umapausa

umapausa

sábado, dezembro 13, 2014

pijama de cetim

meu aniversário

porque de manhã, com aquele cheiro de café e a televisão ligada, ouço seus passos com sua chinela de sempre no corredor. seus olhos inchados, de quem honra oito horas de sono há anos. seu rosto sem maquiagem todo melequento de renew, com a sorte de ter poucas rugas. seu cheiro de natura que sempre acho vir do seu pijama de cetim, porque você sempre passa o mesmo hidrante de manhã. gosto desse dia. você chega na cozinha e sorri amarelo ou sou que eu vejo demais através do rosto. me abraça e fala parabéns, minha filha. e me abraça. eu gosto desse dia porque é do seu abraço que vem a sensação de elo. porque assim cai por terra todos os espectros. sou apenas um filhote protegido e não uma pessoa.

meu aniversário. porque nesse dia de mais um ano de vida, eu sou capaz de morrer no seu abraço.

segunda-feira, dezembro 08, 2014

para PolZza: tente viver de verdade e sair ilesa


"ainda bem que existe a dança pra aliviar a alma."
(PolZza)


vivia até meter tudo e ficar roxo
até sair sangue
e deixava escorrer o que sufocava
vivia violentamente feliz
até se ferir de tanto viver

dançou
e dançou
mas dançou

dançou até poder estar pronta pra sofrer de novo

domingo, dezembro 07, 2014



que haja secura, onde a chuva torta não toca os montes 
que haja lodo, onde o sol não toca solo
que haja sangue, onde não se fecunda o óvulo
que haja discórdia, onde se prefere matar diálogo
que haja pranto, onde não há vigília do amor
que haja o que há de haver, que antes doa o que tem que morrer.
mas que sem dor,  haja eu. onde você deixa escapar sem nunca saber. e morrer.







terça-feira, dezembro 02, 2014







como se eu lhe fosse louca, completamente entregue: romance vivo.
sem causa e escrúpulos, sem que para isso, necessário fosse sua existência.
te amo desde o dia que você nunca veio. te amo sem nome. sem pele e rodeios. te amo gratuito. e amor esse que escalda pelos poros. meus.

sobre o amor que sinto, é meu esse protagonismo.








quarta-feira, novembro 19, 2014



odiar copiosamente toda forma matemática e mesquinha de amor.
 porque não carece fazer cálculos para caber no que sinto.


final de ano de sempre

porque sempre vem esse cheiro de dezembro antes que novembro morra. sempre essa chuva tentar reparar os danos da secura de agosto. como se fosse viável ressuscitar as flores que não regou. com se fosse válido pedir perdão pelo ramos que matou. sempre tem esse cansaço dessas noites vazias. porque se pensa no quem é. por que é. e até mesmo pra quê. como um erro nato escorregadio de qualquer tipo de final cronológico. como se não bastasse todo o ano carregado nas costas, mesmo derretido em lágrimas, mesmo consumido em amor. ano de luta. de ter que acordar. ser obrigado a ser. finais que me parem monstros. que me fazem cavar um eu mais idiota de mim. finais de que me deixam mole. e com medo de acabar sem me preencher até a borda. eu apenas ando noturna. sou todas chuvas e todos os tristes enfeites natalinos reluzindo luzes forçadas. porque lá dentro da caverna dos segredos se esconde uma interrogação em mim. o sono aumenta. a saudade cansa. a carência exige. e eu apenas penso que todas angústias faz parte do dezembro chegando com seu peso acumulado de todos os meses. um mero pensar cronológico.

segunda-feira, outubro 27, 2014

eram seus olhos que me detinham, mas preferia um contato. falava injúrias e vomitava inocência. naquele momento me prendi ao meu lado mais imperfeito. minha maior implicância de ser. odiava a pequenez. mas não resistia ao riso. fui sendo uma menina de 14 anos e sua raiva exposta, amor contido, cala a boca, mão na boca. uma discussão impotente. bêbada. sem nexo. era eu falando mil artes da fuga ao que interessava. que nada me interessava. mas era uma loucura. e desde que sou a 14 anos até aqui: nunca resisti a um copo de loucura. eu sei, são palavras confusas. mas isso porque sou incapaz de revelar meu coração. fiquei irritada com a noite. e errada, pensei fundo no que me irrita. a insensatez é resposta para a falta que me seca. me resta a loucura. pensar no que irrita. a falta de um. irritância de outro.

B A L A D A

18 de outubro,


Estava linda. Se sentia poderosa. Mas era a bala. Só a bala. Nada confluía. E ao mesmo tempo tudo descarregava.  Olhou tão fundo para o espelho que foi capaz de atravessar sua alma. "Hoje quer ir pro nada. Ser ninguém. Quero mudo. E sem cheiro. Hoje nenhuma teoria. Nenhum dogma. Nem posição. Hoje é dia de morte morri. Nada ser. Niilismo é, porque o vazio absoluta". Saiu. Mas saiu sem prestar conta de que lhe esquecera no espelho.

domingo, outubro 12, 2014

ontem, minha cabeça
lá estava meu coração,
foi nessa noite que veio dentro
vasculhou orifícios secretos
numa alma já engessada de ser
porque fui sendo
e isso endureceu
até quebrar
me fragmentou.
sou cabeça, pé, orelha e peito,
não mais um corpo unido
você foi nos orifícios que desfiz
e cavou seus planos na minha vida
meus pedaços, restos de tentar viver
esperam por você, que separados,
se uniram fiéis ao desejo que sentem
eu, fragmentada
tenho meus pedaços seu

segunda-feira, setembro 15, 2014

notas de dionísio:

Lorenzo Nuti


deletou seus vícios e encheu a cara de amor. o prazer sobe nas lacunas da alma por pressão positiva, que vem da cabeça. e não dos pés. é preciso estar chupado do ódio para o prazer subir. quando se ocupa com peso demais, a teoria do dixon nada influi.
entende-se prazer condição fortuita de viver. e para viver.


já aviso, de antemão, que me apaixonei pela sua boca. e que quando a pessoa fala, a pessoa planta. você falou sementes fortes, ríspidas e tão precoces que já floriu alguns ramos. porque quando a boca fala bonito, eu quero a boca pra mim. quero ter a boca. ser a boca. comer a boca.  






pode se viver até meter tudo e esquecer de florir os caminhos baixos com poesias?









sexta-feira, setembro 05, 2014

lítio [2]

sketchbook
de quem antes tinha um bloco de desdém fincado na vontade de continuar. isso de se encolher na cama e nunca mais sair de perto da coberta. isso de desmarcar todos os compromissos e nem sentir ausência. de quem antes clamava por raízes no quarto. ficar entre paredes que a barrava do mundo. acordava e nem se sentia viva por isso. a vida é sempre outra quando amanhece, mas isso pra quem morre ao anoitecer. e não. não morria. matava as horas em seu próprio eu. perdia todo tempo do mundo em seus desfazeres. procrastinava em pecados vazios. acumulava promessas e isso era mais peso para quem não conseguia reluzir. as noites viravam sem sentir. pra onde foram os pássaros que cantam a manhã de sol que salvava outrora? era apenas cheiro de cigarro vencido e outras comidas. e todas as cortinas fechadas. não era nascer. dentro da volta fugaz do porquê. nem o quê. apenas era um ser mole e vencido pelo tempo. nunca mais viver de novo, pensava. nunca mais nascer, falava. e não. isso configurava um contratempo que ia. sempre ia. foi.


"Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo."


quinta-feira, setembro 04, 2014

lítio [1]

apenas um abraço cor de rosa, cheio do aroma da ternura, liso de tão verdadeiro.
quem sabe assim, eu nunca mais perco a vida de vista.
e o que se ri é que não ficou nada profundo. aprendi o nado superficial.
das vivências: nem sempre mergulhar é preciso.
viver em pêndulo, mergulhos alternados
eu vi

quinta-feira, agosto 21, 2014

o amor cobre nossa nudez que expomos quando a entrega se revela em fúria. a sorte assopra novos ares e isso assim não resseca. a distância é um provoque. uma forma de irritar o mundo com suas garras quase neandertais. você disse que há muitos que estão perto, mas que nem se quer se sentem.  estamos longe mas tão dentro, que fogo. assim, num ataque, você disse que as barreiras são fracas. que se amor é assim, nem barreiras culminam o fim. e sim. amor que rói até as sobras dos ossos.
eu ando num ataque ansioso. quero ver seus olhos que brilha. eu ando com ciúmes da saudade. com dor da falta. eu vou. vou pro vento onde leva viver. vivo muito. e sem você aqui. me desmonto na saudade, mas me viro viva. e nua sem amor cobrindo minha friagem, evoco mais amor. porque a fúria me revela sua. eu sou uma entrega calculada. ainda que isso não me desapareça.

domingo, agosto 03, 2014

aranha ou mulher

eu que passei dias de aranha, tecendo uma força chamada eu. que agora, chorando por ele, de que adianta eu? a gente procura macetes e caminhos alternativos pra não passar em frente nossas fraquezas. a gente bebe. fuma. e dá. finge que coisa. corre pra dentro, até houver luz. a gente inventa nomes falsos para nossas almas já adulteradas pelas dores. todo dia, um alter-ego desmontado. a gente desapega do impossível. e começa apenas tentar sobreviver. a vida amarga mais, enquanto eu diluo sempre. evito conglomerações emocionais pelo medo de me perder. até sigo. até vou além. quando nem precisa conglomerações. um é suficiente. ele. e assim se vai mais um eu de aranha caduca de si. como se ele fosse um motivo de tecer outro eu. ou nós. tanto faz. me perdi. eu que passei dias de aranha venenosa tão minha, tecendo eu tão meu, caí na sua teia. de novo.
e choro nossa falta antes que você perceba a saudade. porque até lá, já me esmaguei até virar flor.

quinta-feira, julho 31, 2014

justificativa

um dia eu vi
vi que a vida é pior assim mesmo, resoluta.
que deixar passar é fraqueza.
a correnteza se rebela e engole mais tarde os vivos que restam
num lapso de luz ao redor, pude enxergar por trás das trevas.
e lá abriga novas trevas
e calar-se é matar-se aos poucos
então eu falo. eu grito
estou cheia do tempo que me trouxe o tanto
e aqui não cabe mais nada
ponho pra fora num vômito de fogo
sou dragão outrora princesa
é que tudo está farto
o bastante está espumando o muito
sou um recipiente cheio de tudo
não há pausas para gritos
o grito é constante
e ainda cuspo fogo
a vida se fez em excesso

sexta-feira, junho 06, 2014

correr pro abraço cego. você e sua voz tão conformada, de quem tem sabedoria e muita compreensão, me desaba. odeio sua forma tão meiga de destruir todos  meus planos malignos contra nós dois. me sinto pequena. murcha. revelada.  quero chorar minha maldade. expulsar meus demônios nessas lágrimas. Preciso ser envolvida. um aperto. colo. ser mimada. e quem melhor faz isso é você. que me espatifou.  

quarta-feira, junho 04, 2014

carta do meu pai pra minha mãe


descrever meus sentimentos para você, lembro-me, não é novidade, a novidade aqui é o intervalo de quase uma vida - 20 anos - em silêncio. tomei o café que você fez, bem como o pão que, delicadamente, comprou. Fiquei fazendo um retrô da minha vida, comparei com a sua e percebi que eu não evoluí nada em relação à vida sentimental. Ao contrário, devido a minha experiência de vida, já dera tempo suficiente para eu chegar no ápice.Olhei bem as coisas que eram também minhas e por um tempo, senti-me culpado por estar onde estou: no mesmo lugar onde saí em 1994. Portanto não encontrei a tal felicidade sonhada, apenas não cansei de procurá-la. Não me considero culpado pela sua vida, mas inevitavelmente questiono-me muito. Finalmente, meu desejo no momento é me aproximar de você e contribuir, ou até, proporcionar momentos de felicidades para mim e para você.

seu olhar

antes, havia vasculhado no mais profundo de mim um adeus pra você. Nesses momentos que eu, realmente, não sei. Foi difícil admitir a precisão, mas foi. Estava côncava, amarela e difusa. Mas engoli seco meu destino esfarelado. A saudade vem pra pressionar o peito. Causar dispneias desatadas de você. Era seu abraço que me salvava a raiva. Era o sexo que me derretia sua. Sem você aqui apenas me perco. Me afasto. E sinto dissolver.
Decidi romper. Parar com essa agonia de ser uma crua, sem seu abraço pra me cozer.  Ser crua e ser sem você. Talvez sem mim. Sem sofrer. Eu havia decido, mesmo bem torta. Dessas decisões fixas, onipotentes e eternas que se desmancham só de pensar no seu olhar. Olhos brilhantes e de cachorro. De criança procurando a mãe. De você se vendo sair de mim. Algum milagre precisava. Alguma coisa que hidratasse esse tempo nosso tão seco. Como se precisasse mesmo. Talvez seja só um lamento.
Quero você exorcizado do meu corpo. Sem matar nossas conversas da vida pateta, cinema e poesia, do mundo careta. As risadas sobre piadas tão nossas. As confissões desnecessárias. Conversas que ainda nutrem nosso resto.
Quero viver sem ter abstinência do seu abraço e me desenvolver sem você. Decidir eternamente, onipresente e bem fixo: apartar. Achar no vazio que fica, a cura da sua falta que me incomoda. Uma amiga me disse: lute. Outra: se entregue. Eu apenas sinto. Desenrolo o leve e único fio que ainda nos envolve. Faço o que a lógica. Sou feita de aço. O destino. Nunca mais seu olhar. Ser crua. ou sua?

domingo, junho 01, 2014

o frio ajunta os mais próximos e resseca o distante. adoça começos e azeda finais. o final é frio. e seco. mesmo ajuntando à força. chorando desafogado. o final resseca. cadê a vontade de ser linda? odiar saltos. maquiagens. calcinhas. perfumes doces. quero camiseta desbotada e grande com cheiro amaciante. fica descabelada e nunca mais seduzir. o frio resseca cabelos. mas não me toque. nunca mais me provoque. o final vem pra engolir uma vida inteira pela frente que apenas poderia. mas o frio encolheu sentimentos eternos e nanismos não me bastam.  o frio ajunta motivos e resseca a esperança. ajunta o seco e seca é minha vontade de amar e amar ficou frio.

sábado, maio 31, 2014

não tive medo de rasgar. nem de meter.
fiquei olhando a porta abrir 
agonizando entre o arrependimento e falácias. todas minhas.
nada aconteceu
me queimei até florir
eu precisei morrer pra me parir
eu apaguei cada vestígio do antes eu que me fudia
fui embora correndo e sangrando dali
eu prometi desamores e desprazeres 
me grudei no desapego para não desmontar 
quero escrever pra ter. possuir.
não perder de vista o que já abrandou
quero ter medo de me perder outra vez
nessas desilusões estúpidas que me distraem tão fácil
viver fundo e dentro na raiz

não me escapar 
por agora
matar saudade de morrer
e me bastar nas euforias
nascer sem deixar escapar minhas covas
lembrar de quem não sei quem sou

quarta-feira, maio 28, 2014

da Francis

pra guardar com carinho


"eu não sei escrever sobre amor. odeio tudo que soe como 'eu te amo'. é necessário rejeitar o que faz da nossa fragilidade legítima, e então atrair-nos ao perigoso limite novamente, para que a vida não vire apatia. a paixão é detestável.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
todos os processos do amor desenvolvem-se em tempos e espaços múltiplos, para além de bom e ruim, para além de qualquer dualidade ou sistema binário. faz parte querer proteger o âmago que ama, esse onde o amor é gerado, a ele, principalmente, é necessário dedicar energia de diálogo (interior), de compreensão, de cura e regeneração, de vida-morte-vida. se isso não for uma coisa auto-gerativa, toda troca se impossibilita e à morte é impossível compreender, ao abandono, aos fins de ciclo. a merda faz parte do amor, assim como tudo faz parte do amor. e o canal para essa urgência é justamente este, o nosso, o da parição dessas criaturas, que vêm à vida para que outras coisas venham à morte. cada ato gentil de cada vez, cada ato destrutivo de cada vez, revoluções e curas, e tudo se movimenta."

[Francis Espíndola] 

sexta-feira, maio 23, 2014

12 de junho de 2005 e ele até hoje me rende algumas risadas

porque vem de você as melhores gargalhadas

estou perto dos seus medos, vivo dentro dos seus sonhos. já sei o que você vai falar e às vezes me canso de ouvir. seu abraço ainda é mágico, seu sorriso me hipnotiza. ainda sou refém do seu doce olhar, de quem não sabe. de quem entende e não traduz. mas sei de você de cor. decorei sua alma. conheço seu futuro. são já tantas conversas. e algumas brigas. poucos escândalos. nunca fomos de expor. mas eu sempre sou culpada. de qualquer desmoronamento. mesmo você sendo a causa, eu sou sempre o estopim. e o perdão vem de uma fonte que já confessamos: infinta. não me canso de desculpar. muito menos de culpar. você martiriza o método. sempre esquece do universo feminino e a eterna insatisfação. e isso é o que erra. você é tão homem. tão seco e prático no seu mundo feliz. tão homem matemático. me falaram que é assim. um casamento é assim. a gente termina a tradução do namoro e tudo fica sabido. algumas coisas novas. mas a maioria é de casa. eu gosto da rotina. acho besta quem espera do amor eterna inovação. nem sei bem como amar, mas deve ter alguma com a segurança. a rotina assegura. a rotina é rara. a rotina cansa. mas cansa mais a distância. eu virei uma antipoeta. odeio tudo sobre amor e sobre você. cadê seu abraço quando eu esqueço de existir? a saudade desmontou. estamos ressecados pelo tempo. a vida fez isso e nunca sei se vamos resistir. mas até lá, vivemos. e vivemos esses noves anos de uma vida impossível de ser mais feliz. e às vezes me perguntam como aguentei tanto de namoro. eu nunca sei o que responder. nunca aguentei. nunca forcei. foi indo. indo. e foi. porque você é o foca. e eu sou a luna. 

domingo, maio 18, 2014

antipoeta


o romantismo é pedante. e o amor é um saco
todos os casais melosos são rasos. e felizes pra sempre é uma burrice negociada
odeio coraçãozinhos e todas as músicas apaixonadas
me sinto mal por quem se casa
quem vive em prol de um amor nem sequer merecia viver
quem odeia ser solteiro não conheci a si mesmo e isso é um caos
raso. tudo sobre felicidade no amor é raso.
míope. todos que amam são míopes.
cansei de ver alguém tendo que encontrar alguém
cansei de ver alguém chorando por alguém
amor inspira poesia e isso é patético
o amor é um saco
e eu quero pra sempre o divórcio





domingo, maio 11, 2014

eu pularia essa parte de ir embora. eu pularia com você. esqueceria os artefatos de uma torpe história de amor e viveria a constância. arrítmica. distímica. assim, se esvaziando aos poucos o nosso. jamais lhe daria um adeus caso fosse de meu controle. jamais lhe poria pra lá se não fosse eu. mas o tempos vieram. estamos secos. caídos e a um passo de ser apenas sopros do vento que leva.
eu pularia essa parte de levarem você de mim. mesmo eu, quem não suporta. teria pra sempre seu sorriso que me confundiu quem sou. pra sempre seu abraço que me amputa a maneira de, realmente, enfrentar. me sinto parte sua tão sua que nem sei. nem sei quem é mais você. e assim vamos. ruindo de mãos dadas para um passo, ou tropeço.
pularia essa parte de ter que ser assim. esses tempos dilatados que não se vivem. nossa vida que hoje nos separa. eu temo viver qualquer desamor quando seu nome está perto. porque pra mim, você é sagrado. um prato cheio de gozo, lágrimas, segredos. nossos suspiros. abraços de nunca vou ir. beijos interrompidos por um desespero sempre monstro de um sexo já gasto. estamos dissolvendo.
sei de onde gosta ser feliz. e você sabe como não me perder nas tristezas que me são impossíveis. somos nós dois. esvaziando pouco a pouco dessa confusão de corpos que nos fincaram. estamos sendo individualizados. e eu preferia pular essa parte. porque o tempo firmou. o tempo ruiu.

 isso distímico, isso vazio, isso chato, te amo. "te amo porque te amo."

terça-feira, maio 06, 2014

isso é um naufrágio que penetra em mim e sai de você
isso é um seco tempo deserto frio
tremendo ao vazio porque nele se cai
apocalipse que nem chega mas não vai

essa sou eu vendo envelhecer
anos e anos e anos de nenhum não
sem passo que posso
onde me esconder?
nosso amor já era
só falta morrer

quinta-feira, maio 01, 2014





não suporto suas manias e nem seus embaraços quando não estou dentro do seu abraço.
dissolve as certezas, engole as palavras. esquiva os pensamentos que não podem.
é permitido confundir amor com falta. preencher espaços com o costume
não suporto suas manias e nem seus embaraços e abraço.



quarta-feira, abril 30, 2014

a pele grossa que prevalece me protege dos pulos de euforia que poderia agora. pele desenvolvida pelas chagas do tempo e vivência. pulos que, outrora, me eram impossíveis. vivo o desempolgamento.  pulo pra dentro. vivo o assistir a felicidade com zelo. quero cuidar do meu ego.  fui ao inferno buscar minha verdades. mas daqui do céu não quero ser tola e achar que basta. mesmo ressurgindo das cinzas pela décima oitava vez, não sou fênix.  não nasci, ainda.

domingo, abril 27, 2014

já era noite tarde, o sexo havia furado o vazio. O abismo praticamente inexistia e eu estava sonolenta, me transmudando do mundo. Aí você resolveu falar do Darwin. Aí ficamos duas horas e meia discutindo o lamarcksmo. E que de abismo seria preciso um apocalipse. Separar você de mim é nos tirar nossas melhores horas. Matar nossa própria, tão louca, identidade. Eu te queria pelo gozo. Mas te amava pelo destino. Sou muito eu com suas conversas. Não me imagino sem minha face.  Se você for, te buscarei pelos cabelos.

sexta-feira, abril 25, 2014

eu sou onde habito




limpei a casa. ai de mim.
já estou familiarizada com esse barulho do nada que a madrugada revela. Não optei por ser tão noturna e tão errada. As coisas estão revelando e o inóspito me quer outra vez o ambiente. Temo sentir sua falta às duas e querer sambar no cozumel de novo. Eu sei, você virá amanhã. Mas ainda não me toquei o quão feliz isso deveria. Ou estaria. Apenas vou vivendo mais uma madrugada de torpor. Penso, resoluta, que se vier aquilo tudo outra vez, não quero estar atrás dizendo os nãos. Prefiro ver acontecer do que ser responsável por qualquer tipo de embaraço. Você não vê, são tantas brigas. Ando fugindo de qualquer discussão e pareço uma porta quando estou em grupo. Cansei de brigar, esses meses me aprofundaram num lugar cruel. Não quero mais ser responsável pelas minhas escolhas, tecer meu destino. Prefiro ver acontecer.
As louças na piam choram nosso momento. Eu sei que o vazio é esse abismo que nos separa, o mesmo que tratei de deixar na geladeira. Minha casa responde cada passo. Eu sou onde habito. Roupas e papéis importantes, tudo espalhado. Uma confusão que começa a gritar defronte: olhe pra dentro, coração. Mas não vou olhar. Apenas espero sua chegada na obrigação de ser sua. Lembra que eu sempre fazia isso. Pegava todo amor que sentia por você e, na saudade, definhava-o. Já disse que não sei lidar com essa falta. Seu abraço me poem de volta as coisas. Estou sozinha e sobrevivendo. Sua falta já nem é mais um reclamo. Estou apenas esperando você chegar de longe para eu dizer com palavras ouvidas: estou aqui. Onde não me sinto.

segunda-feira, abril 21, 2014

talvez, num desnovelo, se ache faíscas de mim.
porque a hipomania me permite escolher as melhores peças para meu desencaixe
e entre mim e você, prefiro mil vezes sumir
estar a par de um passo morto
de uma disdiadococinesia
viver tão intensamente até queimar
estragar meu sucesso
em mitoses proliferar tanto meu eu, tanto de mim, que por assim dizer: sumo
vem as faíscas quando tento amenizar
vem você indo, quando tento voltar
vem ideias borbulhantes e deliberantes
uma sintaxe imperfeita de existir
uma mania torta de ser menos funda
e nadar na superfície do esdrúxulo
porque essa sou eu assim
uma fantasia e um prazer que não cabe
hipomaníaca de você e de mim
de estar tão longe do túmulo que vim
que renasci
que, acaso, me escondi para tentar outra vez
viver essa cabeça quebrada
achar a peça que me falta para me desintegrar
sou eu assim quando estou eu
um flerte com a loucura
mil e um desabafos
ideias que me encorajam a ser assim, magra
pequena, estúpida
essa sou quando estou
numa forma humana de e.t.
não sou daqui, onde se expulsam as ideias
não pertenço a um mundo onde diminuem amor eterno para até quando durar
essa sou eu
disdiadococinesia




terça-feira, abril 15, 2014

sinto rompido um ciclo que me prendia no desuso. sinto que ainda que, morta, estou começando a sentir novas mitoses. algo no meu corpo começa a se mover e ainda estou queimando, ainda produzindo cinzas. como se fosse mais uma contração do parto futuro. como se fosse um sinal de que mesmo a vida arrancado pedaços, ela também tem o dom de ressurgir. as coisas morrem. as coisas renascem. perder e conquistar são às vezes sinônimos. porque de uma vitória só há glórias e prazeres, mas de uma derrota, há reflexão. há de adentrar lá dentro de si até achar a parte que sufoca. sinto que passei uns meses num ciclo maldito de dores e aprendizagens, ciclo do qual o maior defeito era eu estar presa. mas quebrou-se. as mitoses existem. e ai de mim se eu não estiver livre.
refém do meu próprio eu, fui chantageada pela ausência. onde os gritos são facilmente soltos, nem por isso ouvidos. onde anos-luz me separam do ontem, porque o hoje é sempre tão cheio.  onde de repente, clamo pela salvação buscando sempre me perder. Sou vítima de mim. Meus crimes me traem. Me prendo sem confessar qualquer delito. Sou refém do meu próprio sequestro.

terça-feira, abril 01, 2014

eu sei que isso não há garantias. de que se o hoje importa tanto, é inútil planejar. mas planejo na tentativa de delinear esperanças, porque estas faltam. e isso preocupa. sei que preciso aprender os passos mais só e não depender dos abraços para erguer-me das quedas. mas já decidi viver pelo contato, por isso preciso muito das pessoas. sei que devo sair por aí me desapegando de tudo e deixar as coisas fluírem por questão de ser feliz, mas minha felicidade é condicionada ao apego. e péssima mania de querer ter o controle.
se virar do avesso, contorcer uma personalidade que dependeu de tempo, tanto tempo, para existir. eu não valho uma pena. e que pena. 

segunda-feira, março 24, 2014

as coisas estavam indo avessas e o novo eu não havia parido por falta de senso. eu fui lá, então, e pedi o perdão jogando verdades. eu disse tudo que é mundo que é quanto se precisa para tentar limpar mágoas difíceis. eu pedi perdão e pedi pra ser perdoada. e chorei. depois que inventei de morrer e nascer menos inha, depois que inventei de remexer nos vestígios do passado recente, nas conversas esquisitas e problemas nada resolvidos, eu chorei. e fui moendo, surtando, definhando. eu adoeci na alma e meu corpo sentiu esse grito físico. eu emagreci uns quilos e estava evitando viver. fiquei fixa na cama. presa por tentáculos cujas raízes estavam fincadas no submundo do sofrer. eu precisava estar conectada ao obscuro, inferno dos errados que arrepende, para poder queimar tudo, e fênix, alçar o voo nascedouro. porque do fogo se queima o infectado. do sofrer se muda o podre. a alma só evoluí quando a gente se queima por dentro. 
não. ainda não nasci. mas já morri aquela antes. estou em contrações esporádicas para um parto novo. eu estou nascendo de novo novamente aos vinte e tantos anos por motivo de: quero continuar viver essa vida.

quarta-feira, março 12, 2014

prometo uma morte bem feita, dessa vez, sem restos e nem luto. prometo que dessa vez vou matar rápido o eu que habita torto em mim, nessa noite de sereno e vento suave. prometo que não vou ficar a raiz que sempre nasce,distorcida, errada, resistente. prometo que meu grito será mais organizado e eu serei, talvez, menos minha. prometo que a necessidade não me fará virar do avesso para me adaptar à certas jogadas. vou apenas morrer o avesso e ser o lado correto. vou morrer o lirismo, divago, chorume. ser um eu menos dissolvido, me concentrar mais em pedra. porque pedras não sangram. e nem sempre o sangue faz viver. e prometo que esse eu vou morrer.

sábado, fevereiro 15, 2014

fósseis

as coisas que acabam, deixam seus fósseis acesos. não me interessa apagar, porque caminho sob a luz que alumia. se é pra entortar, estou a dispor de ruir. eu que não me intimido mais pelos pesares que vem. das ruínas, eu teço meus outros caminhos. colecionando benvindos e indo pra trás para ser maior. e depois sigo em frente, porque gosto da vida em espiral, pra buscar qualquer coisa que não posso me esquecer. pra lembrar de como eu era quando me deixei morrer. morrida, sou muito mais dentro. e prezo o fora. é que meus partos pra vida são sempre meus melhores deslizes. na euforia, sou tão superficial quanto feliz. assim me vou nascendo. cada eu uma crosta mais nova. uma superfície cada vez mais profunda. porque só assim pra caber meus fósseis.

sábado, fevereiro 08, 2014

foi. eu sei que foi. mas foi tão rápido, que nem foi. 
às vezes, quando a noite destranca o dentro, me pego voltando atrás na vida. Em segredo, vasculho meus passados e de longe já aprecio.  Sinto saudades do que fui e do que foi. E se a vida é este eterno arrancar de pedaços, vou sobrar sem existir.  Ser um nada à esmo vazia de tudo. As coisas passam, mas não passa eu. Fico dentro miúdo e é melhor arrumar melhores travas. Ou fugir dessas noites que destrancam. 

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

resta um buraco e um punhado de choro pra mim. resta também incertezas e a solidão que engole. resta desafetos inconcluídos e conversas obrigatórias. resta a rotina mórbida com seus sopros quentes de sufoco. resta o tempo que se passar melhora e se viver piora. resta pouco. quase nada.
mas é que a incongruência me define, essa vesga de alma. e assim, vou fazer do resto vigia. passar o tempo vivendo sem medo. ser eu sendo, como sempre, minha. eu que sou do contra. cabeça para baixo. beijando todas as dores e lambendo, confortável, minhas feridas, vou. Eu que não preciso de um milagre para estar viva e nem de grandes explosões para suportar os dissabores passados. vou indo para a vida muda e sem reflexo das minhas incertezas. quero apenas viver meus restos e parir mais flores. sem ter grandes almejos. porque de cada amor tu herdarás só cinismo. e amor é tudo que se vive com qualquer pessoa de sempre.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

eu vou engolir você

não darei um passo adiante sem antes agarrar-lhe os olhos e morder seus cabelos
dizer adeus amarrando-o em mim e apertar em um nó que também me cega
não deixarei que voe sem que eu acaricie seus pés e também os medos
sem que antes lhe beije até que lhe derreta o corpo
abraçar-lhe até fundir-me no que é
não sou do tipo que me despede sem antes te fazer falta
sou uma macumba de saudade ou pelo menos o desejo
pode ir, mas antes vou arranhar sua alma inteira
lamber seu futuro e qualquer outro plano
cheirar seu pescoço até que suma
e dizer um adeus por ter te engolido goela à baixo



segunda-feira, janeiro 13, 2014

quem vai matar? e a briga para o protagonismo é feia, embora não se queira, de modo algum, atuar essa tragédia. Já que é que seja eu. Já que vai, quero ir primeiro. desde antes fui quem descobriu os buracos que nos engole. Desde antes eu quis outro mundo sem você. Mordi a maçã em agosto do ano quente já morto. rezei pela cisão poética que nos une. Desejei. Pequei pela tangente e não teve nenhum ato podre. Hoje estamos disputamos o pódio do maior assassinato que ambos não quer cometer. O amor nunca morre por morrer. Precisa ser morrido.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

meu amor, me morra dentro de mim para que eu viva fora de você.

de quem pretende mudar

uma pausa para o grito: já não me quero como um peso, amputo meus tentáculos e amarro o cabelo.  

,

quando eu penso vem a dor nas lacunas mais estreitas das entranhas e dos joelhos. Quando invado, sou arrematada pelos açoites noturnos da velha paixão, a boca fica seca e dentro estou úmida. Quando eu imagino, sou sempre a protagonista de um final bem sucedido cujo começo regurgita involuntário e já não é o fim que permeio.  Estou àspera e não tenho mais modos. Meus olhos caem e o ar não chega até meus alvéolos. O coração palpita e eu tenho medo. Sou sempre sua pequena. Fardo que amores passados integram. Estou por um triz da solidariedade de me deixar desenvolver. Sair do quando. Do penso. Do invado e imagino. Quero você em algum lugar que perto eu aperto. Mas não longe,

quinta-feira, janeiro 02, 2014