umapausa

umapausa

segunda-feira, julho 12, 2010

Aqui, neste pedaço de papel: toda a saudade que sinto. E sofro. E sinto. E a omito. Não que seja uma saudade remota, repetitiva, insistente. É a saudade de um modo agudo, intensa, afobada. Sinto sua falta hoje, mas acredite, não é todo instante. E quando vem, rouba essas lágrimas que caem agora de mim. Aflita, abraço a mim mesma com facas cortantes, na tentativa de ser forte, eu mesma me machuco. Mesmo que eu tente fugir do lirismo e ir para racionalidade, cá está toda essa saudade involuntária, sufocando minhas decisões. Ela é filha de uma emocionalidade que agoro considero tosca. E usando a razão, seria loucura eu não sentí-la.

Goiânia, 02 de junho de 2009.




quinta-feira, julho 08, 2010

Caos à Lama

Uma transparência falsa, que reflete mentiras entrelaçadas nas verdades, de modo que fique mais ameno o peso que carrega na consciência que lhe resta. É assim, tanto faz. Indiferença é o retrato da preguiça de viver, que é agora sua mais ousada mania. Não foi culpa dela, não totalmente. Por um lado ela poderia ter sido mais controlada psicologicamente, seja frenquentando terapias e terapias ou sendo mais um membro beato de uma igreja qualquer. Ela precisava de forças externas. Ela precisava de um apoio invisível e perfeito, ela precisava de Deus. Precisava? Se já o tinha, precisava mais. Mais? Não. Era para ser assim, como é. Exatamente.
Não que "era para ser" seja mais um desses métodos irritantes de aliviar sofrimentos, de aliviar caminhos - que parecem ter vidas próprias- que tomam seu ritmos. A gente planeja chegar em "A" e acabamos no "Z", felizes forçadamente para não entrar em psicose maniáco-depressiva.
Mas o "não era para ser" é exatamente o que carrega em sua semântica: não era para ser.
Tudo que se enovelou diante de seus chagados olhos foi resultado de sua saga, de sua função no mundo, de seu nascimento.
Hoje, por si só, ela é ainda sincera. Mas vendo-a por cima, por aqui, por ali, por longe dela que seja, vejamos sua transparência opaca. Igual aquelas janelas de casa de , de tia antiga. Vitrô, vidro enrugado, visão difusa. Ela tenta ser a transparente que sempre foi, mas o problema é que não pode, o mundo rouba-lhe sonhos e vontades. Os como vai você lhe suga, porque não são sinceros, são invejas, são invejas boas e más, inseguras ou certas. São pessoas que não têm o pulso firme e olhando-a querem a determinação dela para si.
Hoje ela não é a mais certa. Mas mantém sua postura de estrela que brilha, que nasceu para brilhar, seja na desgraça do povo lá fora, seja na mesmice do povo tão dentro de si. Seja na lama, no edifício, na ponte que se acende esporadicamente. Por onde for. Do caos à lama. Da lama ao caos.



"Da lama ao caos, do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana
Da lama ao caos, do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana"
(Nação Zumbi)