umapausa

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domingo, fevereiro 27, 2011

ressentida

É que sou mesmo uma exagerada, tanto para amar, como para desprezar. Porque o ódio não entra num corpo que extravasa, em pus, amor. Amor que mesmo ressentido, magoado, agonizando em porquês de mágoas, é amor.
Sinto muito em afirmar-me, mas não posso esquecer do dia fétido. E ponho um nunca no quesito ser o que era antes, melhor: ponho um nunca mais entre nós. Não por escolha venenosa de uma amargurada, aliás, posso até possuir amargura, mas não sei usar tal veneno. Me satisfaço com o desprezo e faço disso um ante-ódio. É que não posso dar-lhe a confiança que despedaçou outrora, fazendo dos meus segredos, medos, dos meu lamentos partilhados, sonhos descritos e objetivos declamados, alvo de sua insensatez, de sua morbidez sentimental.
Não há nada pior que tocar na ferida de quem está quieto. Pior é que além de abrir tal ferida com garras impiedosas, fez outras maiores. 

terça-feira, fevereiro 22, 2011

antes, social

Entre a fraqueza sentimentalesca e o excesso de determinação, que me causa frieza. Meus passos trôpegos, porém inarrependíveis, não por escolha própria, mas por necessidade - o velho "não posso lidar com isso agora".
Aqui, neste asilo, indago minhas promessas, quando nem deveria nelas pensar. O que eu fiz com aqueles heroís que me salvavam? E as palavras que derramaram sobre meu leito fizeram de mim a minha própria definição. Pessoas, heroís, anjos, na minha vida. Meus amores.
Expulsei-os numa atitutude -já consagrada- digna de mim. Atraio por eles. E uma força atrativa, quando em seu ápice, se torna repulsiva para mim. Eu, que sempre critiquei pessoas que fogem de relações profundas, que se esquivam de qualquer intimidade, agi como se fosse uma ou melhor, agi sendo uma delas.
Afastei de mim os maiores, categorizando por seus erros. Fui subdividindo defeitos, etiquetando fraquezas, organizando-os como coisas numa estante doméstica.
E quanto mais conhecia a fundo as pessoas, mais amava Nietzsche. Me isolando num casulo seguro, fui sendo a inenganável. A madura. A que não erra em escolher alguém para gostar.
Mas não fui.
Errei, como quem nunca tivesse aprendido. Escolhi monstros, tortos, certos demais e enlouquecidos, que obviamente me decepcionaram, me elevaram.  E não errei por escolhê-los, mas por achar que não iria mais errar. Por achar que enquanto fosse, haja o que houvesse, jamais cairia no vão de decepções interpessoais. Balela.
Deveria reconhecer isso e sair por aí entregando meu coração, já sabendo que vou me machucar e que afinal " faz parte". Eis o conviver.  Mas visto-me com essa velhice prematura, ranzinza, cansada. Eu, só. Com saudade dos amores que perdi, desejando em silêncio pessoas perfeitas. Evitando todo o resto.


"Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris"



sábado, fevereiro 19, 2011

quando os queridos se ramificam ao léu

deixe que o encanto se encarregue de amarrar, com fortes laços, este abismo que nos separa. Não a insistência, nem a revolta, não o pedido e a saudade e as perguntas e os porquês, mas o acaso. Como se deve ser.
Deixe que o tempo nos revele quem e como somos, onde paramos de nutrir o jardim que floria nossos sonhos. E que, agora jazem no mesmo, de galhos secos e ervas-daninhas, à espera de milagre ou retrocesso.
Fingimos valer nossas promessas, mantendo a postura, o sorriso e a falsa leveza. Nada mais nos reinventa, cansamos, mas cansamos mesmo de insistir em coisas vagas.
E agora está a mercê do acaso e do mérito. O vento que soprou nosso afago, pode também trazer de volta pedaços dele, pedaços ao menos. Mas não importa. Ainda há uma trajetória pela frente e o que fica no caminho, simplesmente pertence ao passado. O que vem, arrastado ou pregado, está ainda aqui, ao nosso lado.
Talvez os abismos existam para nos desvincular do passado, talvez existam porque nós os criamos de propósito. Ao menos, espero que enxerguemos.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

todos os pastos, os lodos e algas grudadas em mim, no mergulho profundo de um lago proibido chamado escolha. Numa luta, caminhada. Num martírio, num draminha a la novela mexicana, de quem tem talento para atuar. Chorei, com o orgulho privilegiado de quem ainda pode chorar. Lutei, com a força escassa de quem sabe não desistir. Fiz da minha vida aquele triunfo, ali, lá na frente. Ele está logo ali.
Crescida, pego estes restos de lirismo. Não é que falta-me inspiração, mas eu aprendi a ser mais racional. Sobrevoar esse lago de lodo, na angústia dos dias. Temidos, esquecidos. Eu amo muito todos vocês, mas agora é comigo. Só eu.

eu adoro viver isso aqui.