umapausa

umapausa

sábado, fevereiro 15, 2014

fósseis

as coisas que acabam, deixam seus fósseis acesos. não me interessa apagar, porque caminho sob a luz que alumia. se é pra entortar, estou a dispor de ruir. eu que não me intimido mais pelos pesares que vem. das ruínas, eu teço meus outros caminhos. colecionando benvindos e indo pra trás para ser maior. e depois sigo em frente, porque gosto da vida em espiral, pra buscar qualquer coisa que não posso me esquecer. pra lembrar de como eu era quando me deixei morrer. morrida, sou muito mais dentro. e prezo o fora. é que meus partos pra vida são sempre meus melhores deslizes. na euforia, sou tão superficial quanto feliz. assim me vou nascendo. cada eu uma crosta mais nova. uma superfície cada vez mais profunda. porque só assim pra caber meus fósseis.

sábado, fevereiro 08, 2014

foi. eu sei que foi. mas foi tão rápido, que nem foi. 
às vezes, quando a noite destranca o dentro, me pego voltando atrás na vida. Em segredo, vasculho meus passados e de longe já aprecio.  Sinto saudades do que fui e do que foi. E se a vida é este eterno arrancar de pedaços, vou sobrar sem existir.  Ser um nada à esmo vazia de tudo. As coisas passam, mas não passa eu. Fico dentro miúdo e é melhor arrumar melhores travas. Ou fugir dessas noites que destrancam. 

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

resta um buraco e um punhado de choro pra mim. resta também incertezas e a solidão que engole. resta desafetos inconcluídos e conversas obrigatórias. resta a rotina mórbida com seus sopros quentes de sufoco. resta o tempo que se passar melhora e se viver piora. resta pouco. quase nada.
mas é que a incongruência me define, essa vesga de alma. e assim, vou fazer do resto vigia. passar o tempo vivendo sem medo. ser eu sendo, como sempre, minha. eu que sou do contra. cabeça para baixo. beijando todas as dores e lambendo, confortável, minhas feridas, vou. Eu que não preciso de um milagre para estar viva e nem de grandes explosões para suportar os dissabores passados. vou indo para a vida muda e sem reflexo das minhas incertezas. quero apenas viver meus restos e parir mais flores. sem ter grandes almejos. porque de cada amor tu herdarás só cinismo. e amor é tudo que se vive com qualquer pessoa de sempre.