umapausa

umapausa

quarta-feira, abril 30, 2014

a pele grossa que prevalece me protege dos pulos de euforia que poderia agora. pele desenvolvida pelas chagas do tempo e vivência. pulos que, outrora, me eram impossíveis. vivo o desempolgamento.  pulo pra dentro. vivo o assistir a felicidade com zelo. quero cuidar do meu ego.  fui ao inferno buscar minha verdades. mas daqui do céu não quero ser tola e achar que basta. mesmo ressurgindo das cinzas pela décima oitava vez, não sou fênix.  não nasci, ainda.

domingo, abril 27, 2014

já era noite tarde, o sexo havia furado o vazio. O abismo praticamente inexistia e eu estava sonolenta, me transmudando do mundo. Aí você resolveu falar do Darwin. Aí ficamos duas horas e meia discutindo o lamarcksmo. E que de abismo seria preciso um apocalipse. Separar você de mim é nos tirar nossas melhores horas. Matar nossa própria, tão louca, identidade. Eu te queria pelo gozo. Mas te amava pelo destino. Sou muito eu com suas conversas. Não me imagino sem minha face.  Se você for, te buscarei pelos cabelos.

sexta-feira, abril 25, 2014

eu sou onde habito




limpei a casa. ai de mim.
já estou familiarizada com esse barulho do nada que a madrugada revela. Não optei por ser tão noturna e tão errada. As coisas estão revelando e o inóspito me quer outra vez o ambiente. Temo sentir sua falta às duas e querer sambar no cozumel de novo. Eu sei, você virá amanhã. Mas ainda não me toquei o quão feliz isso deveria. Ou estaria. Apenas vou vivendo mais uma madrugada de torpor. Penso, resoluta, que se vier aquilo tudo outra vez, não quero estar atrás dizendo os nãos. Prefiro ver acontecer do que ser responsável por qualquer tipo de embaraço. Você não vê, são tantas brigas. Ando fugindo de qualquer discussão e pareço uma porta quando estou em grupo. Cansei de brigar, esses meses me aprofundaram num lugar cruel. Não quero mais ser responsável pelas minhas escolhas, tecer meu destino. Prefiro ver acontecer.
As louças na piam choram nosso momento. Eu sei que o vazio é esse abismo que nos separa, o mesmo que tratei de deixar na geladeira. Minha casa responde cada passo. Eu sou onde habito. Roupas e papéis importantes, tudo espalhado. Uma confusão que começa a gritar defronte: olhe pra dentro, coração. Mas não vou olhar. Apenas espero sua chegada na obrigação de ser sua. Lembra que eu sempre fazia isso. Pegava todo amor que sentia por você e, na saudade, definhava-o. Já disse que não sei lidar com essa falta. Seu abraço me poem de volta as coisas. Estou sozinha e sobrevivendo. Sua falta já nem é mais um reclamo. Estou apenas esperando você chegar de longe para eu dizer com palavras ouvidas: estou aqui. Onde não me sinto.

segunda-feira, abril 21, 2014

talvez, num desnovelo, se ache faíscas de mim.
porque a hipomania me permite escolher as melhores peças para meu desencaixe
e entre mim e você, prefiro mil vezes sumir
estar a par de um passo morto
de uma disdiadococinesia
viver tão intensamente até queimar
estragar meu sucesso
em mitoses proliferar tanto meu eu, tanto de mim, que por assim dizer: sumo
vem as faíscas quando tento amenizar
vem você indo, quando tento voltar
vem ideias borbulhantes e deliberantes
uma sintaxe imperfeita de existir
uma mania torta de ser menos funda
e nadar na superfície do esdrúxulo
porque essa sou eu assim
uma fantasia e um prazer que não cabe
hipomaníaca de você e de mim
de estar tão longe do túmulo que vim
que renasci
que, acaso, me escondi para tentar outra vez
viver essa cabeça quebrada
achar a peça que me falta para me desintegrar
sou eu assim quando estou eu
um flerte com a loucura
mil e um desabafos
ideias que me encorajam a ser assim, magra
pequena, estúpida
essa sou quando estou
numa forma humana de e.t.
não sou daqui, onde se expulsam as ideias
não pertenço a um mundo onde diminuem amor eterno para até quando durar
essa sou eu
disdiadococinesia




terça-feira, abril 15, 2014

sinto rompido um ciclo que me prendia no desuso. sinto que ainda que, morta, estou começando a sentir novas mitoses. algo no meu corpo começa a se mover e ainda estou queimando, ainda produzindo cinzas. como se fosse mais uma contração do parto futuro. como se fosse um sinal de que mesmo a vida arrancado pedaços, ela também tem o dom de ressurgir. as coisas morrem. as coisas renascem. perder e conquistar são às vezes sinônimos. porque de uma vitória só há glórias e prazeres, mas de uma derrota, há reflexão. há de adentrar lá dentro de si até achar a parte que sufoca. sinto que passei uns meses num ciclo maldito de dores e aprendizagens, ciclo do qual o maior defeito era eu estar presa. mas quebrou-se. as mitoses existem. e ai de mim se eu não estiver livre.
refém do meu próprio eu, fui chantageada pela ausência. onde os gritos são facilmente soltos, nem por isso ouvidos. onde anos-luz me separam do ontem, porque o hoje é sempre tão cheio.  onde de repente, clamo pela salvação buscando sempre me perder. Sou vítima de mim. Meus crimes me traem. Me prendo sem confessar qualquer delito. Sou refém do meu próprio sequestro.

terça-feira, abril 01, 2014

eu sei que isso não há garantias. de que se o hoje importa tanto, é inútil planejar. mas planejo na tentativa de delinear esperanças, porque estas faltam. e isso preocupa. sei que preciso aprender os passos mais só e não depender dos abraços para erguer-me das quedas. mas já decidi viver pelo contato, por isso preciso muito das pessoas. sei que devo sair por aí me desapegando de tudo e deixar as coisas fluírem por questão de ser feliz, mas minha felicidade é condicionada ao apego. e péssima mania de querer ter o controle.
se virar do avesso, contorcer uma personalidade que dependeu de tempo, tanto tempo, para existir. eu não valho uma pena. e que pena.