umapausa

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sexta-feira, maio 14, 2010

não nasci para me enraivar

é doentil julgar. apalpar verdades abstratas, inventar uma porção delas e apontar o dedo para alguma coisa, qualquer coisa, apontar. Achar, e fazer disso um fato verídico de sua profunda imaginação. Rotular e ri, criando um sepulcro para si mesmo, onde habita o cemitério da compreensão. Compreensão que hoje, que agora, é mais um daqueles fantasmas que quem vê é taxado louco, porque fantasmas não existem.
pelo menos, entre tantas coisas, sempre houve a compreensão de minha parte. E mesmo, na atualidade, vazia de qualidades e alvo merecido de falácias ridículas, eu a desenterro daquele mesmo cemitério que citei. Fui doente, julguei. Armei minha própria armadilha, onde caí e fiz disso subida até aqui.
e como disse Nietzsche, humanos, demasiados, humanos. Tão cheios do eu e vazio do nós. Embebidos numa tolice fora de qualquer cabimento, porque a sobrevivência, ou melhor, a própria sobrevivência é um ideal, chave e resposta de muitas péssimas atitudes. Ferir alguém para se suprir. Matar alegria de uma pessoa, que antes, rindo, te irritava, te corroía. Ardia lá, naquela exata lacuna vazia do seu coração: precisou-se agir. E atitudes, onde -valha-me Deus!- agride pessoas, não são de graça. Talvez o preço seja sua própria necessidade de viver por julgar, agredir, ferir e outros mais, num clico onde aumenta-se a potência quando mais machuca vítimas. Talvez seja infelicidade que aflora naquela mesma lacuna vazia do seu repugnante coração. Humano, demasiado, humano.
me arrasto entre correntes até aqui para dizer: branca. Bandeira branca à guerras tolas e vãs, contra seres que já são inferiores por si só e que na verdade é uma guerrilha, onde os perdedores planejam emboscadas. Não que eu seja uma vencedora ereta de orgulho e honra no peito, mas é que se for preciso perder, arrastar e me sujar para ter a paz que defendo, farei. E de bom humor. E sorrindo aquele sorriso brilhante irritante, corrosivo. E chorando lágrimas dramáticas que subestimam seu orgulho, arranca de si vergonha e piedade, verdadeira, piedade.
Na verdade ajo na mais absoluta verdade de mim. Me desculpe a alguns que me ensinaram a viver o jogo do 'que se foda o resto do mundo', eu me importo com o resto do mundo sim. Não cabe nesse coração pequeno mágoas, raivas e outras coisas parecidas. Só tem espaço para o chato e repetitivo amor, amor, amor. Paciência, compreensão. Perdão. Sou cristã demais para o mundo, sou cristã de menos para igreja.
e seja essa a explicação de tantos deslizes de minha parte. Como pedido de desculpas, rasguei meu peito, trouxe o meu feio coração chagado. Decepcionada com o mundo. Com a vida. Com o caminho que escolhi e tanto insisti. Como prova do meu desespero me trago pura até aqui. Que antes, protegida pelas cascas grossas da ignorância e pelo fervor da raiva. Fazendo o que nasci para fazer. O que é mal feito, mas é o meu mal feito mais bem feito. Ter uma pausa para o meu grito.


(e assim se vai uma temporada de enxaqueca. Com o meu perdão e expulsão de toda raiva que armazenava em vão. totalmente em vão.)