umapausa

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segunda-feira, junho 04, 2012

eu.
e pensando em tudo, lembro que me perdi. é que essa lua reluzindo à luz do dia, me traz lembranças de uma aula antiga, antes de eu me perder. Fases da lua, dizia o professor, fases da luna, pensava eu. Então, passo daquela amarga fase, estou aqui, onde tanto sangrei para estar, e. E? Não é mais o oco, nem o vazio que antes habitava de propósito. É um amontoado de fatos e vidas mais uma deleção de tempo, novos sabores, dizeres e aprendizes, mas nada conectado em mim, porque não existe mais um eu. Não é do vazio que agora pego, falo da minha não-existência, eu sumi de mim, não sou alguém, sou coisa. Não sinto, nem vivo. Deixo passar. Não organizo, durmo. Não vou atrás, sou digerida. Ignoro o sofrer, valorizo o efêmero. Corro daqueles rostos sofridos que ônibus do dia a dia tanto explicou pra mim. Finjo não ver o pileque da criança magrela com olhar de adulto clamando por dinheiro, para mais beber. Nem se quer mais rio para os paraplégicos, nem dou bom dia as tias da limpeza. Não sinto mais a ternura de outrora. Nem se quer prazeres antigos. Um boom explodiu aqui, bagunçou tudo e não dói, porque nunca há tempo. É que é assim ser. Estou ao contrário do choque de uma tragédia. Estou no caos de uma derradeira e que não cabia em mim, alegria. Até que eu sumi. Fui engolida pela felicidade. e que seja válido se perder quando se é, finalmente, acudida.



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