umapausa

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quarta-feira, novembro 28, 2012

le lâche

foi sentindo a remessa dos ventos pequenos que perpetuou-se frágil. Eram sopros de sentimentalidades que a deixava esquisita. Balançava seus nós fracos. Inquietava se havia verdadeira plenitude das coisas fixas.
Assim, frouxa. Foi sendo a cada passo dado sem medida. e as medidas eram então limites confusos.
onde só o amor cura e envenena, vinha seu elo maldito com o mundo. a canseira de ter de ser todos os dias alguma coisa. Era nítido que o mais fácil seria amar.
mas o fato de querer se sentir amada foi comendo suas paredes. e assim, frouxa, não era porra nenhuma de coisa fixa.
solta por aí, nos ares que expulsam os vivos. nos restos que habitam os mortos e esquecidos. era onde ficava sua verdadeira insensatez de viver.
eu vi aqueles escombros e no seu olhar difícil de baixo pra cima que na verdade escondia um espanto.
porque eu sabia, ela se espantava todas as vezes que amor não era, assim fato, na vida. eu sabia que sua força na voz e verdades cuspidas era só medo. de o amor não ser fato na sua vida.
quando entendeu-se, finalmente, frouxa, percebeu que seu caminho era comer os perdidos e digeri-los por dentro até vomitá-los gentes. aí então é que era abandonada. e não havia o amor. o amor de, talvez vai saber, não ser amada. ser apenas num vento.

quarta-feira, novembro 21, 2012

no cerne


"quando ia na lembrança, vinha na saudade"- tom zé.


certa noite noite que agora, longe do tédio e cheia até o topo.
ao longo da vida é despurificar-se. e então acumula-se saudades. doídas, mas que agregam nosso cacos. 
enquanto tudo isso, você tira proveito dos problemas, se esguelhando em resolvê-los. as pessoas irão. e algumas nem se quer chegarão dentro. mas você se supõe forte e vai lidando com a vida é assim mesmo.
muitos prazeres e risos profundos. muitas idiotices e perder-se também é um caminho. lágrimas que molham o coração, permitindo-o carne. deusolivre de pedra.
assombros em plena lucidez. dores de estresse e sem tempo. alguns abraços bem apertados e mais lindos. 
a vida passa sem ver.
as pessoas vão para um lugar onde não se cabe os por quês.  e o quando é desprezível.

quinta-feira, novembro 01, 2012

então, estarás a mercê de um sono torpe? daqueles que te deixas vencido? Pobres de vós!
estou  digerindo uma vida que dormir pouco é bobagem
porque não há tempo.
e se há eu o perco pensando. 
Puto ego perii.

quinta-feira, setembro 06, 2012

luna fernando de abreu


Que não nos falte vontade de chorar apesar da moda ser feliz ao extremo. Que sejamos pesados porque leveza demais é fingir. Que sejamos livres de preconceitos, mas que aceitemos nossa hipocrisia. Que nenhum de nós se esqueça da fraqueza, para que então tentemos a força. Mas que enfim, não nos falte fé e amor.



"Como qualquer um pode lhe dizer, não sou um homem muito bom. Não sei que palavra usar para me definir. Sempre admirei o vilão, o fora-da-lei, o filho-da-puta. Não gosto dos garotos bem barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que mais me interessam. Sempre cheios de surpresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade."
(Charles Bukowski)

terça-feira, setembro 04, 2012

mais um estranho

você faz parte de uma maioria que não quero conhecer. mais um embaraço tosco dos que vive na superfície e sempre me enlouquecem com isso. porque eu preciso de mais.  preciso das conversas insanas, filosofias da alma. confessar meus segredos e destilar meus venenos em doses homeopáticas. planejar planos utópicos e discutir sobre aquela música. eu falo dos filmes, mas você e sua maioria ainda insiste em apreciar vodka ruim com suco de merda. falo do mundo e de como salvá-lo e você e sua maioria riem da minha suposta insanidade ou quem sabe, infantilidade. sinto falta dos pulsos fortes, das almas doces e bem ácidas. esses cheiros tão repetitivos, que soam gargalhadas dentro de mim, me enlouquece. porque não posso ir forte. não posso ser mais. me limito ao estado ínfimo de ser uma embalagem cabível para a maioria. por favor,  deem meia volta. preciso conversar sobre pessoas.
estou seca, mas com todas as palavras na beira de um ataque. qualquer cerveja me faz vomitar os prantos que nem sei o quê em quem nem sei quem é.
quero falar, mas não. minha voz é um zumbido. você e sua maioria estão galopando felizes na cobertura estúpida da superfície. e eu estou, como sempre, vivendo. fundo. fundo. bem no fundo do poço,




"People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked, when you're unwanted
Streets are uneven, when you're down

When you're strange, faces come out of the rain
When you're strange, no one remembers your name
When you're strange, when you're strange, when you're strange"
(The Doors- People are strange)

















essas despassagens e os desavessos 
nem os desencontros, nem os desvios
das desvirtuações e desdéns
eu já não me comporto mais aqui, dentro de mim.
estou desconstruindo
desconcertando
desesperando





















sexta-feira, agosto 24, 2012

e o que se perde em ter? são os traços fisiológicos desta minha animação. Me estupraram a alma e fiquei sem a astúcia de driblar as coisas fracas. Estas estão me pegando. Onde, como, quando, não é papel do consciente, mas da minha libido. Sim, libido. Porque tudo que faço é libido. E nada foge dos planos com meu desejo. Nada vem em primeiro lugar no eu mais egoísta que há em mim. Hoje estou aqui para falar de mim. Não do mundo. Nem das flores. Nem da vida.
Mim. Do mais possessivo que exista. Quero me ter e não resolver mais os problemas alheios . Quero tragar os sampas verdes, dos vinhos rosé e gostos sutis. Comer das laranjas que envolve esses patês tão significativos. E andar no carro sem nunca chegar, somente andar e almejar. 
olá, perigo, fui acendida. 

quarta-feira, agosto 15, 2012

esperando pelos tempos que vão e eu não alcanço. Mas que me passa e sempre mata um pouco de mim. 
Estou ausente daquela lucidez dos maduros, alguma coisa desmontou tudo que sou, assim, duma vez. Não falo dos princípios pedantes que cansei há anos de colecionar. Falo de mim. Do que quero. Do que sou. Do que poderia violentamente me definir. É que qualquer autodefinição é uma violência. 
Passei um tempo sofrego achando que iria sanar a loucura das coisas com amor. Até que depois de morrer várias vezes, num desses nascimentos que tenho por ano, decidir me salvar. Não sofrer. Passei com amor e prazer a sujeira do mundo em todo meu corpo, pra disfarçar minha dor. Fui. E agora sou pior.
Mato toda a verborragia cansável da tentativa de ser. É melhor amalucar-se a ter de ser certa, porque certeza é a minha maior dúvida. Não sou. Não sou mais.




"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar"

sexta-feira, julho 27, 2012

também

Nem venha, alegria. Os muito felizes são bestas. Porque até pra isso tem de haver mensura. Me cego, tapo os ouvidos e me entupo na corriqueira audácia de prazer e prazer e risos enfim. Quem é muito alegre não se mede, nem se vê. É preciso tristeza para se cavar um pouco.
A euforia aperta uma glândula que me enxarca de esquecimento, porque é nas distrações que se perde o foco. Mas é assim mesmo, pregam no mundo: " Só Felicidade". Chorar é errado e ficar triste, uma blasfêmia.
De que são feitos esses seres que só riem e curtem a vida?
Ah, prazer. Nem sempre te quero tanto. São minhas lágrimas que me trazem a mim, que me fazem pensar, onde errei, o quê errei, quem errei. Não é ingratidão, é reconhecimento. Boa vida demais me atrapalha, me estabiliza. Fico onde estou, mas quero crescer. Vinde a mim a doce melancolia, daquelas que me deixam cabisbaixa e bonitinha, daquelas que me fazem esquecer os desejos e, triste, pulsante, continuar. Melhor que fui.

quinta-feira, julho 05, 2012

ecdises

de vez em quando, temo ser esmagada pelos passos vorazes e rebeldes de uns que chupam minha alegria pelo nojo de me ver livre. Esmaeço. Sem meu exoesqueleto, não posso lidar com certas fúrias. Mas - pelo menos- cresço. 




quarta-feira, junho 27, 2012

"já que sou o jeito é ser."

um semestre que me roubou de mim. passou, sem me ver. eu não me senti. nem me tive. nem fui.
nem sei quem. onde? também não. o que defendo, nem o que quero. eu me vendi ano passado para a indiferença, queria não mais sofrer e aí que me perdi. mas nesse semestre, senti isso. e mais que isso: fui isso. perdida, sem me ser. sem eu. um eu que desemboca robusto ali na intensidade, do lado do prazer. eu sou isso, o prazer. futilidade. clamo vida rasa e pensamentos supérfluos. sou da massa. qualquer uma.  sou bêbada. sou cansada de pensar. agindo pelo peito granido. coração palpi-forte. eu nunca mais fui. estou sendo. aqui, neste encontro. e finalmente, não é mais desencontro, estou falando de encontro, ouviu? perdi quem não era. estou me achando pela primeira vez em alguns anos de esconderijo. estou com dúvidas. estou tão certa. estou vivendo. sem pesar. não quero amanhã, quero apenas agora o instante momento que deslizo torpe essas palavras da madrugada. eu estou dizendo que sou isso agora. uma ainda não sei. e não quero saber. só ser.

terça-feira, junho 12, 2012

sete tudo com você

reduzi-lo a um mero namorado é me inibir. é rotular, com tortuosidade, esses amores que é pra se sentir. e viver.
você sabe, nunca fui de mimimi e namoradinhos. ainda zombo dos que exaltam namoros e esquecem dos namorados. de quem é louco para ter alguém só pra tampar-lhe a solidão e aparentar o felizes para sempre. namorado objeto. coisa.
é que separaram o amor de namorado.
e aí existem os namoros fajutos, já cansativos de tanta igualdade e mesmice. começos e fins. e até meios. aí existe a idiota inconformação  daqueles que estão juntos há mais de três anos num subestimado namoro, o chato:' nossa, como você consegue tanto tempo. nossa!'.
e aí existe a redução de amor pra namoradinho e sua pobre função de ser apenas um enfeite nas fotos, nas festas e sorrisos. 
você é muito mais do que isso. é um amor pra eu me perder. pra eu me achar. pra eu nem ser. que está comigo, nas loucuras e serenidades. nas conversas proibidas, nos segredos sufocados. você que está em mim mais do que sou. mais do que posso ser e é isso, sim deve ser isso o amor - essa dificuldade enorme de definição.
eu não falo de status, falo de alma. e de corpo. do entrelaçamento que não se deve fazer. da mania de querer fazer alguém feliz, que não se deve ter. de eu errar em pensar e sentir tudo por você.
de perder quem sou com muito prazer e loucura, teimando com o que dizem os psicólogos da modernidade. não obrigada, não quero ser só um eu, nem ser só minha. quero ser nossa ou até sua. quero mesmo pensar no fim do mundo sem você. pensar que nada é tão confortável como estar em seus braços e nada é mais seguro que seu abraço, rimando na pieguice e breguice dos apaixonados. quero dizer não com rebeldia para meu egoísmo, que por vezes está até certo, mas por você, vale o errado. quero um nosso cativo. uma prisão voluntária na mais intensa liberdade . quero você, meu proibido. minha confiança e minha agonia. que me apazigua, que me deixa assim, delirante quando eu deveria estar equilibrada.
não quero saber de você se for pra ser só um namoradinho. quero o proibido sujo e o deleite santo com você. quero as melhores risadas e todos os orgasmos possíveis. as brigas de amor, os carinhos de ódio. e se for pra crescer que venham as curvas. que venham as crises. que venham as conversas sem escrúpulos, a embriaguez e a idiotice.
quero a rotina. você sendo meu, todos os dias de como vai e boa noite . quero o ousado. o impossível. o comum. o clichê. o te amo e também te amo diário. a sensatez. o errado. a entrega. quero tudo. tudo, tudo com você. de verdade e com a verdade, selando a mesquinhez de se namorar com muito amor. quero tudo com você.

segunda-feira, junho 04, 2012

eu.
e pensando em tudo, lembro que me perdi. é que essa lua reluzindo à luz do dia, me traz lembranças de uma aula antiga, antes de eu me perder. Fases da lua, dizia o professor, fases da luna, pensava eu. Então, passo daquela amarga fase, estou aqui, onde tanto sangrei para estar, e. E? Não é mais o oco, nem o vazio que antes habitava de propósito. É um amontoado de fatos e vidas mais uma deleção de tempo, novos sabores, dizeres e aprendizes, mas nada conectado em mim, porque não existe mais um eu. Não é do vazio que agora pego, falo da minha não-existência, eu sumi de mim, não sou alguém, sou coisa. Não sinto, nem vivo. Deixo passar. Não organizo, durmo. Não vou atrás, sou digerida. Ignoro o sofrer, valorizo o efêmero. Corro daqueles rostos sofridos que ônibus do dia a dia tanto explicou pra mim. Finjo não ver o pileque da criança magrela com olhar de adulto clamando por dinheiro, para mais beber. Nem se quer mais rio para os paraplégicos, nem dou bom dia as tias da limpeza. Não sinto mais a ternura de outrora. Nem se quer prazeres antigos. Um boom explodiu aqui, bagunçou tudo e não dói, porque nunca há tempo. É que é assim ser. Estou ao contrário do choque de uma tragédia. Estou no caos de uma derradeira e que não cabia em mim, alegria. Até que eu sumi. Fui engolida pela felicidade. e que seja válido se perder quando se é, finalmente, acudida.



sábado, junho 02, 2012




cheia até a tampa, quis esvaziar-se de excessos. 
e esvaziou-se
esvaziou-se tanto
que ela sumiu.





"Morreu o poeta que não queria mais pensar
ligava o som pra buscar dialogo esquizofrênico. 
Terminando o ultimo cigarro desfruto finalmente o verdadeiro sentido do meu enfado desespero em me adorar pelo avesso."
                                                     [Diego Neri]

segunda-feira, maio 21, 2012

bagunças


são só bagunças. maligno tempo, me comeu antes passar. Vivo, agora, sem análises, nem reflexões. Sem mesuras de minhas atitudes, escorreguei, de novo,  no desequilíbrio, de onde fui parida. Dizem que eu vou me dar bem, mas estão na frente, colecionando picuinhas. Eu não suporto parar minha vida para digerir fatos pobres, preciso de coisas mais sérias, não de vocês. Vamos viajar nessas férias, esquecer sempre dos silêncios, que a previsão de vida futura é desespero e pouco gosto.Um dia será acre. Não se pode suportar vida com tanta verdades e nem tantos sangrando na fila. Nos empenhamos forte nesse desespero pelo gozo, porque é sabido: ser herói é sofrimento. Estou escondendo um eu que vocês não acanham. Quero preservá-lo para mais tarde. Não quero saber de perdões e dizeres para outrora. Nem se quer resolver as pendências. O tempo é autodigerido. Não posso medir atitudes. Mesmo errando feio, estou aquém dessas broncas daqueles mestres que nos ensinam  vida.Tão fútil, estou na moda do não me arrependo. E mais um segredo: memento mori não, mas memento vivere.

                                                                                               
                                                                                                  Abraços e, por favor, gozem.

domingo, maio 13, 2012

Cada passo, cada mágoa
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino

Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando

Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Prá poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem

Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação
(Tom Zé)

te amo, mãe.



segunda-feira, abril 23, 2012

ondas que vai e vão. 
e só vão resta neste exímio momento. 
vão pra poder cair.
vão pra se esconder.
casulando do mundo, pensando o de sempre viver.
é no vão que se prende o peito,
e paralisa o cérebro
sem pressa para voltar e vendo que a onda
só vai.

quinta-feira, abril 12, 2012



"antes, todo o ódio do mundo convergindo na loucura resguardada de todos os seres. e foi a euforia gritante, de berros dolorosos e brigas de horror. eu te odiei com todo meu coração negrando. quis você longe de mim, mas foi de um desejo tão profundo, que por um instante confudi se sou mesmo humana ou um anjo caído.
preciso culpar a loucura que fugiu de mim, porque não acho digno me portar nessa malignidade. peço desculpas em silêncio, aqui dentro, clamo seus perdões.
mesmo que seja de um processo natural humano sentir raiva gritante de você com suas atitudes propositalmente irritantes, eu me despedaço, para que dentre meus furos seja expelido qualquer micro-pedaço odioso do meu ser.
quero a liberdade de minha consciência. não me sentir mais o monstro que outrora fui na vida. que o tempo lhe conceda vida e me conceda mais tempo para fazer dos seus olhos chorososo, olhos radiantes de felicidade. e que eu seja parte desa felicidade. sempre.
daqui em diante quero traçar um trilho de mel. sem mais desavenças. temos a distância saudável e um tempo suficiente para a saudade.
temos o futuro para desmontar o passado mórbido."

quinta-feira, março 29, 2012

quem sabe, em um ninho-seu, poderia então saber mais de si. Em tempos perdida nas lacunas escassas de seu dia a dia, tanto pra fazer e nada a refletir. Nem em si.
mais eis que chega um dia, trancada em seu quarto escuro, com sua cama sempre e sempre bagunçada. Coisas por cima, seus pertences misturados numa absoluta e proposital bagunça. Passa o dia vendo seriado, mal come, mal bebe água e algumas vezes que vai ao banheiro percebe sua urina escura, seu corpo pedindo mais água. Perde tempo na pressa de seus afazeres, mas mergulha na cama bagunçada, afasta os pertences num monte e deita abraçando seu de sempre  urso.
Os carros conversando lá fora, o celular avisando que alguém ligou e algumas vezes o telefone grita para ser atendido. Mas o abraço permanece ileso.
Nada é mais especial - ou perdido- que o ninho-seu. Onde se perde do mundo entrando em si.

domingo, janeiro 29, 2012

não, meu grito nunca foi calado. Nem será enquanto houver dessa dose deliberada de insanidade que se apodera da minha alma. É que sou por demais estúpida para cair em vãos normalísticos e aceitar de peito aberto as atrocidades da vida.
Não. Eu grito. E grito muito. Grito doído, escandaloso, enrouquecido, "ela deve estar com demônio no corpo".
Vou lá no proibido dos pensamentos e entorto minha conduta para um inferno mais meu, inferno, mas é meu. Eu não deixo as coisas passarem. Eu escandalizo a vida. Eu quero a resolução desses problemas loucos.
Não estou à beira de um ataque de loucuras. Eu já estou no ataque e daqui pra frente meu objetivo é atacar a vida. Não quero mais aceitar as repetidas dores. Quero dores, mas novas, que me ensinem, não que me adoeçam, nem que me irritem.
Eu não suporto mais isso e lhe dou um abraço de veneno, porque estou verde de insanidade, vomitando meus escândalos e fudendo com minha alma, antes bonita.