umapausa

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quinta-feira, setembro 29, 2011

pobre ironiluna

isso de se sentir casulo é mesmo uma boa desculpa de não sair borboleta. Porque se eu tivesse tempo, faria mais. Porque se eu tivesse lá, naquele lugar, seria melhor. Porque se eu conseguisse, seria tanto.
aqui, ao pó e coragem, posso ser tudo de ruim, porque sou casulo. Porque tenho motivos de não florescer. Posso até ser amarga. Ser maldita. Intolerante.
Posso também odiar, porque não é culpa minha ter bastante pranto assim. Posso escolher pessoas, selecionar as estações das quais quero viver. Posso ser monstro, fera, posso, enfim, ser o mais podre de mim. E isso é uma delícia.
cuspo meu fogo a esmo, sou dragão inconsequente. Culpo você dessa tripa tão delgada que é meu coração. Culpo a falta de tempo que adora me comer. Sou vítima, fui fabricada pela modernidade e por meu sonho, é óbvio. Sou coitadinha. Mato coisas e pessoas, cuspo meu fogo e queimo até famílias. Mas coitada de mim, estou sofrendo. Sou um mero produto de um pranto sem fim, um fruto do determinismo exacerbado. Rousseau me entenderia, mesmo eu engolindo ele vivo. Se não borboleta, é tudo. Menos coisa que reluz.

abomino.

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