umapausa

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quarta-feira, maio 19, 2010

buraco


Procuro profundidades. Vou ali cavando, cavando, até entender que não há mais o que cavar. Me jogo lá dentro, me lambuzo do escuro, me vejo só. Não choro, porque sou forte. Mas como a terra, por desespero. Então assumo: errei. E me sujo de novo, mas com o vazio. Farta e enjoada, vomito. Suja pelo meu próprio veneno, cravo as unhas nas paredes de terra que me apertam. Vou forte, vou determinada. Saio. Faço meu próprio parto, de novo, ao mundo.
Mas a luz me cega. A luz lá fora, tão intensa, tão irritante, me assusta. Eu me cabisbaixo. Não por ser perdida, triste ou qualquer artefato que me induzem a ser. Por assumir que quando saio da toca, da minha toca, o mundo me assusta. Por proteger meus olhos de uma fotofobia. Por simplesmente abaixar a cabeça por um momento, um momento. Até que a terra úmida lá em baixo, me chama. E me fala: sou teu útero, tua morada.
Mas é que um dia todo mundo precisar se parir. E foi meu dia. Minha vez. No mundo onde as luzes me acompanham, onde me abraçam, me jogam, me dançam, me falam, me fazem de tudo; eu não estou sozinha, eu sei. Tão cheia de tantos, mas vivendo na superfície absoluta. Superficialmente. Superficialidade.

sexta-feira, maio 14, 2010

não nasci para me enraivar

é doentil julgar. apalpar verdades abstratas, inventar uma porção delas e apontar o dedo para alguma coisa, qualquer coisa, apontar. Achar, e fazer disso um fato verídico de sua profunda imaginação. Rotular e ri, criando um sepulcro para si mesmo, onde habita o cemitério da compreensão. Compreensão que hoje, que agora, é mais um daqueles fantasmas que quem vê é taxado louco, porque fantasmas não existem.
pelo menos, entre tantas coisas, sempre houve a compreensão de minha parte. E mesmo, na atualidade, vazia de qualidades e alvo merecido de falácias ridículas, eu a desenterro daquele mesmo cemitério que citei. Fui doente, julguei. Armei minha própria armadilha, onde caí e fiz disso subida até aqui.
e como disse Nietzsche, humanos, demasiados, humanos. Tão cheios do eu e vazio do nós. Embebidos numa tolice fora de qualquer cabimento, porque a sobrevivência, ou melhor, a própria sobrevivência é um ideal, chave e resposta de muitas péssimas atitudes. Ferir alguém para se suprir. Matar alegria de uma pessoa, que antes, rindo, te irritava, te corroía. Ardia lá, naquela exata lacuna vazia do seu coração: precisou-se agir. E atitudes, onde -valha-me Deus!- agride pessoas, não são de graça. Talvez o preço seja sua própria necessidade de viver por julgar, agredir, ferir e outros mais, num clico onde aumenta-se a potência quando mais machuca vítimas. Talvez seja infelicidade que aflora naquela mesma lacuna vazia do seu repugnante coração. Humano, demasiado, humano.
me arrasto entre correntes até aqui para dizer: branca. Bandeira branca à guerras tolas e vãs, contra seres que já são inferiores por si só e que na verdade é uma guerrilha, onde os perdedores planejam emboscadas. Não que eu seja uma vencedora ereta de orgulho e honra no peito, mas é que se for preciso perder, arrastar e me sujar para ter a paz que defendo, farei. E de bom humor. E sorrindo aquele sorriso brilhante irritante, corrosivo. E chorando lágrimas dramáticas que subestimam seu orgulho, arranca de si vergonha e piedade, verdadeira, piedade.
Na verdade ajo na mais absoluta verdade de mim. Me desculpe a alguns que me ensinaram a viver o jogo do 'que se foda o resto do mundo', eu me importo com o resto do mundo sim. Não cabe nesse coração pequeno mágoas, raivas e outras coisas parecidas. Só tem espaço para o chato e repetitivo amor, amor, amor. Paciência, compreensão. Perdão. Sou cristã demais para o mundo, sou cristã de menos para igreja.
e seja essa a explicação de tantos deslizes de minha parte. Como pedido de desculpas, rasguei meu peito, trouxe o meu feio coração chagado. Decepcionada com o mundo. Com a vida. Com o caminho que escolhi e tanto insisti. Como prova do meu desespero me trago pura até aqui. Que antes, protegida pelas cascas grossas da ignorância e pelo fervor da raiva. Fazendo o que nasci para fazer. O que é mal feito, mas é o meu mal feito mais bem feito. Ter uma pausa para o meu grito.


(e assim se vai uma temporada de enxaqueca. Com o meu perdão e expulsão de toda raiva que armazenava em vão. totalmente em vão.)

terça-feira, maio 04, 2010

As críticas

Os caminhos mais fáceis conduzem
às histórias mais monótonas.
E pra quem tem a ousadia de ser: a vida.
Como brinde: a liberdade.

Pensar, querer. Tudo está preso
ao complexo mundo das ideias,
inaudível aos que são exatos demais.
E a estes restam as coisas menores.

As realizações forçadas,
objetivos prontos e sonhos
tão necessariamente minúsculos.
Mas restam. Quanto aos ousados,

os sobrepostos à mesquinhez mundana
e regras tão moralistas,
sobram as críticas dos habitantes
do mesmo mundo. Críticas

vestidas de maldade, de bondade,
de tudo, críticas. Afiadas,
cortantes, más. São críticas.
Falarão dos seus atos. E dirão:

sonha demais. Mas não esqueça
que os caminhos fáceis conduzem
às histórias mais monótonas.
Morrerá de qualquer jeito. Então

que morra fazendo. E não esperando.
Eu tenho a vida, a liberdade.
E tenho mais ainda
todas as críticas. Todas possíveis.

sábado, maio 01, 2010

última semana, abril.



Segunda feira, madrugada, quarto, voz me chamando. Insistente, masculina, sarcástica, real. Luna, Luna, Luna. Celular, namorado, não resolveu, chorei de medo. Cama da mamãe, me abraçou, não dormi, faltei aula. Som alto, acordei, irmã cantando. Saudades saciada, manhã toda com ela. Almoço, sair com mãe e irmã, risos, discussões, risos, falácias, risos. Celsinho, cerveja, sushi e salmão. Dia cheio, noite má dormida. Terça atrasada, ônibus demorado, 7:20h, não entrava, faltei aula. Embora à pé, chorei. Planeta, Lucas, desabafo, desabafo, desabafo (ele acha que eu sou louca). Aula à tarde, repúdio, cansaço, tristeza. Final da aula, irmã. Banho, arrumar, sair. Japonese Food. Irmã e Jéssica, risos. Pequeno. Risos. Quarta, bom dia. Café, chapinha na franja. 7:10h, não faltei aula. Xavier, estopim. Nervos, impulso, pronto falei. Falei alto, falei na hora errada. Pronto falei. Mal humor, calor. Cansaço. Faltei aula a tarde. Aniversário Camila, Flamengo x Corinthians, sair. Hangar, Jéssica, Tia Deise, cerveja. Gol do flamengo. Risos, gargalhadas e mais risos. Rock Gol, risos, gargalhadas. 3:30h, feliz, táxi, casa. Quinta-feira, muito bom dia, flamengo venceu. Cdf, repúdio. Cansaço. Mal humor. Cansaço. Hanna, Bárbara, Bruna, Loren - risos. Final da aula, padrinhos em casa, feliz. Sonho, coca, café, risos. Estudar, estudar. Bom humor, feliz. Estudar. Comer. Estudar. Meia noite, dormir. Sexta-feira, bom dia. Cdf, repúdio. Hanna, Bárbara, Bruna, Loren - mais risos. Última aula. Última aula do dia, útima aula no cdf. Gritos, dedo na minha cara. Injustiça. Cobras, fofocas. Mentiras. Ofensas. Choros. Choros intermináveis. Minha garganta doía. Injustiça. Fui embora.Pra sempre. Pra sempre. Chorei, falei. Chorei, comi. Chorei, tirei o uniforme. Chorei, saí. Bougainville. Café, pão-de-queijo, melhor irmã do mundo. Risos. Noite, bar, bonita. Cerveja, risos, cerveja, mais risos e gargalhadas. Sábado, ressaca, Leandro, almoço, costela, risos. Feliz. Feliz? Não sei. A semana foi muito cheia. Foi muito rápida.