umapausa

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domingo, setembro 12, 2010

Eu quero medicina

É que hoje tornou-se redundante acrescentar um "estressada" na minha longa lista de defeitos. Que se foda. Eu estou num campo de concetração, comendo tempo, bebendo matérias repetitidas, a mesma coisa, uma bosta. Durmo  a meia noite e acordo cinco e quarenta três, cambaleando pelo caminho até chuveiro, tonta, trêbada de sono, morta. Uma zumbi, praticamente. Depois, as mesmas pessoas naquele asilo sem espaço. Mil carteiras e um corredor de 10 milimetros para eu passar. Aquele ar condicionado, condicionando os vírus e bactérias dos presentes até meu pulmão: e eu resisto, até agora não gripei de novo. Eu tenho constantes déjà vu no cursinho. Engraçado, já ouvi aquilo uma vez. De novo.
É que tenho tempo cronometrado até para comer. E se demoro, me ferro. Entro atrasada na aula e sem escovar os dentes. Hoje, somos três. E revezamos em crises existenciais e internas. Hoje eu que estou grilada, tudo bem amiga, passa. Me paga um café. Me dá um chocolate, um abraço, pelo amor de Deus: me faça parecer que eu existo. Sim, amiga, você existe e seu cabelo está lindo hoje.
A vontade quase sexual de ficar inerte pra tudo e presente apenas para as palavras do professores. Eu quero engolir tudo que eles brotam, eu estou entendendo. Mas aí, vem aqueles pivetes e aquela menina da voz enjoada conversar. Filhos da puta, calem a boca, eu quero prestar atenção na aula, Sou demente e ao contrário de vocês, preciso disso. Mas eu não falo, só penso. E vou me remoendo, ficando com raiva, orelha vermelha, coração disparado, AH! Vou, infantilmente, ser x9. Dedar todos para o direitor. Que me odeiem, mas eu preciso ouvir, pela última vez, todas aquelas palavras repetidas.
Aí, depois de umas 12 horas internada naquele lugar, volto pra casa. Vejo a melhor coisa do dia: minha cachorra, chorando, gritando, falando: mamãe, que saudade!. Amasso ela e algumas vezes, levo-a para passear.  Depois como, estudo e cochilo, porque dia de dormir é dia de sábado à noite, lá pelas quatro ou cinco horas da madrugada. Alguns dias vou pro horto caminhar e conversar com uma amiga. E ela é tão linda que sempre lembra das minhas hitórias mais antigas e pergunta sobre mim. Ela ri de minhas neuras e manda eu estudar mais, ela é simplesmente linda. Algumas outras vezes sou espetada por agulhinhas que me dão choque: eis a cura da enxaqueca, que é mais uma ausente na minha vida.
Minha vida se resume em me internar lá, eu quero. Eu escolhi. Se é bom, olha, seu débil, é muito óbvio que não é bom. Nem todas as escolhas são precisamente boas. Estou no deserto, no meu deserto, no meu sofrimento. Se eu estou estressada, faz o seguinte, vaza. Você optou por ser otário e me convencer e ser mais feliz, eu não quero ouvir as merdas dos seus conselhos porque a felicidade é subjetiva e você é uma pessoa cheia de preconceitos sobre mim. Eu sou feliz, sua anta. Quem tá aqui, do meu lado, do meu, realmente, lado, sabe disso.
Atualmente fiz sob minha atmosfera de relações inter pessoais, uma peneira. Muito seletiva, muito. Não há um critério para escolha de quem passa, mas geralmente, na minha vida, habita as pessoas mais simples em seu conteúdo anímico. São elas, geralmente felizes, que não me dizem como ser feliz. São elas, geralmente calmas, que não me dizem: Luna, você tá muito nervosa, muito estressada.
O resto?
Deveriam ser reciclados  e os mais podres, compostados.
Eu só estou no deserto pré-sonho. Só, porra.

2 comentários:

Jéssica Cristina disse...

so nao tenho um cacahorro pra passear.

muito bom texto. Identificaçao!
(:

LunaJeannie disse...

hehe, É NOIS, jéssica.