umapausa

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sábado, fevereiro 19, 2011

quando os queridos se ramificam ao léu

deixe que o encanto se encarregue de amarrar, com fortes laços, este abismo que nos separa. Não a insistência, nem a revolta, não o pedido e a saudade e as perguntas e os porquês, mas o acaso. Como se deve ser.
Deixe que o tempo nos revele quem e como somos, onde paramos de nutrir o jardim que floria nossos sonhos. E que, agora jazem no mesmo, de galhos secos e ervas-daninhas, à espera de milagre ou retrocesso.
Fingimos valer nossas promessas, mantendo a postura, o sorriso e a falsa leveza. Nada mais nos reinventa, cansamos, mas cansamos mesmo de insistir em coisas vagas.
E agora está a mercê do acaso e do mérito. O vento que soprou nosso afago, pode também trazer de volta pedaços dele, pedaços ao menos. Mas não importa. Ainda há uma trajetória pela frente e o que fica no caminho, simplesmente pertence ao passado. O que vem, arrastado ou pregado, está ainda aqui, ao nosso lado.
Talvez os abismos existam para nos desvincular do passado, talvez existam porque nós os criamos de propósito. Ao menos, espero que enxerguemos.

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