umapausa

umapausa

segunda-feira, janeiro 27, 2014

eu vou engolir você

não darei um passo adiante sem antes agarrar-lhe os olhos e morder seus cabelos
dizer adeus amarrando-o em mim e apertar em um nó que também me cega
não deixarei que voe sem que eu acaricie seus pés e também os medos
sem que antes lhe beije até que lhe derreta o corpo
abraçar-lhe até fundir-me no que é
não sou do tipo que me despede sem antes te fazer falta
sou uma macumba de saudade ou pelo menos o desejo
pode ir, mas antes vou arranhar sua alma inteira
lamber seu futuro e qualquer outro plano
cheirar seu pescoço até que suma
e dizer um adeus por ter te engolido goela à baixo



segunda-feira, janeiro 13, 2014

quem vai matar? e a briga para o protagonismo é feia, embora não se queira, de modo algum, atuar essa tragédia. Já que é que seja eu. Já que vai, quero ir primeiro. desde antes fui quem descobriu os buracos que nos engole. Desde antes eu quis outro mundo sem você. Mordi a maçã em agosto do ano quente já morto. rezei pela cisão poética que nos une. Desejei. Pequei pela tangente e não teve nenhum ato podre. Hoje estamos disputamos o pódio do maior assassinato que ambos não quer cometer. O amor nunca morre por morrer. Precisa ser morrido.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

meu amor, me morra dentro de mim para que eu viva fora de você.

de quem pretende mudar

uma pausa para o grito: já não me quero como um peso, amputo meus tentáculos e amarro o cabelo.  

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quando eu penso vem a dor nas lacunas mais estreitas das entranhas e dos joelhos. Quando invado, sou arrematada pelos açoites noturnos da velha paixão, a boca fica seca e dentro estou úmida. Quando eu imagino, sou sempre a protagonista de um final bem sucedido cujo começo regurgita involuntário e já não é o fim que permeio.  Estou àspera e não tenho mais modos. Meus olhos caem e o ar não chega até meus alvéolos. O coração palpita e eu tenho medo. Sou sempre sua pequena. Fardo que amores passados integram. Estou por um triz da solidariedade de me deixar desenvolver. Sair do quando. Do penso. Do invado e imagino. Quero você em algum lugar que perto eu aperto. Mas não longe,

quinta-feira, janeiro 02, 2014