umapausa

umapausa

quinta-feira, julho 28, 2011

meu respeito se dilui diante de sua ostentação, despedaçando o trófeu que lhe fiz em segredo, posto no meu peito, na ala dos queridos. Você me era rei, no tempo que era um nada. Agora, rei, é pra mim um nada. Não que eu seja do contra, ou invejo seu reinado, mas é que lhe falta a nobreza de espírito de outrora. A compreensão habilidosa que construía vida em torno de si.

o mais importante é que o negrume do meu peito se diluiu com estes apertos de amor. Fui rente à Deus, cara a cara, mãos desatadas e um abraço de mais um filho pródigo. E sempre pródiga.
o mais importante é que comecei o degelo desse coração perdido. Estou aos poucos em braços floridos, cheiro de lavanda e louvor. Louvor de novo.
quero-o como esfomeado quer comida, em desespero. Mais pela saudade, que pela realidade.

segunda-feira, julho 25, 2011

mais um daqueles desertos secos

não gosto deste tempo. Odeio final de julho, agosto, setembro. Odeio secas. Odeio ter de passar óleo pós-banho todo santo dia, hidratante a cada hora e ainda por cima sentir minha pele arder, ressecada. Odeio cabelo esfarelado. Odeio meus pés trincando.
E tanto tempo, já, vivendo, até hoje você não entendeu que odeio coisa seca. Que minha umidade e quentura, repele a frieza seca que sai de seus poros, tão repetitiva e sem tempero.
Enquanto você escarna passivo sua vida, eu já me embalo nas aventuras de quem tem sangue a mais no corpo. Estou além dessas poeiras secas, que encostam na minha pele absorvendo água, espírito e vida. Já vi tanta coisa, que juro, fui feliz demais. Daquela felicidade que transborda nos outros. Também juro, fui a mais infeliz. Daquela infelicidade que lacrimeja os olhos de até inimigos.
Embora, eu confesse meu temperamento saudosista, eu sei sim viver o agora. E presente pra mim é um presente embrulhado, que desembrulhado vira mais um dos passados que guardo.
Queria mais vigor, umidade, loucura. Nunca fui pronta pra este tempo seco.

sábado, julho 09, 2011

baguncei, ah.. baguncei tudo. Fui desorganizando a penteadeira, misturei os sapatos, embolei até as roupas e gradativamente, dia após dia, realizei o meu objetivo: o meu quarto revirado. Daquelas bagunças de dá gosto.
E enfim, pude reorganizar. Me trancar nele, ouvir Raul Seixas. Dobrando roupa por roupa e jogando metade dos papéis fora. Como se isso desse algum sentindo. Como se eu organizasse também meu coração.



" mas que o mel é doce, é coisa de que me nego afirmar, mas que parece doce, eu afirmo plenamente (...). Deus é o que me falta para compreender o que eu não compreendo"
                                                                                                                   [Raul Seixas]

quinta-feira, julho 07, 2011

m. maria (vii)

eis que ela e seu perfume invade um cômodo. Não tava mais a velha ressentida,  agora de salto alto e um batom rosa, voltou a ser bela. Mas seus olhos pesavam o vermelho de quem havia chorado. Eu, eu maligna, a fiz chorar. Nessas conversas de relacionamentos, sempre sangra um peso do que foi dito.
Passou-se segundos, o abraço reconcilioso continuou por um tempo.
A sangria foi breve e o ar nem está mais denso. O veneno foi diluído nesses sopros de amor. De amor é que se precisa para se ter uma maria, uma sua maria.

já posso ouvir seu riso da sala. Agora é ela quem come a tv. Fico aqui.  Fico aqui pra sempre.

m.maria (vi)

opa, deixei cair o pudor. Quebrou em cacos, aí, bem espalhados. Catando um por um e chorando, eu amava a ideia de ser pudente e madura. Mas é que..  a emoção é mesmo traiçoeira  e faz as palavras contidas parirem sem controle. Acho que magoei-a, feri de novo seu bloco forte de pedra que mantinha seu coração guardado. Eu sempre tive o dom de quebrar blocos assim, dom ou maldição, o que for. E agora degustamos daquele silêncio reflexivo.... cada um em seu mundinho.

quarta-feira, julho 06, 2011

m.maria (v)

arde sutilmente um quê de compreensão num coração enferrujado. Já nem é raiva, agora é compaixão. Já não é peso atmosférico, é uma necessidade de ter ajuda de alguém que não sei quem. E quem?
Abandonou o surrado terço, bem na pia do banheiro. Agora lê atenciosa a bula do anti-depressivo.

Embora continue com aquela saia de velha, pós joelho, e que não lhe acentue as suas belas curvas.
Embora insista em prender da forma mais idosa seu lindo cabelo liso.

m.maria (iv)

hoje, amanheceu sem paciência, goela a baixo, duma vez. O ataque epilético raivoso da alma foi nefasto, o que chamariam de mal humor. E a raiva, o não aguento mais isso, a vontade de sair daqui de novo se transformou em minutos preciosos de máxima concentração para o estudo.

É que a gente tem que aproveitar até da desgraçada bons frutos.

m. maria (iii)

Foi à pé a Trindade. Sal grosso pela casa, chá de alecrim, uns cravinhos da índia e talvez uns 18 ave-maria por dia.  Ela quer o bem estar enlatado, a alegria em fast food, passar a tinta por cima da madeira podre. "Tudo, tudo, menos enfrentar meus problemas. Tudo menos ir a fundo no meu íntimo, trazendo à tona meus demônios contidos." Sim. Ela deve pensar assim. Ela é toda fuga.

m. maria (ii)

nem mais ternura,  nem carinho e nem se quer consideração. O respeito é uma mera formalidade à mercê do bom humor. O nome disso é: decadência.

m.maria (i)

ela morre dentro de si, naquela tv velha que a come o dia inteiro. Enquanto eu tento carregar o céu sob meus ombros cansados. Porque o ar pesa veneno. Porque o ar está denso, sujo e infeliz.

saio daqui.