umapausa

umapausa

segunda-feira, maio 27, 2013

sentindo o azedo do tempo infiltrar nos poros do nosso velho amor. ter medo de não ter mais medo de um ponto final. me fadigar das conversas sem saídas e conclusões. ser apenas uma inércia. eu estou tão cansada, mas não consigo sair do melhor abraço de todos. 

sexta-feira, maio 24, 2013

silêncio

2005:
você vem vindo e vou tomar banho
escolho a blusa mais decotada e um shortinho
você está chegando e estou passando lápis no olho
agorinha você bate na porta e vou borrifar de novo o perfume




2013:
você vem vindo e estou apenas deslizando o feed de notícias
com roupa suja, descalça e cheia de olheiras
você está chegando e estou com cheiro de dia inteiro
agorinha você bate na porta e estou toda descabelada


domingo, maio 19, 2013

não autossuficiência

é domingo, sensível, e estou cansada de tanta soltura desprego lonjura frieza afasto independência modernidade pessoas semi-deuses etc.
quero abraços fortes, carinhos longos, conversas grandes e muito apego. quero pregar nas pessoas. ser uma parasita. negar esse costume comensal  e cínico, assumir o mutualismo com muita intensidade. quero confessar que preciso de você. quero dizer que sem você e sem você e sem você não tem graça. e que sou o quê sem pessoas. e que ausências me machucam. e que soltura me irrita. estou em busca de pessoas dependentes. de pessoas grudentas. de uma vida cercada. que me aperta. que não some. que me viva.

segunda-feira, maio 13, 2013

e vontade de chorar para inundar os perto
deixar molhado para cultivar flores
forçar a barra para ver bonito
 esquecer da dor de ser pra dentro

e vontade de chorar para limpar o peito
 deixar ir embora essa fuligem torpe 
brilhar, talvez, de vermelho sangue
o coração preto que viveu verdades

chorar até secar os poços. pra ver se endurece este errado coração fadigado de ser mole.