umapausa

umapausa

quarta-feira, dezembro 21, 2011

alguma coisa desliza, sim desliza. Pensei que era meu desapego a uma vida que tive um dia, mas não. Não é tão assim, claro.
queimei minha vida de novo, joguei todas as cinzas fora e ficou esse cheiro. pensei que fosse isso. mas não, não é. alguma coisa desliza dentro. fora! em mim, na vida. o mundo ou eu? não sei. muda. eu não me comporto como previsto. eu não penso como antes.
alguma coisa muito forte desliza aqui. pode escorregar e cair pra sempre mais um eu envelhecido. mais um desses eu que vão e não volta.

domingo, outubro 16, 2011

da Samira-Luna

mancha




para declarar suas cheganças
idas e vindas me refaço,
espero e desespero
o terror invade o caminho
tenho medo de não voltar, de não ir

então fico me dissolvendo
entre o nada e o vazio
nem o tempo me acorda
morro várias vezes dentro de mim

todo silêncio me domina,
a gritaria lá fora arde os olhos
dói o ventre
sufoca a alma
mata a calma: me perco de mim



 *porque é lindo ter alguém pra morrer junto comigo todos os dias.

quarta-feira, outubro 12, 2011


apenas abstraio as nuances e seduzo pela firmeza, não porque sei. Do que sei, me resta apenas cinzas de um pó que eu, ainda, não inalei. Não tenho mais saco para este teto nem este cheiro. Não quero saber dos seus vômitos, vá cassar um terapeuta. Se sou ouvidos pra dor, quero ser ouvidos pra tudo. Eis minha condição. Ou se dá inteiro pra mim, ou rasgo você até despedaçá-lo do meu coração. Não me ligue para absurdos, me ligue para tudo. Não me venha contar novidade, por favor, venha também reclamar do tédio. Se dê por inteiro, ou saia dessa vida, que é dragão, não mais poesia. Eu cuspo fogo e sou feia.
que é que cansei de bonitez de uma coisa que não me é. Não me tem. Não sou a sábia. Sou a nada. Me ame, sendo nada. Nade em mim, não quero seus só seus pés, debatendo feito trouxa. Não gosto de pedaços incompletos. Me irrito com a falta de entrega. Cansei deste teto, deste cheiro. 
e quando eu sair daqui, eu vou chorar: quero meu teto de volta. quero aquele cheiro!

quinta-feira, setembro 29, 2011

pobre ironiluna

isso de se sentir casulo é mesmo uma boa desculpa de não sair borboleta. Porque se eu tivesse tempo, faria mais. Porque se eu tivesse lá, naquele lugar, seria melhor. Porque se eu conseguisse, seria tanto.
aqui, ao pó e coragem, posso ser tudo de ruim, porque sou casulo. Porque tenho motivos de não florescer. Posso até ser amarga. Ser maldita. Intolerante.
Posso também odiar, porque não é culpa minha ter bastante pranto assim. Posso escolher pessoas, selecionar as estações das quais quero viver. Posso ser monstro, fera, posso, enfim, ser o mais podre de mim. E isso é uma delícia.
cuspo meu fogo a esmo, sou dragão inconsequente. Culpo você dessa tripa tão delgada que é meu coração. Culpo a falta de tempo que adora me comer. Sou vítima, fui fabricada pela modernidade e por meu sonho, é óbvio. Sou coitadinha. Mato coisas e pessoas, cuspo meu fogo e queimo até famílias. Mas coitada de mim, estou sofrendo. Sou um mero produto de um pranto sem fim, um fruto do determinismo exacerbado. Rousseau me entenderia, mesmo eu engolindo ele vivo. Se não borboleta, é tudo. Menos coisa que reluz.

abomino.

segunda-feira, setembro 12, 2011

pedido de casamento



-- (se entorta do alto patamar até cair de onde veio: o submundo.) Não sou adaptável ao mundo. Sonho porque não há mais nada aqui pra se tirar proveito. Já cansei de trajar projetos dos quais soco lá, minha vida. Minha vida é tudo isso. Sou esse nada que nem enxergo. As pessoas se amam e se mentem. Por que? não existe mais possibilidades de verdades? E existe essa porra de lealdade mesmo? Porque me enganaram. Me disseram que era pra honrar o amor e quem amo, cada um. Mas eu faço mesmo isso, acreditei na história de pura mitificação. Era conversa pra se jogar fora e eu guardei.  Meu Deus, por que?! Por que eu tenho que ser tão diferente? Botar absurdo em coisas tão rotineiras. Eu acreditei mesmo no amor.. (chora) por que?
Sabe que eu descobri, que Deus erra. Eu amo muito Deus, mesmo ele errando, mas ele erra. Ele errou em me parir nesse mundo. Ele errou porque não deveria ter me feito tão verdadeira. Tão real. Ah.. quer saber? Eu odeio tudo isso aqui. Eu odeio viver isso. Eu não gosto desse mundo. E juro... (chorando). Juro que se eu morrer é lucro. Pra mim vai ser só alívio!
-- não fala assim, por favor. não chora que vai borrar sua maquiagem! Você tá tão linda.
-- eu amo de verdade e dói muito viver. Eu não dou conta disso aqui!  (chorando muito)
-- espera mais dois anos que eu vou cuidar de você. Dois anos, amor! Por favor, confia em mim. Eu nunca vou deixar você. Nunca.


quarta-feira, setembro 07, 2011

































o vazio é fonte da angústia que causa mudança que traz algo novo que limpa o sujo que aumenta o vazio que esta por ser completo.















terça-feira, agosto 30, 2011

Ode a você

Rogo a ti o vazio
Que tuas noites se encham de fantasmas
Que teu passado te roube deste tempo
Que teu rosto se estravase derretido
pelas lágrimas que mereces teus olhos
Que a saudade te sufoques perdido
Que grites sem voz espasmos
Que teu peito se incha de nada
para que tu enlouqueças com os espaços vazios
Que tua casa não haja barulho
Que teu quarto seja apenas penumbra
Que teus vizinhos todos viajem
e te deixes amargo no tédio
Que assim tu penses em meu nome
E te lembres das chagas que me causaste
E te agonizes arrependido
Delirando os perdões que mereço

segunda-feira, agosto 22, 2011

ateando palavras, cuspindo nossas vidas, sucumbindo as catarses que faziam nosso instante. Dos "também" que criam vínculos, é que desde sempre coincidência une forte duas vidas. Fujo, feito besta, das grandes amizades, dos grandes amores e grandes vidas. Nem é preguiça, nem medo. É sensação de que invado outras almas, outras pessoas já consagradas, seres tão quietos em seu estado individual. Eu sempre venho me quebrando,  moldando e sendo moldada, me enfiando na sua vida, empurrando você na minha. Vou aprendendo, aprendendo. Aprendendo até que com quem não ensina, faço meu próprio sincretismo, pego de você um pouco de mim. Mas vai tudo ruindo, as pessoas têm prazo de vencimento. A gente se curte por um tempo, até eu descobrir que não há mais tempo. É que o tempo destrói tudo. Ou com o tempo tudo se destrói.


"Não sou boa companhia, não gosto de conversar. Não quero trocar ideias- nem alma" 
                                                                                                         (Bukowski)

domingo, agosto 21, 2011

do desprezo

o mais pútrido de lidar com esta lástima é a desnecessária lacrimação de minha face, atrapalhando a compostura de boa moça que resolvi atuar. Clamo, então, à frieza o ofício de me possuir, por inteira. É que pra ser boa moça é preciso ser dura, ser fria, não ter coraçãozinho palpitante demais, pra ter gentileza e perninhas cruzadas.
Tudo culpa sua, que me dá o trabalho de completar estas linhas sangrentas. Sujas de lágrimas e pedaços largados de mim. Não faz mal. Sou ótima atriz e talvez eu nem esteja atuando, boa moça me torno quando apenas choro por momentos tenebrosos,  ainda que eu lhe fale algumas coisas que arde em veneno, a ardência é menos do que seria se eu não fosse tão boa moça. E acredite, cada vez menos sinto vontade de desafiar seu fedor.
Após os choros e falácias, conserto o lacinho dos cachos que ocupam meu cabelo e volto a sorrir.
Aqui, linda e comportada, destilo seu pedaço, que me dá de esmola, ao meu veneno. Depois refolgo a alho e óleo e como até lambuzar a alma. Acabo com a vontade de ser a justiceira ou até rebelde. Simplesmente engulo este goste acre que é você. E desprezo. E esqueço.

quinta-feira, agosto 18, 2011

também quero prostar

Nem venha, alegria. Os muito felizes são bestas. Porque até pra isso tem de haver mensura. Me cego, tapo os ouvidos e me entupo na corriqueira audácia de prazer e prazer e risos enfim. Quem é muito alegre não se mede, nem se vê. É preciso tristeza para se cavar um pouco.
A euforia aperta uma glândula que me enxarca de esquecimento, porque é nas distrações que se perde o foco. Mas é assim mesmo, pregam no mundo: " Só Felicidade". Chorar é errado e ficar triste, uma blasfêmia.
De que são feitos esses seres que só riem e curtem a vida?
Ah, prazer. Nem sempre te quero tanto. São minhas lágrimas que me trazem a mim, que me fazem pensar, onde errei, o quê errei, quem errei. Não é ingratidão, é reconhecimento. Boa vida demais me atrapalha, me estabiliza. Fico onde estou, mas quero crescer. Vinde a mim a doce melancolia, daquelas que me deixam cabisbaixa e bonitinha, daquelas que me fazem esquecer os desejos e, triste, pulsante, continuar.

quinta-feira, agosto 11, 2011

d'angústia

me sacrificando de mim, do amor e piedade. Cansei-me, silêncio, boa moça e sorrisinho. Selvagem saudade que rasga meus ossos, deixando-me ao pó. Sou toda frieza, nada me toca. Você crepitou, crepitou, crepitou e eu cessei de mim a boa vontade. Agora te deixo um áspero da miséria que pra mim é fartura, perto do que merecia seus escarros. Mas é assim, nosso segredo. Enquanto pensa que sou veneno, quebro-me de tristeza da saudade que tenho dos ois de todo santo dia. Dos alôs, a você. Dos domingos. Agora todos os dias são segunda-feira. Porque é o que há de mais longe de domingo.

segunda-feira, agosto 08, 2011

m.(pouco) josé

Porque nem calculo o tempo que perdi escrevendo pra você, por você, de você.
Nem calculo as lágrimas que derramei pra você, por você, de você.
Você é o pior dos meus amores ou você é o que eu mais amo.
O que mais maldigo, o que mais desprezo. O que mais odeio! E sinto saudades.
O que mais quero ver feliz e infeliz, rindo e chorando, falando e calado, cabisbaixo, depressivo. Completo!
Quero você refletindo da vida, olhando pro horizonte: os dois numa mesa e você me oferecendo suco de laranja sem gelo, falando " isso aqui é melhor que cerveja".
O nosso açaí. O nosso sorvete. As bostas das suas músicas tocando na bosta do seu carro.
Quero a contração do espaço, a devolução do tempo. Os abraços não dados, aninhados, os mais puros. Os olhos vermelhos quando se diz do passado. Quero histórias verídicas, malditas ou mentiras bem feitas.
Quero sua confusão, sua surpresa, seu delírio.
Do josé que arrebata uma inha, a dobra em bebê e faz chorar, como nenhum homem faz.
Do melhor josé que conheço, do pior josé que não tive.

sexta-feira, agosto 05, 2011





" a gente nunca pode apreciar, direito, mesmo, as coisas bonitas ou boas, que aconteciam. Às vezes, porque sobrevinha depressa e inesperadamente, a gente nem estando arrumado. Ou esperadas, e então não tinham gosto de tão boas, era só um arremedado grosseiro. Ou porque as outras coisas, as ruins, prosseguiam também, de lado e do outro, não deixando limpo o lugar. Ou porque faltam ainda outras coisas, acontecidas em diferentes ocasiões, mas que careciam de formar junto com aquelas, para o completo. Ou porque, mesmo enquanto estavam acontecendo, a gente sabia que elas já estavam caminhando, para se acabar, roídas, pelas horas, desmanchadas..."



(João Guimarães Rosa - Os Cismos)

quinta-feira, julho 28, 2011

meu respeito se dilui diante de sua ostentação, despedaçando o trófeu que lhe fiz em segredo, posto no meu peito, na ala dos queridos. Você me era rei, no tempo que era um nada. Agora, rei, é pra mim um nada. Não que eu seja do contra, ou invejo seu reinado, mas é que lhe falta a nobreza de espírito de outrora. A compreensão habilidosa que construía vida em torno de si.

o mais importante é que o negrume do meu peito se diluiu com estes apertos de amor. Fui rente à Deus, cara a cara, mãos desatadas e um abraço de mais um filho pródigo. E sempre pródiga.
o mais importante é que comecei o degelo desse coração perdido. Estou aos poucos em braços floridos, cheiro de lavanda e louvor. Louvor de novo.
quero-o como esfomeado quer comida, em desespero. Mais pela saudade, que pela realidade.

segunda-feira, julho 25, 2011

mais um daqueles desertos secos

não gosto deste tempo. Odeio final de julho, agosto, setembro. Odeio secas. Odeio ter de passar óleo pós-banho todo santo dia, hidratante a cada hora e ainda por cima sentir minha pele arder, ressecada. Odeio cabelo esfarelado. Odeio meus pés trincando.
E tanto tempo, já, vivendo, até hoje você não entendeu que odeio coisa seca. Que minha umidade e quentura, repele a frieza seca que sai de seus poros, tão repetitiva e sem tempero.
Enquanto você escarna passivo sua vida, eu já me embalo nas aventuras de quem tem sangue a mais no corpo. Estou além dessas poeiras secas, que encostam na minha pele absorvendo água, espírito e vida. Já vi tanta coisa, que juro, fui feliz demais. Daquela felicidade que transborda nos outros. Também juro, fui a mais infeliz. Daquela infelicidade que lacrimeja os olhos de até inimigos.
Embora, eu confesse meu temperamento saudosista, eu sei sim viver o agora. E presente pra mim é um presente embrulhado, que desembrulhado vira mais um dos passados que guardo.
Queria mais vigor, umidade, loucura. Nunca fui pronta pra este tempo seco.

sábado, julho 09, 2011

baguncei, ah.. baguncei tudo. Fui desorganizando a penteadeira, misturei os sapatos, embolei até as roupas e gradativamente, dia após dia, realizei o meu objetivo: o meu quarto revirado. Daquelas bagunças de dá gosto.
E enfim, pude reorganizar. Me trancar nele, ouvir Raul Seixas. Dobrando roupa por roupa e jogando metade dos papéis fora. Como se isso desse algum sentindo. Como se eu organizasse também meu coração.



" mas que o mel é doce, é coisa de que me nego afirmar, mas que parece doce, eu afirmo plenamente (...). Deus é o que me falta para compreender o que eu não compreendo"
                                                                                                                   [Raul Seixas]

quinta-feira, julho 07, 2011

m. maria (vii)

eis que ela e seu perfume invade um cômodo. Não tava mais a velha ressentida,  agora de salto alto e um batom rosa, voltou a ser bela. Mas seus olhos pesavam o vermelho de quem havia chorado. Eu, eu maligna, a fiz chorar. Nessas conversas de relacionamentos, sempre sangra um peso do que foi dito.
Passou-se segundos, o abraço reconcilioso continuou por um tempo.
A sangria foi breve e o ar nem está mais denso. O veneno foi diluído nesses sopros de amor. De amor é que se precisa para se ter uma maria, uma sua maria.

já posso ouvir seu riso da sala. Agora é ela quem come a tv. Fico aqui.  Fico aqui pra sempre.

m.maria (vi)

opa, deixei cair o pudor. Quebrou em cacos, aí, bem espalhados. Catando um por um e chorando, eu amava a ideia de ser pudente e madura. Mas é que..  a emoção é mesmo traiçoeira  e faz as palavras contidas parirem sem controle. Acho que magoei-a, feri de novo seu bloco forte de pedra que mantinha seu coração guardado. Eu sempre tive o dom de quebrar blocos assim, dom ou maldição, o que for. E agora degustamos daquele silêncio reflexivo.... cada um em seu mundinho.

quarta-feira, julho 06, 2011

m.maria (v)

arde sutilmente um quê de compreensão num coração enferrujado. Já nem é raiva, agora é compaixão. Já não é peso atmosférico, é uma necessidade de ter ajuda de alguém que não sei quem. E quem?
Abandonou o surrado terço, bem na pia do banheiro. Agora lê atenciosa a bula do anti-depressivo.

Embora continue com aquela saia de velha, pós joelho, e que não lhe acentue as suas belas curvas.
Embora insista em prender da forma mais idosa seu lindo cabelo liso.

m.maria (iv)

hoje, amanheceu sem paciência, goela a baixo, duma vez. O ataque epilético raivoso da alma foi nefasto, o que chamariam de mal humor. E a raiva, o não aguento mais isso, a vontade de sair daqui de novo se transformou em minutos preciosos de máxima concentração para o estudo.

É que a gente tem que aproveitar até da desgraçada bons frutos.

m. maria (iii)

Foi à pé a Trindade. Sal grosso pela casa, chá de alecrim, uns cravinhos da índia e talvez uns 18 ave-maria por dia.  Ela quer o bem estar enlatado, a alegria em fast food, passar a tinta por cima da madeira podre. "Tudo, tudo, menos enfrentar meus problemas. Tudo menos ir a fundo no meu íntimo, trazendo à tona meus demônios contidos." Sim. Ela deve pensar assim. Ela é toda fuga.

m. maria (ii)

nem mais ternura,  nem carinho e nem se quer consideração. O respeito é uma mera formalidade à mercê do bom humor. O nome disso é: decadência.

m.maria (i)

ela morre dentro de si, naquela tv velha que a come o dia inteiro. Enquanto eu tento carregar o céu sob meus ombros cansados. Porque o ar pesa veneno. Porque o ar está denso, sujo e infeliz.

saio daqui.

terça-feira, maio 24, 2011

ai de mim

é tomar conta de mim, enquanto ainda exalo flor. É que sua secura, por vezes, me resseca. Assim, nitidamente, deixando minha mania de pôr amor em tudo um verdadeiro erro, uma mania obsessiva digna de asco.
Asco deveria eu ter de você, que me causa isso. Uma desumanização que todos normalizam pelo mundo a fora. Na última moda: o desapego. Sim, porque se apegar doí. E quem se apega, se abre pouco a pouco até suas vísceras e seus segredos te deixar escancarado, sem defesa. Puramente como é. No ápice da sinceridade.
Mas não é isso perigo do apego. E sim a necessidade de ser recíproco. Me abro, então se abra.
Sou mais do que assim. Dou tudo que tenho dessa coisa que chamam de alma. Vou fundo nessas merdas de relações humanas, que geralmente se limitam em superfícies. E clamo por reciprocidade. Clamo como quem é mimado, bate o pé, faz bico, chora alto quando quer uma coisa.
"Ante o desapego que a frustração", pregam.  Eu prefiro a frustração que o desapego. E me submeto a ter toda a força possível para me frustrar infinitas vezes. Tudo, tudo menos a secura de alma. Que vendo assim, a sua de perto, me aterroriza. Pergunto-me, às vezes, se está mesmo vivo ou se é apenas uma carcaça ambulante.

domingo, maio 22, 2011

de quem conta até os segundos para 'o' dia

torcendo deste desejo um triz que me mantenha aqui, forte. Porque estar viva não é uma obrigação sem culpados e sim um desejo vivente de quem sabe viver. Já que estou aqui, vou fazer bem feito. Com que valha a pena. Com que tal desgraça seja uma marca afoita desse mundo coitado.
Estou com medo, claro. Da obviedade de poder não conseguir. Da possibilidade de ser um fracasso no meu sonho. No que tracei como trajeto de vida.
Rezem por mim. Façam promessas, novenas e enfeitem a rua para eu passar quando findar minha alegria.
Lambuzo os beiços com a fartura dessa leveza, porque de fato estou entorpecida. Mais um tempinho de glória e virão meus dias decisivos: as provas medonhas. Pós isso duas opções: ou vou morrer de alegria, ou vou sim morrer de tristeza.
Se não o Venlaxin, estaria só fiapos. Deus-me-acuda, quero passar.
preciso abandonar umapausaparaogrito e abrir um novo blog. Isso é mais uma das promessas do "se eu conseguir".

terça-feira, abril 26, 2011

terça-feira, abril 05, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

post necessário

não vou mais fugir, por isso retomo palavras. É pela força que sou, que arrancado do infinito, estas palavras. Forjo uma epifania e atuo uma mudança. Eu mereço uma bela de uma bronca.
Que fique de fora os excessos. Eu estou levando a sério minha nova penitência.
Não vou deixar escorregar minha vida, para depois na agonia, sentí-la de novo. Eu sou tão patética que gosto, sim eu gosto de viver sob pressão e agonia. Gosto dos desafios mais impossíveis, gosto de pular os mais altos obstáculos. E é por isso que eu estou até hoje aqui, porque brinquei demais de pôr a prova minha própria força.
Não vou pensar no futuro, que seja eu beata, besta, boboca, mas creio em Deus Pai Todo Poderoso e o futuro a Ele pertence.
Não vou mais fugir, Alma. Cá estamos, resolvendo nossos pepinos.
E que seja cumprida minha promessa, vou ser toda desencanto, feitura e nerdisse. "Mas você vai passar, querida. Você tem tudo pra isso", palavras do Permínio. Graças a Deus.






domingo, março 20, 2011

post desnecessário

e eu quero fugir, por isso talho palavras passadas. É por fraquezas como essas que vou atrás dos devaneios, quero a futilidade e procuro o mais raso das relações. Acabo culpando o tempo e sua mania de moer tudo que vem, os atritos que arrancaram pedaços, me tornando mais vazia, menos profunda.
Temo sofrer em tempos assim, que preciso muito de mim. Vou na insensatez do álcool e não como uma fingida, mas sendo sincera na arte de esquecer, me sintetizo na alegria que deveria me definir. Sou gargalhada e motivos de gargalhadas. Numa ação constante de venerar o bom humor, vou por aí, me rindo toda. E colocando nisso o verbo viver.
Não vedo meus olhos, eu enxergo. E como enxergo. Mas eu só quero fugir desses pensamentos sobre um futuro que pode ou não existir. Tudo tão volátil, me desapego. E se me apego, já ardo em saudade, porque a fluidez das coisas é um fato.
Tantas bifurcações têm meu caminho, no quesito talvez. Talvez eu mude de cidade, talvez eu faça medicina, talvez eu  mude de curso, talvez nada. Nada. E é exatamente aí minha angústia. Já carrego a culpa de desfazer minha vida, colocando mil possibilidades de mudança, dando adeus a isso aqui que fiz ser luna.
E além do mais... não.
Não, não vou pensar. Vou fugir, depois, Alma, resolvo nossos problemas. Insólitos e desnecessários.

"São pensamentos tortos, feios, pecaminosíssimos, cruéis, e o pior: eles aparecem sem eu lhes dar licença; aparecem espontâneos, inopinados." 
(Fábio Campos Coelho)

terça-feira, março 08, 2011

carnis valles

e também não posso engolir umas alegrias.
Do copo que despedacei na sua cara,
do peso de sua alma em meu corpo.
E das nossas risadas, no mesmo dia.
depois de gritos roucos, abraços robustos.
perdões interrompidos por beijos,
desculpas salpicadas em sussurros

Da minha vida macabra.
Da minha felicidade tão nítida.
Eu não sou capaz de conter tanta alegria.
Preciso lhe vomitar a euforia,
aqui, meu amor, minha, nossa, sua vida.



domingo, fevereiro 27, 2011

ressentida

É que sou mesmo uma exagerada, tanto para amar, como para desprezar. Porque o ódio não entra num corpo que extravasa, em pus, amor. Amor que mesmo ressentido, magoado, agonizando em porquês de mágoas, é amor.
Sinto muito em afirmar-me, mas não posso esquecer do dia fétido. E ponho um nunca no quesito ser o que era antes, melhor: ponho um nunca mais entre nós. Não por escolha venenosa de uma amargurada, aliás, posso até possuir amargura, mas não sei usar tal veneno. Me satisfaço com o desprezo e faço disso um ante-ódio. É que não posso dar-lhe a confiança que despedaçou outrora, fazendo dos meus segredos, medos, dos meu lamentos partilhados, sonhos descritos e objetivos declamados, alvo de sua insensatez, de sua morbidez sentimental.
Não há nada pior que tocar na ferida de quem está quieto. Pior é que além de abrir tal ferida com garras impiedosas, fez outras maiores. 

terça-feira, fevereiro 22, 2011

antes, social

Entre a fraqueza sentimentalesca e o excesso de determinação, que me causa frieza. Meus passos trôpegos, porém inarrependíveis, não por escolha própria, mas por necessidade - o velho "não posso lidar com isso agora".
Aqui, neste asilo, indago minhas promessas, quando nem deveria nelas pensar. O que eu fiz com aqueles heroís que me salvavam? E as palavras que derramaram sobre meu leito fizeram de mim a minha própria definição. Pessoas, heroís, anjos, na minha vida. Meus amores.
Expulsei-os numa atitutude -já consagrada- digna de mim. Atraio por eles. E uma força atrativa, quando em seu ápice, se torna repulsiva para mim. Eu, que sempre critiquei pessoas que fogem de relações profundas, que se esquivam de qualquer intimidade, agi como se fosse uma ou melhor, agi sendo uma delas.
Afastei de mim os maiores, categorizando por seus erros. Fui subdividindo defeitos, etiquetando fraquezas, organizando-os como coisas numa estante doméstica.
E quanto mais conhecia a fundo as pessoas, mais amava Nietzsche. Me isolando num casulo seguro, fui sendo a inenganável. A madura. A que não erra em escolher alguém para gostar.
Mas não fui.
Errei, como quem nunca tivesse aprendido. Escolhi monstros, tortos, certos demais e enlouquecidos, que obviamente me decepcionaram, me elevaram.  E não errei por escolhê-los, mas por achar que não iria mais errar. Por achar que enquanto fosse, haja o que houvesse, jamais cairia no vão de decepções interpessoais. Balela.
Deveria reconhecer isso e sair por aí entregando meu coração, já sabendo que vou me machucar e que afinal " faz parte". Eis o conviver.  Mas visto-me com essa velhice prematura, ranzinza, cansada. Eu, só. Com saudade dos amores que perdi, desejando em silêncio pessoas perfeitas. Evitando todo o resto.


"Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris"



sábado, fevereiro 19, 2011

quando os queridos se ramificam ao léu

deixe que o encanto se encarregue de amarrar, com fortes laços, este abismo que nos separa. Não a insistência, nem a revolta, não o pedido e a saudade e as perguntas e os porquês, mas o acaso. Como se deve ser.
Deixe que o tempo nos revele quem e como somos, onde paramos de nutrir o jardim que floria nossos sonhos. E que, agora jazem no mesmo, de galhos secos e ervas-daninhas, à espera de milagre ou retrocesso.
Fingimos valer nossas promessas, mantendo a postura, o sorriso e a falsa leveza. Nada mais nos reinventa, cansamos, mas cansamos mesmo de insistir em coisas vagas.
E agora está a mercê do acaso e do mérito. O vento que soprou nosso afago, pode também trazer de volta pedaços dele, pedaços ao menos. Mas não importa. Ainda há uma trajetória pela frente e o que fica no caminho, simplesmente pertence ao passado. O que vem, arrastado ou pregado, está ainda aqui, ao nosso lado.
Talvez os abismos existam para nos desvincular do passado, talvez existam porque nós os criamos de propósito. Ao menos, espero que enxerguemos.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

todos os pastos, os lodos e algas grudadas em mim, no mergulho profundo de um lago proibido chamado escolha. Numa luta, caminhada. Num martírio, num draminha a la novela mexicana, de quem tem talento para atuar. Chorei, com o orgulho privilegiado de quem ainda pode chorar. Lutei, com a força escassa de quem sabe não desistir. Fiz da minha vida aquele triunfo, ali, lá na frente. Ele está logo ali.
Crescida, pego estes restos de lirismo. Não é que falta-me inspiração, mas eu aprendi a ser mais racional. Sobrevoar esse lago de lodo, na angústia dos dias. Temidos, esquecidos. Eu amo muito todos vocês, mas agora é comigo. Só eu.

eu adoro viver isso aqui.


domingo, janeiro 30, 2011

goiânia, 30 de janeiro de 2011.
02:40h - sóbria.

é que às vezes eu nem chego em casa, vem o corpo mas fica a alma, nos seus braços. Sem mensura do que realmente vale, do que realmente é, do que pode ser esse tal amor que tanto dizem. Eu não sei se sinto o amor que pregam por aí, também nem preciso, tendo você me basto de qualquer vontade - das mais novas às mais exóticas.
Você me cala as experiências sentimentais, carnais. Você supre qualquer desejo de ir para outros rumos. Você limita minha vontade de viver em busca do perigo, adrenalina. De enfrentar a morte algumas vezes por mês, só pra provar força ao meu ego fraco.
Com você temo até querer pular de pára-quedas. Não por morrer, mas por deixar você triste. Nem mais vontade de pular de caiaque numa cachoeira de 35 metros alimento. Não por ser submissa, reclusa, contida. Mas por causar em você a aflição de que me fala: "eu te amo e não quero te perder".
Ficou minha alma aí, hoje. Não me responsabilizo por estas palavras, nem por estas lágrimas. Nem por dormir sorrindo, pensando em você, abraçando o Ted (ursinho), feito menina de cinco anos, mas sendo uma mulher plenamente realizada. Feliz.
Ainda assim, submersa nessa vida conflituosa. Tendo cada dia desafios peculiares, desafios que cacei. Faço de você uma referência: lá está um alguém cujo coração eu há de arrancar orgulho.
Enfrento vaidades, meu ego. O mundo. Enfrento meu medo, minha mesquinhez. Minha carência, minha frieza. Minha revolta, minha constante vontade de me vingar do sexo masculino.
Continuo vivendo sob crostas de decepções, continuo com esses tumores de mágoas, tormentos. Continuo na quase sempre loucura que o cotidiano me brota. Mas com você, mas por você, tudo flui mais leve. O fardo nem tanto pesa e sinto que Deus ainda olha pra mim.
Lá está minha alma agora, encarando sem cansar o seu rosto. Te apertando, aninhando-o em mim, como se fosse você quem realmente precisasse disso.
Aqui  fica um corpo que não pesa suas palavras, muito menos sentimentos.
E mesmo assim, meu bem, você sabe: eu não tenho certeza de que seremos eternos. Mesmo você tendo, mesmo você sempre estando certo.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

não sei, não temo, nem quero, mas quis, mas não é certeza, não é tão quisto, não chega a ser malígno.

domingo, janeiro 23, 2011

eu (ainda) não consegui

porque vou seguindo essas linhas traçadas, opacas e tortas
porque sou usufruto de uma dose de destino mais um quê do acaso
porque lembrei-me do meu erro, mas já era tarde
porque de brinde tive um orgulho maior que eu mesma
e o orgulho despreza o arrependimento
porque, no fundo, gosto e me simpatizo com o masoquismo
e sei que errante já me guio por essa estrada
porque eu confesso minhas lágrimas e tenho olhar cabisbaixo
de uma humildade enfiada goela a baixo
porque o que prevalece ainda em mim é o orgulho
e agora, me diga, desistir?
me restam décimos, um, dois pontos
quando era mais cedo, eu deveria ter desistido
mas havia excesso de fé, força e juventude
agora, tão velha, tão cansada, tão impotente
não desisto pela lógica
falta tão pouco
e eu não sou de morrer na praia
não por vontade própria



quarta-feira, janeiro 19, 2011

e de tanto em tanto - mudança

Em vão, fiz os maiores espetáculos. Você não olhou direito para mim e eu cansei de atuar. Agora provoco-lhe perguntas que não, meu bem, eu não vou responder.
Quase um quilo de papelada, joguei fora. Mudei minha cama de posição e estou esperando uma nova mobília. Mais uma vez prometo mudança, honrando o orgulho que defendo por nós, mulheres e alguns desses homens.
Quero um  novo cabelo e planejo mudar de número, quero fugir. Mereço um cativo mais monstruoso, que me faça arder e não ter tempo de sentir, estudando e comendo os nossos santos livros de cada dia. Sem desistir, persisto em um, talvez, grande erro. Tudo bem, sempre desprezei o dom da vida, embora viva intensamente, há armagura por demais nesse mundo e eu não exagero, nem dramatizo, simplesmente a sinto. Como quem sente a brisa, eu sinto o gélido vento dos horrores humanos. Viver para mim jamais será um desperdício e morrer também não, amor fati  e um pouco de medo para mim.
Mas eu estou aqui, movendo minha vida para algum lugar. Em qualquer lugar haverá isso, eu. Lá. Com todo prazer e lágrima que posso suplantar, deliciando com a dor que também me faz gozar.
Já prometi tantas vezes mudar e de todas essas vezes eu sempre mudei. Aos poucos, virei o jogo. E finjo que ganho alguma coisa, porque permanece a sensação corrosiva de ser tão frágil, tão frágil.
Brinco de ficar com raiva, implanto inimigos imaginários no meu cérebro dos quais jogo toda a culpa de estar atingida. Mas cabe a mim toda a culpa de ser tão luna. De ser tão explosiva, intensa, tão viva e sempre morrendo demais. Cabe em mim toda a sorte de bênção e maldição, vinda do mérito ou da vontade divina, por usufruto de alguma vontade que não é páreo para meu entendimento. Sim, eu falo de Deus.
Com Deus, tenho sussurros da minha boca e é quase sempre clamando por socorro. A voz aos poucos vai sendo calada e destruída, à medida que nos entregamos ao que resta das decepções e a própria imaturidade de não suportar o conhecimento -a ciência. Mas Deus ainda existe em mim, a cada queda. E cada subida.
Eu só quero lhe dizer que não vou mais ser a mesma. E só para não esquecer, vou mudar fora, vou mudar dentro. Vou apagar muita coisa por aí, vou começar ou recomeçar, seja lá o que for. Vou até mudar o tom de voz. Qualquer coisa. Só pra sentir a sensação de mudança.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Isabella-te

*a ela


encontrei-na em vigor e pulso. Coragem de se enfiar dentro de seu próprio princípio, de denfendê-lo como quem vive em prol disso. Coragem! Seus olhos me diziam enquanto brilhavam sob a luz e pelas lágrimas que insistiam em invadí-los. Mas ela não chorou. Porque desde um tempo soube controlar certos tipos de choros - daqueles que antes eram incompreensíveis. Ela chorava sim, muito. Escândalo, gritos, dentro do quarto, no colo da mãe, pai, namorado, travesseiro. Mas nada que fosse desnecessário ou um tanto infantil e meloso.
Enquanto ela dizia suas lutas, eu entendia o porquê. E me via nela, falando. Eu entendi que um dia iria falar daquele jeito, com aquela força e aqueles olhos brilhantes de lágrimas e sol.  Ela é do tipo que tem ideais. E come isso todos os dias em seu café da manhã.
Isabella passa o dia sendo cercada dos podres vultos vazios, que são as pessoas que preenchem o mundo com suas massas, mas que nada são por dentro. E quando ela demonstra seu valor e vontade de viver - de verdade, eis que feras que a cerca a odeiam. As pessoas fracas jamais aceitarão brilho alheio perto de si. E o brilho da Isabella ofusca quem  não sabe contemplá-lo.
Ainda teima em meu cérebro a real existência dela. Mas sim, ela existe. E existe tanto que me faz também existir. Eu sou ela. Eu sou Isabella Mesquita pronta para viver o que quero, pondo em risco a idiota reputação que a sociedade cobra. Mas sendo real e verdadeira, sendo humana. Olhando para o planeta Terra e para as crianças famintas. Sendo a boazinha ridícula e rindo por dentro por pensarem isso de mim, tem que ser muito tolo para me achar boazinha.
Eu quero correr o mundo atrás de utilidade. Vou morrer, mas que eu -pelo menos- seja útil e viva.Viva.
Isabella falava e eu entedia. Que tanta coisa que digo e poucos compreende, diz também ela. Mas eu a compreendo. E quero dizer que enquanto estou encharcada de seu vigor, penso que vale a pena cotinuar tentando nem que eu morra nisso.
O maior alívio é poder escolher. E ter a liberdade de ser o que realmente quer. Porque ela, Isabella, é do tipo que marca e ofusca. Ela sempre fica por onde passa.