umapausa

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terça-feira, outubro 26, 2010

TDAH

*ao Luca Gontijo


Oi!
Não.
ao meu rasgo e avesso, te subestimo. Não ao tanto que me faço, mas que sou.
Tarefas intermináveis, vinte páginas que faltam para o treze únicos livros da minha vida. Não concluo meus sonhos porque os sobreponho com outros, não escuto ninguém, porque  são trezentas e oitenta e cinco imagens cerebrais por segundo. Quero cadeiras enfileiradas, chão limpado com álcool e água quente.
Desliga essa tevê barulhenta, não sou cativo dessa tela eletrônica de saltos quânticos. E nem músicas me seduzem, eu tenho o mundo, o meu mundo, para conquistar.
Hoje meu sorriso rompe os limites da minha irritação, mas se eu fechar o semblante, meu bem, não cobre motivos, eu sou assim.
Eu não traço uma reta, sou várias diagonais desses infinitos pontos que me fecham. Eu não sou definido, eu sou qualquer coisa que se tenha orgulho ou aversão. Eu quase sempre estou do lado de fora do mundo. E o mundo nem me é tão necessário.
Todos os dias, ritalina. Ritalina me polariza.
A minha fome é uma mera sensação fisiológica. Memória fotográfica - perca instantânea da mesma, senso crítico, exposição eufórica de ideias. Eu busco o complicado, porque sem desafios me definho em tédio.
Os meu sonhos são exigentes e eu sempre consigo, nós -assim- somos extremamente determinados. Nem que seja sangue o preço da vitória, pago assim mesmo. Eu também não tenho lá muito medo.
Os efeitos colaterais não importam, me aceitar e me incluir no mundo dos aceitáveis, dos novos aceitáveis, sim. Porque somos instintivamente unidos.
Não me entupa de defeitos e não me proponha mudanças absurdas. Por que você faz assim, por que você não me escuta e por que você não muda são frases reduzidas a total indiferença.Também sou definido por uma molécula de Ácido Desoxirribonucleico, meu bem, mas seres humanos não é só DNA. Mais que composisão, falo de disposição. Aqui há cérebro, peito, sangue e confusão.
Detestável aos fracos de espíritos, amável aos que interessam.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Eu ainda vou xingá-lo de novo, bater o telefone na sua cara, falar de seus defeitos, implicar com suas manias e exigir mais carinho. E, juro, farei com todo amor do mundo.

  


terça-feira, outubro 05, 2010

sigo palavras e busco estrelas*

entre pulos, cortes e pedaços das misturas de meu tempo. Eu estou, justo, no encontro de todas as ramificações, hoje dia cinco de Outubro sou o passado, presente, eu sou futuro. Eu sou seus risos e abraços, suas promessas malditas, você foi e foi de novo. Eu sou a revolta do porquê que foi assim. E por que mesmo que foi? Categorias nostálgicas se organizam em minhas veias, quentes, fervendo, quero a saudade morta, mas na verdade, quem morreu foi você. E eu não fui ao seu enterro.
Ah, se me dessem. Eu cavaria sua cova, abraçaria-o do mesmo jeito. E você, mesmo póstumo, seria ainda aquela estrela que fiz brilhar.
E isso é : você sumiu e me deixou aqui, seguindo estrelas, outras estrelas. Vãs. Sua insubstitualidade ainda me comove. Eu fraca, latejo veneno, rogo-lhe pragas e espero que você sofra. E que seja muito, muito feliz. Você, ah você, sumiu.
O tempo não curou-me a ferida, convenhamos meu bem, o tempo não é nada. Estou na bifurcação do tempo! O tempo é um fingido. E pesa em cima de mim. Não, eu não tenho o poder que você insistia em afirmar.
Ouvir sua música favorita, lembrar. Buscar explicações e cair no vazio da irrealidade. É um absurdo, eu já amadureci meus ramos e não choramingo por pouca bobagem. Mas é que, entenda, foi hoje. Cinco de out... e acabou. A vida segue, meu bem. E eu não fui aos seus enterros.