umapausa

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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Crown of Love



Eu era louca, insegura e me mantinha submersa no medo. Na sexta eu não me sentia sua, no sábado começava turbulento e com o passar do tempo fazíamos as pazes de uma briga que só eu sabia. No domingo você era tudo pra mim. E você, de nada sabia. Só ia retribuindo e vivendo comigo um amor que eu, louca, não acreditava.
A semana exprimia o máximo da saudade, até virar raiva, até tirar a ternura e pôr a implicância para doer menos. Eu pensava, quando não deveria, criava histórias em que você sempre era o vilão e eu a pobre desmiolada mocinha apaixonada. A semana e minha literal solidão, estudando, cansando, querendo ver você de novo, mas ao mesmo tempo querendo nunca tê-lo conhecido. Era só saudade, e eu louca, fazia disso meu, nosso, inferno.
A gente tinha terminado por uns dois meses, juramos novamente eterno amor, mas eu já sentia um novo fim. Ninguém me convencia do contrário. Eu causava brigas que pra mim já existiam.
Foi quando em uma milésima tentativa eu me fiz forte. Convenci meu cérebro de que não nascera para relacionamentos longos, em que não houvesse o fogo quente e ilusório da paixão. Eu já tinha posto na minha cabeça que não teríamos futuro. Que quando eu abrisse a porta do seu carro para vê-lo em um outro sábado, seria mais fria, sentiria que não era mais ainda sua.
Olhei para seus malditos olhos que já me estremeceu por dentro e falei um oi seco, tão desmerecido para você.
Você percebeu. E diferente das vezes que começava a querer ficar sério, a querer brigar e perguntar com desaforo: o que foi dessa vez? de novo assim?; você pôs uma música no seu carro e falou: Escuta, sou eu cantando pra você.
Eu desacreditei. Porque você não é desses que põem 'nossa música' em qualquer sonzinho romântico. Porque na verdade, você quase nunca usa o 'nossa música'.
Mas eu já havia me entregue a minha psicologia-de-ser-forte e não me movia. Simplesmente ouvia e fingia não entender aquele inglês fácil daquele som. Ao invés de você sem paciência me perguntar: o que que foi?, como já tinha feito outras vezes, perto do meu melo-drama, você cantou.
Cantou alto, aumentou o som. A música crescia, progressivamente, estourava. Parecia um som gospel daqueles que você chora sem saber o porquê. Mas era de amor. Do amor que eu já tinha afirmado: não existia. A letra da música fazia meu coração vibrar.
Ainda bem que som estava alto suficiente para eu chorar e soluçar . Ainda bem que você estava dirigindo e cantando feliz, sem ver meu rosto vermelho, minha raiva se dissolver em lágrimas. Eu estava prestes a desligar o som e gritar, dizer que estava cansada, que nós não seríamos felizes, estava só esperando você olhar e indagar sobre meu escândalo. Mas enquanto o ápice da música passava, eu lhe perdoava em silêncio.Engoli todo o texto que decorei durante a semana, tudo que havia treinado, meus argumentos imbatíveis. Eu chorei, e chorei e chorei e quando só havia resto de choro em minha alma você percebeu e me perguntou o porquê, eu falei: a música é linda.


Crown of Love - tradução

5 comentários:

Wesley disse...

O_O
Me impressiono cade vez mais com os seus textos, esse em especial...você conseguiu me fazer ler duas vezes hahaha
Musica linda tb, parabens ;**

Mandy Oliiver disse...

Ola, confira os conteudos do nosso blog e se quizer pode receber as nossas atualizaçoes direto em seu blog nos seguindo ! esperamos que se divirta com nossos conteudos !

http://ataqueid.blogspot.com/

Agradecido : Ataque ID :]

esperamos que nos siga ! (y)

Luana Andrade disse...

Música linda, alma bela. Há tempos não ficava obcecada em palavras, em linguagem como agora... Incrível, eterno. Beijos Lu.

Ivan Bueno disse...

Belo texto, luna. Bela crônica. Você descreve muito bem a inconstância da paixão e a subjetividade das nossas percepções determinando nossos sentimentos, igualmente subjetivos. Numa paixão nada é objetivo, a não ser a subjetividade e a intensidade. Adorei a frase "e com o passar do tempo fazíamos as pazes de uma briga que só eu sabia". Acho que ela resume bem toda essa subjetividade.
Beijo grande e dê um pulinho lá no Empirismo Vernacular quando der. Faz tempo que não aparece por lá.

Rita disse...

amei... nao ha palavras para descrever...lindo