umapausa

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terça-feira, fevereiro 22, 2011

antes, social

Entre a fraqueza sentimentalesca e o excesso de determinação, que me causa frieza. Meus passos trôpegos, porém inarrependíveis, não por escolha própria, mas por necessidade - o velho "não posso lidar com isso agora".
Aqui, neste asilo, indago minhas promessas, quando nem deveria nelas pensar. O que eu fiz com aqueles heroís que me salvavam? E as palavras que derramaram sobre meu leito fizeram de mim a minha própria definição. Pessoas, heroís, anjos, na minha vida. Meus amores.
Expulsei-os numa atitutude -já consagrada- digna de mim. Atraio por eles. E uma força atrativa, quando em seu ápice, se torna repulsiva para mim. Eu, que sempre critiquei pessoas que fogem de relações profundas, que se esquivam de qualquer intimidade, agi como se fosse uma ou melhor, agi sendo uma delas.
Afastei de mim os maiores, categorizando por seus erros. Fui subdividindo defeitos, etiquetando fraquezas, organizando-os como coisas numa estante doméstica.
E quanto mais conhecia a fundo as pessoas, mais amava Nietzsche. Me isolando num casulo seguro, fui sendo a inenganável. A madura. A que não erra em escolher alguém para gostar.
Mas não fui.
Errei, como quem nunca tivesse aprendido. Escolhi monstros, tortos, certos demais e enlouquecidos, que obviamente me decepcionaram, me elevaram.  E não errei por escolhê-los, mas por achar que não iria mais errar. Por achar que enquanto fosse, haja o que houvesse, jamais cairia no vão de decepções interpessoais. Balela.
Deveria reconhecer isso e sair por aí entregando meu coração, já sabendo que vou me machucar e que afinal " faz parte". Eis o conviver.  Mas visto-me com essa velhice prematura, ranzinza, cansada. Eu, só. Com saudade dos amores que perdi, desejando em silêncio pessoas perfeitas. Evitando todo o resto.


"Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris"



3 comentários:

Fábio Coelho disse...

caramba luna, mandou bem demais. muito massa esse texto. você leu muito nietzsche e perdeu aquela ternura? ejhaheaiheae. mas até ele tinha ternura! e gostei muito do título, fez um jogueim de fonética aí! beijo!!!!!

Luna Jeannie disse...

huaishdas, jor nem li tanto nietzsche assim, a culpa não é dele, hahah! a ternura fica pra esse trecho final da música "Quero", cantada por Elis. Entendeu o joguinho fonético , né? Sabia, você sempre entende tudo. Seu espertinho! ;*

Luna Jeannie disse...

aliás, você está incluso em: "Pessoas, heroís, anjos, na minha vida. Meus amores."