhos e poria na sua face um sorriso, daqueles tão sinceros e felizes, que chega a ser irritante.
Não, não me confesse seus segredos. Eu tenho medo de guardar coisas tão importantes, que mudaria vidas e destinos e pessoas. Sei que é o desespero, sei que a dor abre uma porta por acidente, justo a que passa o medo de morrer. Então você vai chorando e confessando, me dizendo tanta coisa, era pra eu gritar com você, era pra eu fazer escândalo e brigar com sua covardia de não ter enfrentado a vida em prol de seus princípios, que hoje são restos. Mas eu não consigo, seu choro é como um suplício divino. Me deixa tão intacta que para falar, falo baixo, sussurro e até penso antes. Fico como uma princesa sábia, delicada e de palavras doces. Não consigo me revoltar, só consigo olhar para seu rosto e continuar apertando sua mão. E junto apertando meu cérebro para ele ser o mais eficaz possível para não cair lágrimas de mim.
Quero desanuviar seu céu, quero eternizar você. As nuvens vão e até seu corpo pode ir, mas pra mim, você, realmente, nunca irá.
Eu nunca mais quero ver você chorando. Nunca mais.