umapausa

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domingo, janeiro 30, 2011

goiânia, 30 de janeiro de 2011.
02:40h - sóbria.

é que às vezes eu nem chego em casa, vem o corpo mas fica a alma, nos seus braços. Sem mensura do que realmente vale, do que realmente é, do que pode ser esse tal amor que tanto dizem. Eu não sei se sinto o amor que pregam por aí, também nem preciso, tendo você me basto de qualquer vontade - das mais novas às mais exóticas.
Você me cala as experiências sentimentais, carnais. Você supre qualquer desejo de ir para outros rumos. Você limita minha vontade de viver em busca do perigo, adrenalina. De enfrentar a morte algumas vezes por mês, só pra provar força ao meu ego fraco.
Com você temo até querer pular de pára-quedas. Não por morrer, mas por deixar você triste. Nem mais vontade de pular de caiaque numa cachoeira de 35 metros alimento. Não por ser submissa, reclusa, contida. Mas por causar em você a aflição de que me fala: "eu te amo e não quero te perder".
Ficou minha alma aí, hoje. Não me responsabilizo por estas palavras, nem por estas lágrimas. Nem por dormir sorrindo, pensando em você, abraçando o Ted (ursinho), feito menina de cinco anos, mas sendo uma mulher plenamente realizada. Feliz.
Ainda assim, submersa nessa vida conflituosa. Tendo cada dia desafios peculiares, desafios que cacei. Faço de você uma referência: lá está um alguém cujo coração eu há de arrancar orgulho.
Enfrento vaidades, meu ego. O mundo. Enfrento meu medo, minha mesquinhez. Minha carência, minha frieza. Minha revolta, minha constante vontade de me vingar do sexo masculino.
Continuo vivendo sob crostas de decepções, continuo com esses tumores de mágoas, tormentos. Continuo na quase sempre loucura que o cotidiano me brota. Mas com você, mas por você, tudo flui mais leve. O fardo nem tanto pesa e sinto que Deus ainda olha pra mim.
Lá está minha alma agora, encarando sem cansar o seu rosto. Te apertando, aninhando-o em mim, como se fosse você quem realmente precisasse disso.
Aqui  fica um corpo que não pesa suas palavras, muito menos sentimentos.
E mesmo assim, meu bem, você sabe: eu não tenho certeza de que seremos eternos. Mesmo você tendo, mesmo você sempre estando certo.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

não sei, não temo, nem quero, mas quis, mas não é certeza, não é tão quisto, não chega a ser malígno.

domingo, janeiro 23, 2011

eu (ainda) não consegui

porque vou seguindo essas linhas traçadas, opacas e tortas
porque sou usufruto de uma dose de destino mais um quê do acaso
porque lembrei-me do meu erro, mas já era tarde
porque de brinde tive um orgulho maior que eu mesma
e o orgulho despreza o arrependimento
porque, no fundo, gosto e me simpatizo com o masoquismo
e sei que errante já me guio por essa estrada
porque eu confesso minhas lágrimas e tenho olhar cabisbaixo
de uma humildade enfiada goela a baixo
porque o que prevalece ainda em mim é o orgulho
e agora, me diga, desistir?
me restam décimos, um, dois pontos
quando era mais cedo, eu deveria ter desistido
mas havia excesso de fé, força e juventude
agora, tão velha, tão cansada, tão impotente
não desisto pela lógica
falta tão pouco
e eu não sou de morrer na praia
não por vontade própria



quarta-feira, janeiro 19, 2011

e de tanto em tanto - mudança

Em vão, fiz os maiores espetáculos. Você não olhou direito para mim e eu cansei de atuar. Agora provoco-lhe perguntas que não, meu bem, eu não vou responder.
Quase um quilo de papelada, joguei fora. Mudei minha cama de posição e estou esperando uma nova mobília. Mais uma vez prometo mudança, honrando o orgulho que defendo por nós, mulheres e alguns desses homens.
Quero um  novo cabelo e planejo mudar de número, quero fugir. Mereço um cativo mais monstruoso, que me faça arder e não ter tempo de sentir, estudando e comendo os nossos santos livros de cada dia. Sem desistir, persisto em um, talvez, grande erro. Tudo bem, sempre desprezei o dom da vida, embora viva intensamente, há armagura por demais nesse mundo e eu não exagero, nem dramatizo, simplesmente a sinto. Como quem sente a brisa, eu sinto o gélido vento dos horrores humanos. Viver para mim jamais será um desperdício e morrer também não, amor fati  e um pouco de medo para mim.
Mas eu estou aqui, movendo minha vida para algum lugar. Em qualquer lugar haverá isso, eu. Lá. Com todo prazer e lágrima que posso suplantar, deliciando com a dor que também me faz gozar.
Já prometi tantas vezes mudar e de todas essas vezes eu sempre mudei. Aos poucos, virei o jogo. E finjo que ganho alguma coisa, porque permanece a sensação corrosiva de ser tão frágil, tão frágil.
Brinco de ficar com raiva, implanto inimigos imaginários no meu cérebro dos quais jogo toda a culpa de estar atingida. Mas cabe a mim toda a culpa de ser tão luna. De ser tão explosiva, intensa, tão viva e sempre morrendo demais. Cabe em mim toda a sorte de bênção e maldição, vinda do mérito ou da vontade divina, por usufruto de alguma vontade que não é páreo para meu entendimento. Sim, eu falo de Deus.
Com Deus, tenho sussurros da minha boca e é quase sempre clamando por socorro. A voz aos poucos vai sendo calada e destruída, à medida que nos entregamos ao que resta das decepções e a própria imaturidade de não suportar o conhecimento -a ciência. Mas Deus ainda existe em mim, a cada queda. E cada subida.
Eu só quero lhe dizer que não vou mais ser a mesma. E só para não esquecer, vou mudar fora, vou mudar dentro. Vou apagar muita coisa por aí, vou começar ou recomeçar, seja lá o que for. Vou até mudar o tom de voz. Qualquer coisa. Só pra sentir a sensação de mudança.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Isabella-te

*a ela


encontrei-na em vigor e pulso. Coragem de se enfiar dentro de seu próprio princípio, de denfendê-lo como quem vive em prol disso. Coragem! Seus olhos me diziam enquanto brilhavam sob a luz e pelas lágrimas que insistiam em invadí-los. Mas ela não chorou. Porque desde um tempo soube controlar certos tipos de choros - daqueles que antes eram incompreensíveis. Ela chorava sim, muito. Escândalo, gritos, dentro do quarto, no colo da mãe, pai, namorado, travesseiro. Mas nada que fosse desnecessário ou um tanto infantil e meloso.
Enquanto ela dizia suas lutas, eu entendia o porquê. E me via nela, falando. Eu entendi que um dia iria falar daquele jeito, com aquela força e aqueles olhos brilhantes de lágrimas e sol.  Ela é do tipo que tem ideais. E come isso todos os dias em seu café da manhã.
Isabella passa o dia sendo cercada dos podres vultos vazios, que são as pessoas que preenchem o mundo com suas massas, mas que nada são por dentro. E quando ela demonstra seu valor e vontade de viver - de verdade, eis que feras que a cerca a odeiam. As pessoas fracas jamais aceitarão brilho alheio perto de si. E o brilho da Isabella ofusca quem  não sabe contemplá-lo.
Ainda teima em meu cérebro a real existência dela. Mas sim, ela existe. E existe tanto que me faz também existir. Eu sou ela. Eu sou Isabella Mesquita pronta para viver o que quero, pondo em risco a idiota reputação que a sociedade cobra. Mas sendo real e verdadeira, sendo humana. Olhando para o planeta Terra e para as crianças famintas. Sendo a boazinha ridícula e rindo por dentro por pensarem isso de mim, tem que ser muito tolo para me achar boazinha.
Eu quero correr o mundo atrás de utilidade. Vou morrer, mas que eu -pelo menos- seja útil e viva.Viva.
Isabella falava e eu entedia. Que tanta coisa que digo e poucos compreende, diz também ela. Mas eu a compreendo. E quero dizer que enquanto estou encharcada de seu vigor, penso que vale a pena cotinuar tentando nem que eu morra nisso.
O maior alívio é poder escolher. E ter a liberdade de ser o que realmente quer. Porque ela, Isabella, é do tipo que marca e ofusca. Ela sempre fica por onde passa.