umapausa

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quinta-feira, agosto 18, 2011

também quero prostar

Nem venha, alegria. Os muito felizes são bestas. Porque até pra isso tem de haver mensura. Me cego, tapo os ouvidos e me entupo na corriqueira audácia de prazer e prazer e risos enfim. Quem é muito alegre não se mede, nem se vê. É preciso tristeza para se cavar um pouco.
A euforia aperta uma glândula que me enxarca de esquecimento, porque é nas distrações que se perde o foco. Mas é assim mesmo, pregam no mundo: " Só Felicidade". Chorar é errado e ficar triste, uma blasfêmia.
De que são feitos esses seres que só riem e curtem a vida?
Ah, prazer. Nem sempre te quero tanto. São minhas lágrimas que me trazem a mim, que me fazem pensar, onde errei, o quê errei, quem errei. Não é ingratidão, é reconhecimento. Boa vida demais me atrapalha, me estabiliza. Fico onde estou, mas quero crescer. Vinde a mim a doce melancolia, daquelas que me deixam cabisbaixa e bonitinha, daquelas que me fazem esquecer os desejos e, triste, pulsante, continuar.

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