umapausa

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quarta-feira, junho 27, 2012

"já que sou o jeito é ser."

um semestre que me roubou de mim. passou, sem me ver. eu não me senti. nem me tive. nem fui.
nem sei quem. onde? também não. o que defendo, nem o que quero. eu me vendi ano passado para a indiferença, queria não mais sofrer e aí que me perdi. mas nesse semestre, senti isso. e mais que isso: fui isso. perdida, sem me ser. sem eu. um eu que desemboca robusto ali na intensidade, do lado do prazer. eu sou isso, o prazer. futilidade. clamo vida rasa e pensamentos supérfluos. sou da massa. qualquer uma.  sou bêbada. sou cansada de pensar. agindo pelo peito granido. coração palpi-forte. eu nunca mais fui. estou sendo. aqui, neste encontro. e finalmente, não é mais desencontro, estou falando de encontro, ouviu? perdi quem não era. estou me achando pela primeira vez em alguns anos de esconderijo. estou com dúvidas. estou tão certa. estou vivendo. sem pesar. não quero amanhã, quero apenas agora o instante momento que deslizo torpe essas palavras da madrugada. eu estou dizendo que sou isso agora. uma ainda não sei. e não quero saber. só ser.

terça-feira, junho 12, 2012

sete tudo com você

reduzi-lo a um mero namorado é me inibir. é rotular, com tortuosidade, esses amores que é pra se sentir. e viver.
você sabe, nunca fui de mimimi e namoradinhos. ainda zombo dos que exaltam namoros e esquecem dos namorados. de quem é louco para ter alguém só pra tampar-lhe a solidão e aparentar o felizes para sempre. namorado objeto. coisa.
é que separaram o amor de namorado.
e aí existem os namoros fajutos, já cansativos de tanta igualdade e mesmice. começos e fins. e até meios. aí existe a idiota inconformação  daqueles que estão juntos há mais de três anos num subestimado namoro, o chato:' nossa, como você consegue tanto tempo. nossa!'.
e aí existe a redução de amor pra namoradinho e sua pobre função de ser apenas um enfeite nas fotos, nas festas e sorrisos. 
você é muito mais do que isso. é um amor pra eu me perder. pra eu me achar. pra eu nem ser. que está comigo, nas loucuras e serenidades. nas conversas proibidas, nos segredos sufocados. você que está em mim mais do que sou. mais do que posso ser e é isso, sim deve ser isso o amor - essa dificuldade enorme de definição.
eu não falo de status, falo de alma. e de corpo. do entrelaçamento que não se deve fazer. da mania de querer fazer alguém feliz, que não se deve ter. de eu errar em pensar e sentir tudo por você.
de perder quem sou com muito prazer e loucura, teimando com o que dizem os psicólogos da modernidade. não obrigada, não quero ser só um eu, nem ser só minha. quero ser nossa ou até sua. quero mesmo pensar no fim do mundo sem você. pensar que nada é tão confortável como estar em seus braços e nada é mais seguro que seu abraço, rimando na pieguice e breguice dos apaixonados. quero dizer não com rebeldia para meu egoísmo, que por vezes está até certo, mas por você, vale o errado. quero um nosso cativo. uma prisão voluntária na mais intensa liberdade . quero você, meu proibido. minha confiança e minha agonia. que me apazigua, que me deixa assim, delirante quando eu deveria estar equilibrada.
não quero saber de você se for pra ser só um namoradinho. quero o proibido sujo e o deleite santo com você. quero as melhores risadas e todos os orgasmos possíveis. as brigas de amor, os carinhos de ódio. e se for pra crescer que venham as curvas. que venham as crises. que venham as conversas sem escrúpulos, a embriaguez e a idiotice.
quero a rotina. você sendo meu, todos os dias de como vai e boa noite . quero o ousado. o impossível. o comum. o clichê. o te amo e também te amo diário. a sensatez. o errado. a entrega. quero tudo. tudo, tudo com você. de verdade e com a verdade, selando a mesquinhez de se namorar com muito amor. quero tudo com você.

segunda-feira, junho 04, 2012

eu.
e pensando em tudo, lembro que me perdi. é que essa lua reluzindo à luz do dia, me traz lembranças de uma aula antiga, antes de eu me perder. Fases da lua, dizia o professor, fases da luna, pensava eu. Então, passo daquela amarga fase, estou aqui, onde tanto sangrei para estar, e. E? Não é mais o oco, nem o vazio que antes habitava de propósito. É um amontoado de fatos e vidas mais uma deleção de tempo, novos sabores, dizeres e aprendizes, mas nada conectado em mim, porque não existe mais um eu. Não é do vazio que agora pego, falo da minha não-existência, eu sumi de mim, não sou alguém, sou coisa. Não sinto, nem vivo. Deixo passar. Não organizo, durmo. Não vou atrás, sou digerida. Ignoro o sofrer, valorizo o efêmero. Corro daqueles rostos sofridos que ônibus do dia a dia tanto explicou pra mim. Finjo não ver o pileque da criança magrela com olhar de adulto clamando por dinheiro, para mais beber. Nem se quer mais rio para os paraplégicos, nem dou bom dia as tias da limpeza. Não sinto mais a ternura de outrora. Nem se quer prazeres antigos. Um boom explodiu aqui, bagunçou tudo e não dói, porque nunca há tempo. É que é assim ser. Estou ao contrário do choque de uma tragédia. Estou no caos de uma derradeira e que não cabia em mim, alegria. Até que eu sumi. Fui engolida pela felicidade. e que seja válido se perder quando se é, finalmente, acudida.



sábado, junho 02, 2012




cheia até a tampa, quis esvaziar-se de excessos. 
e esvaziou-se
esvaziou-se tanto
que ela sumiu.





"Morreu o poeta que não queria mais pensar
ligava o som pra buscar dialogo esquizofrênico. 
Terminando o ultimo cigarro desfruto finalmente o verdadeiro sentido do meu enfado desespero em me adorar pelo avesso."
                                                     [Diego Neri]