umapausa

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quarta-feira, dezembro 29, 2010

admiro-o

me rasga, mexendo, moendo, apertando, assusta, reprime, indica. Muda. Perto de você, nauseio de mim.

domingo, dezembro 26, 2010

desde maio 2006

cavei várias covas num capricho absoluto. Matei-me diversas vezes até dispersar de mim tudo que fui. Meu futuro me incomoda, eu não cumpri com a promessa de ser dona do que se segue. E aqui, corroída, olho repentinamente para isto. Eu não passo de um isto.
acordei! descendo ladeira abaixo para um inferno mais profundo. Finalmente, pude me ver num estado repugnante. Agora já era destino, eu já sei. Não quem eu sou, mas quem pretendo ser.
é preciso fogo para moldar-me, irredutível, teimosa, preciso do fogo que queima e espatifa. Enquanto ando no meio termo, colo pedaços mal feitos de um alguém. Isto.
Meus sorrisos que estampam só poderia ser sinceros. Mas não vem de uma alma aceita, vem de um corpo cansado e determinado a seguir. Insatisfeito, mas sincero.
Ainda assim volto ao passado e pergunto àquela: quem? Avanço até aqui e indago: quem? Essa mania de se definir é irritante e imprecisa. Eu não sei quem sou e isso já me torna digna de errar.
Me desconheço, me forjo aos poucos. Tantos poucos que hoje há excesso nas opções de ser. Não valho muito, sou humana inconsciente, dosada à fervor e emoção. Nunca fui, sempre quis ser e neste percurso existo.
Meus anos passados foram marcados a bytes e afins. Cá está todo o caminho de uma alma incansável e por demais ousada. Ousei em querer maior que sou. Agora me cresço para conseguir.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

É dezembro

É dezembro, luzes irritantemente radiantes brilham na minha avenida. E eu nada posso contemplar, estou presa no tempo e sou da cor cinza, tanto faz.
Pago pelo preço impagável, busquei exatamente aquilo que não me era bem-vindo. "Tome cuidado com seus sonhos" me diziam, mas eu achava prazeroso por demais e não iria, nem sob tortura, parar de sonhar.
Hoje resta de mim pedaços, talvez. Sou sangue vivo e cinza pálido. Ferida e ainda naquele estado escrupuloso de latência. Reservando minha vida para mais tarde e é exatamente esse mais tarde que nunca chega. Por mérito.
Eu mereço cada lágrima derramada. Eu mereço cada grito enfraquecido. Eu mereço cada passo negativo, que é fracasso, mas é parte de uma suposta vitória.
Cada não que decorei. Cada obra maldita que contemplei. Cada dor no ego. Cada fratura da alma, exposta.
Ai de mim, que não tomou juízo. Que quer a regalia sem ao menos ter mérito.
Outra vez me ponho frente aqui, neste sepulcro mórbido de mais uma esperança. Estou flagelada, estou feia.
Ao menos, finalmente, descobri meus erros e mais que isso: assumi a culpa.
Eu sou apaixonada por cada milímetro de dor, masoquista ou não, eu gosto. Desafiei a vida, ela não foi obra do destino, não deixei ninguém traçar meu futuro. Eu quis tudo, tudo, tudo isso. Embora não soubesse dos detalhes, eu sabia que nada seria fácil, ainda mais para uma desmedida e por demais intensa como eu.
Preciso me expremer mais um pouco. E farei até acabar tudo de mim.
Eu sou apaixonada por cada milímetro da minha vida. Essa merda, ao menos, fui eu, a dona, quem fiz.
Daqui a pouco sigo em frente, não outra vez, mas de uma vez, talvez.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

0102

O ano foi invertido.
E por querer ser forte demais, tornou-se aço. Riscado, mas inoxidável.
Não chorava suas dores, ouvia músicas. Não queria desistir, dormia para sonhar. Não falava com ninguém, lia mais, pensava menos.
As confusões mentais estão debaixo do tapete. Numa ousadia vísivel ela ignorou o mundo e pôde então finalmente lutar. Livre e inacreditavelmente feliz.