umapausa

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domingo, novembro 24, 2013

resta um

fazendo aquele arroz carreteiro pra conquistar meu próprio coração. em tempos de desamor é bom se sentir amada por si mesma. ainda que feia, descabelada e de pijama às quatro horas das tarde, tentado fazer um trabalho infinito da faculdade. resta eu e meu drama sem fim.
o que obviamente não é verdade. não há tanto desamor e nem é tão drama assim. apenas uma luta perdida na guerra de não se sentir sozinha.
ok. eu tentei. fui lá, dancei conforme a música. e de repente, virei um poço de maldade. não deu certo. nem a luta. e nem eu, poço de maldade. sou uma coisa feita de amor. não nasci para brigar e nem para ser a parte. sou muito mimada. tenho motivos. minha vida foi pautada em relação estritamente verdadeiras e duradouras. pessoas maravilhosas que apesar de estarem tão mais comigo, estiveram. o tempo, amor. o tempo é capaz de roer nossas bases e afastar-nos das pessoas mais importantes.
no meu caso foi tempo, vontade e faculdade. esta filha da puta. o curso que tanto ralei pra fazer, que me deixou em pedaços e me fez amar a poesia. é o que penso ouvindo nina simone e sentido o cheiro do meu arroz carreteiro.
sei que na vida lindas pessoas estão comigo. grandes amigos me mimam à distância, deixando esse doce sabor de saudade. mas a realidade bruta precede um espanto: eu, só, aqui.
aprendi o egoísmo. e o deixo nesse instante. prefiro meu eterno sofrer de amar mesmo as pessoas. ainda quero apego. e sou dessas pessoas que preza muito grandes amizades.
o arroz está quase pronto pra mim. só eu vou comer.
resta eu. aqui.
todas as voltas que a vida pensa que dá chega ao mesmo lugar. aquela velha história que se repete, aquele velho erro que se comete. não aprender nunca. ou convencer à vida e aos fatos de que esse erro é o certo. mesmo que lhe arranque a paz. felicidade. quietude. é preciso um caos para tornar-se uma estrela, dizendo nietzsche. e foi. um caos que nunca estrela. voltas que sempre o mesmo fim. os ciclos. a vida é uma história repetitiva. e de repente, tudo de novo.

terça-feira, novembro 19, 2013

prezo meus cacos



às vezes, de alguém pra me afogar, é que eu preciso.
 um suspiro roxo de quem busca socorro inverso
 um drama patético e sem fim de uma moribunda da alma.
quem foi o lapso?
nunca importou.
apenas que isso é o restante de uma confusão estúpida.
é que talvez não me pertença o coração que brinca em silêncio no meu peito defunto
apenas levei a sério e tão fundo fui que aqui não há ninguém
mas não que eu reclame, apenas abstraio.
sou a maior culpada de mim
não dou méritos a ninguém por eu seu ser esse samba sem fim
culpei alguma coisa e fui lá ficar louca.
era apenas uma desculpa de não ser mais nada
fazer, da insanidade, refúgio para alimentar essa vida
que nesses momentos desanda.
enquanto lutam vorazes por suas vidas
mato as madrugadas fazendo poesias com meus olhos pra dentro
vejo um bando de coisas espalhadas
vejo ideias, lembranças, desejos
mas não vejo esperança
de enfrentar a essa  tal de vida e sair ilesa