umapausa

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domingo, setembro 26, 2010

sábado, setembro 25, 2010

êi-la!

Sem muitas reclamações diárias, perpetuo-me um doce. Não que seja fingido, é leve, da alma, de mim. Cansei de me desabrochar em tédio. Mais que isso: simplesmente cansei.
É que "reclamar" é um ofício violento ao bem estar. É um vício incontrolável, maldito. Primeiro você reclama de coisas consistentes até a chegar ao ponto de reclamar por si só, por querer para si tal atitude demasiada sedutora, reclamar e só. Nesse estágio, as mais reclamações que diálogos, são frasais e repetitivas: que bosta de calor, que raiva, que saco de estresse, que chuva, que merda de vento.
É letárgico. Eu sei.
Eu quero risos a granel, prazeres, endorfinas à alma. Leveza ao coração, que já bate desassossegado, constragido pelo mundo. Quero bipartir minha boa parte, quero sim, ser um doce. Não exclusivamente e somente para eles e elas, mas para mim. Para o bem estar mental que preciso produzir enquanto me acabo nos estudos.
Expremi, até sair, todo o negrume. Toda toxidade que garante minha chatice. Minha auto chatice. Minha auto insuportabilidade.  Mas garanto, estou encardida, afinal tenho quase 22 anos um quê de intensidade na vida.
E que seja. Eu sou um doce.

quarta-feira, setembro 15, 2010

para quem deveria estar dormindo

Eu que prometi a mim mesma não ficar tardando em dormir, presa ao silêncio e frescor da madrugada de sempre. Ah, convenhamos, como sempre nossos planos convergiram em outros pontos. É que agora é Setembro, eu estou no meio do cerrado de cimento: eu preciso, eu preciso mesmo não dormir e continuar. O calor do dia me sufoca, meu organismo está sim muito fatigado. Eu teria que dormir, aguentar minha intensa labuta do outro dia com um pouco mais de dignidade na minha energia. Mas não posso, a noite insiste em deixar meu trabalho cerebral mais prazeroso, lamento.
Eu que, também, prometi que neste semestre faria academia. Além de alimentar a vaidade que não me falta, tinha o principal objetivo: a força. Precisava, preciso de mais força física, mental, racional. Todas possíveis, agora. Seguindo o conselhos do meu acupuntor, evitei a academia e seu ambiente fechado, bacteriado, virusado, sujo- ambiente propício a crise de enxaqueca; e também por uma legítima preguiça. Então, com humildade no ego, me aventurei a caminhar e correr, esporadicamente, duas ou três vezes na semana. Mas os dias que faço são tão raros que desprezíveis.
Não, planos. Vocês não me respeitam. Numa ousadia absurda vocês têm vida e decisões próprias. Traçamos, porque somos otários. Precisamos de alguma coisa para imaginar. Nem que seja  ficar "mais ou menos". Ah, eu desisto. Seguindo contra minha tendência, terei agora os planos mais artificiais possíveis, daqueles que são praticamente previsíveis de acontecer. Serei rasa. Não vou buscar futuro distante, não mais e nunca, nunca mais. O limite é traçar leve o que farei nas próximas 24 horas, com a consciência plena e conformada de que posso não conseguir. Os planos têm lá sua vida própria.

terça-feira, setembro 14, 2010

Oração dos Oxidados

Pago pelo Oxigênio que recebo
Com o Carbono que devolvo
Numa atitude involuntariamente educada.
Participando do Ciclo do Carbono,
Não sou essencial e nem única
Compartilho tal privilégio
Com todo o resto das espécies vivas da Terra

Obrigada, Raios Solares e Vapores D'água
Que são precursores da formação da
Santa Molécula de Oxigênio
Que me envidece e insiste em envelhecer
Oxidando minha epiderme, meus cabelos, minha alma

Por vingança - e contradição- dou o Carbono em excesso
Para esse tal de Ciclo harmonizado
Embebedo-o de CO2 com minha tecnomania
Carros, indústrias, senhores dos poluentes, meus capangas da vingança
Desequilibro o mesmo Ciclo, cavo minha, mais nova, própria cova
E o efeito se estufa

Seja abençoada, Oh, Mãe Natureza! Com minha reciprocidade
Na saúde que me gera
Na doença que me cobre
Que os Dióxidos e Monóxidos de Carbono
Produzidos tanto pela minha necessidade, quanto vaidade
Agradeçam e vinguem,
A vida e velhice que o São Oxigênio me causa

Amém

segunda-feira, setembro 13, 2010

francamente

Volte, volte exatamente à ala dos perdidos e desamparados. Juro, meu bem, é bem melhor do que viver sob estes montes de artifícios e risos mesquinhos de quem te quer somente pelo fato de te ter. Eu ainda valorizo as proezas perdidas, gosto de sensibilidades e revoltas à favor do sentimento alheio. Ainda gosto de olhar dentro de vários olhos, todos os possíveis, e ouví-los, somente. Gosto de dizer otimismos e realidades endurecidas, apesar de não ter aprendido a ser a sincera de todos os jeitos. Eu olho para você, puro e jogado. Mais um que escorregou em suas paixões à moda antiga - pelos preceitos tão modernos e tão confusos. Estou na ala dos bastardos, eu gosto de sujeira sendo-a verdade e coração. Moralistas, seguros e perfeitos são bons demais para mim, eu não suporto, sou um tanto frágil. Pessoas, eu sempre falo é de pessoas. Eu insisto em afirmar o que restaram dos meus princípios.
E mesmo assim, o maior deles prevaleceu. A raiz, a minha fôrma, meu cosmo transcendental: minha tara ao espontâneo, minha repulsa maligna e incontrolável pelo forçado. Eu gosto é de pessoas. Não de projeções.

domingo, setembro 12, 2010

Eu quero medicina

É que hoje tornou-se redundante acrescentar um "estressada" na minha longa lista de defeitos. Que se foda. Eu estou num campo de concetração, comendo tempo, bebendo matérias repetitidas, a mesma coisa, uma bosta. Durmo  a meia noite e acordo cinco e quarenta três, cambaleando pelo caminho até chuveiro, tonta, trêbada de sono, morta. Uma zumbi, praticamente. Depois, as mesmas pessoas naquele asilo sem espaço. Mil carteiras e um corredor de 10 milimetros para eu passar. Aquele ar condicionado, condicionando os vírus e bactérias dos presentes até meu pulmão: e eu resisto, até agora não gripei de novo. Eu tenho constantes déjà vu no cursinho. Engraçado, já ouvi aquilo uma vez. De novo.
É que tenho tempo cronometrado até para comer. E se demoro, me ferro. Entro atrasada na aula e sem escovar os dentes. Hoje, somos três. E revezamos em crises existenciais e internas. Hoje eu que estou grilada, tudo bem amiga, passa. Me paga um café. Me dá um chocolate, um abraço, pelo amor de Deus: me faça parecer que eu existo. Sim, amiga, você existe e seu cabelo está lindo hoje.
A vontade quase sexual de ficar inerte pra tudo e presente apenas para as palavras do professores. Eu quero engolir tudo que eles brotam, eu estou entendendo. Mas aí, vem aqueles pivetes e aquela menina da voz enjoada conversar. Filhos da puta, calem a boca, eu quero prestar atenção na aula, Sou demente e ao contrário de vocês, preciso disso. Mas eu não falo, só penso. E vou me remoendo, ficando com raiva, orelha vermelha, coração disparado, AH! Vou, infantilmente, ser x9. Dedar todos para o direitor. Que me odeiem, mas eu preciso ouvir, pela última vez, todas aquelas palavras repetidas.
Aí, depois de umas 12 horas internada naquele lugar, volto pra casa. Vejo a melhor coisa do dia: minha cachorra, chorando, gritando, falando: mamãe, que saudade!. Amasso ela e algumas vezes, levo-a para passear.  Depois como, estudo e cochilo, porque dia de dormir é dia de sábado à noite, lá pelas quatro ou cinco horas da madrugada. Alguns dias vou pro horto caminhar e conversar com uma amiga. E ela é tão linda que sempre lembra das minhas hitórias mais antigas e pergunta sobre mim. Ela ri de minhas neuras e manda eu estudar mais, ela é simplesmente linda. Algumas outras vezes sou espetada por agulhinhas que me dão choque: eis a cura da enxaqueca, que é mais uma ausente na minha vida.
Minha vida se resume em me internar lá, eu quero. Eu escolhi. Se é bom, olha, seu débil, é muito óbvio que não é bom. Nem todas as escolhas são precisamente boas. Estou no deserto, no meu deserto, no meu sofrimento. Se eu estou estressada, faz o seguinte, vaza. Você optou por ser otário e me convencer e ser mais feliz, eu não quero ouvir as merdas dos seus conselhos porque a felicidade é subjetiva e você é uma pessoa cheia de preconceitos sobre mim. Eu sou feliz, sua anta. Quem tá aqui, do meu lado, do meu, realmente, lado, sabe disso.
Atualmente fiz sob minha atmosfera de relações inter pessoais, uma peneira. Muito seletiva, muito. Não há um critério para escolha de quem passa, mas geralmente, na minha vida, habita as pessoas mais simples em seu conteúdo anímico. São elas, geralmente felizes, que não me dizem como ser feliz. São elas, geralmente calmas, que não me dizem: Luna, você tá muito nervosa, muito estressada.
O resto?
Deveriam ser reciclados  e os mais podres, compostados.
Eu só estou no deserto pré-sonho. Só, porra.