umapausa

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domingo, agosto 21, 2011

do desprezo

o mais pútrido de lidar com esta lástima é a desnecessária lacrimação de minha face, atrapalhando a compostura de boa moça que resolvi atuar. Clamo, então, à frieza o ofício de me possuir, por inteira. É que pra ser boa moça é preciso ser dura, ser fria, não ter coraçãozinho palpitante demais, pra ter gentileza e perninhas cruzadas.
Tudo culpa sua, que me dá o trabalho de completar estas linhas sangrentas. Sujas de lágrimas e pedaços largados de mim. Não faz mal. Sou ótima atriz e talvez eu nem esteja atuando, boa moça me torno quando apenas choro por momentos tenebrosos,  ainda que eu lhe fale algumas coisas que arde em veneno, a ardência é menos do que seria se eu não fosse tão boa moça. E acredite, cada vez menos sinto vontade de desafiar seu fedor.
Após os choros e falácias, conserto o lacinho dos cachos que ocupam meu cabelo e volto a sorrir.
Aqui, linda e comportada, destilo seu pedaço, que me dá de esmola, ao meu veneno. Depois refolgo a alho e óleo e como até lambuzar a alma. Acabo com a vontade de ser a justiceira ou até rebelde. Simplesmente engulo este goste acre que é você. E desprezo. E esqueço.

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