umapausa

umapausa

sábado, maio 31, 2014

não tive medo de rasgar. nem de meter.
fiquei olhando a porta abrir 
agonizando entre o arrependimento e falácias. todas minhas.
nada aconteceu
me queimei até florir
eu precisei morrer pra me parir
eu apaguei cada vestígio do antes eu que me fudia
fui embora correndo e sangrando dali
eu prometi desamores e desprazeres 
me grudei no desapego para não desmontar 
quero escrever pra ter. possuir.
não perder de vista o que já abrandou
quero ter medo de me perder outra vez
nessas desilusões estúpidas que me distraem tão fácil
viver fundo e dentro na raiz

não me escapar 
por agora
matar saudade de morrer
e me bastar nas euforias
nascer sem deixar escapar minhas covas
lembrar de quem não sei quem sou

quarta-feira, maio 28, 2014

da Francis

pra guardar com carinho


"eu não sei escrever sobre amor. odeio tudo que soe como 'eu te amo'. é necessário rejeitar o que faz da nossa fragilidade legítima, e então atrair-nos ao perigoso limite novamente, para que a vida não vire apatia. a paixão é detestável.
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todos os processos do amor desenvolvem-se em tempos e espaços múltiplos, para além de bom e ruim, para além de qualquer dualidade ou sistema binário. faz parte querer proteger o âmago que ama, esse onde o amor é gerado, a ele, principalmente, é necessário dedicar energia de diálogo (interior), de compreensão, de cura e regeneração, de vida-morte-vida. se isso não for uma coisa auto-gerativa, toda troca se impossibilita e à morte é impossível compreender, ao abandono, aos fins de ciclo. a merda faz parte do amor, assim como tudo faz parte do amor. e o canal para essa urgência é justamente este, o nosso, o da parição dessas criaturas, que vêm à vida para que outras coisas venham à morte. cada ato gentil de cada vez, cada ato destrutivo de cada vez, revoluções e curas, e tudo se movimenta."

[Francis Espíndola] 

sexta-feira, maio 23, 2014

12 de junho de 2005 e ele até hoje me rende algumas risadas

porque vem de você as melhores gargalhadas

estou perto dos seus medos, vivo dentro dos seus sonhos. já sei o que você vai falar e às vezes me canso de ouvir. seu abraço ainda é mágico, seu sorriso me hipnotiza. ainda sou refém do seu doce olhar, de quem não sabe. de quem entende e não traduz. mas sei de você de cor. decorei sua alma. conheço seu futuro. são já tantas conversas. e algumas brigas. poucos escândalos. nunca fomos de expor. mas eu sempre sou culpada. de qualquer desmoronamento. mesmo você sendo a causa, eu sou sempre o estopim. e o perdão vem de uma fonte que já confessamos: infinta. não me canso de desculpar. muito menos de culpar. você martiriza o método. sempre esquece do universo feminino e a eterna insatisfação. e isso é o que erra. você é tão homem. tão seco e prático no seu mundo feliz. tão homem matemático. me falaram que é assim. um casamento é assim. a gente termina a tradução do namoro e tudo fica sabido. algumas coisas novas. mas a maioria é de casa. eu gosto da rotina. acho besta quem espera do amor eterna inovação. nem sei bem como amar, mas deve ter alguma com a segurança. a rotina assegura. a rotina é rara. a rotina cansa. mas cansa mais a distância. eu virei uma antipoeta. odeio tudo sobre amor e sobre você. cadê seu abraço quando eu esqueço de existir? a saudade desmontou. estamos ressecados pelo tempo. a vida fez isso e nunca sei se vamos resistir. mas até lá, vivemos. e vivemos esses noves anos de uma vida impossível de ser mais feliz. e às vezes me perguntam como aguentei tanto de namoro. eu nunca sei o que responder. nunca aguentei. nunca forcei. foi indo. indo. e foi. porque você é o foca. e eu sou a luna. 

domingo, maio 18, 2014

antipoeta


o romantismo é pedante. e o amor é um saco
todos os casais melosos são rasos. e felizes pra sempre é uma burrice negociada
odeio coraçãozinhos e todas as músicas apaixonadas
me sinto mal por quem se casa
quem vive em prol de um amor nem sequer merecia viver
quem odeia ser solteiro não conheci a si mesmo e isso é um caos
raso. tudo sobre felicidade no amor é raso.
míope. todos que amam são míopes.
cansei de ver alguém tendo que encontrar alguém
cansei de ver alguém chorando por alguém
amor inspira poesia e isso é patético
o amor é um saco
e eu quero pra sempre o divórcio





domingo, maio 11, 2014

eu pularia essa parte de ir embora. eu pularia com você. esqueceria os artefatos de uma torpe história de amor e viveria a constância. arrítmica. distímica. assim, se esvaziando aos poucos o nosso. jamais lhe daria um adeus caso fosse de meu controle. jamais lhe poria pra lá se não fosse eu. mas o tempos vieram. estamos secos. caídos e a um passo de ser apenas sopros do vento que leva.
eu pularia essa parte de levarem você de mim. mesmo eu, quem não suporta. teria pra sempre seu sorriso que me confundiu quem sou. pra sempre seu abraço que me amputa a maneira de, realmente, enfrentar. me sinto parte sua tão sua que nem sei. nem sei quem é mais você. e assim vamos. ruindo de mãos dadas para um passo, ou tropeço.
pularia essa parte de ter que ser assim. esses tempos dilatados que não se vivem. nossa vida que hoje nos separa. eu temo viver qualquer desamor quando seu nome está perto. porque pra mim, você é sagrado. um prato cheio de gozo, lágrimas, segredos. nossos suspiros. abraços de nunca vou ir. beijos interrompidos por um desespero sempre monstro de um sexo já gasto. estamos dissolvendo.
sei de onde gosta ser feliz. e você sabe como não me perder nas tristezas que me são impossíveis. somos nós dois. esvaziando pouco a pouco dessa confusão de corpos que nos fincaram. estamos sendo individualizados. e eu preferia pular essa parte. porque o tempo firmou. o tempo ruiu.

 isso distímico, isso vazio, isso chato, te amo. "te amo porque te amo."

terça-feira, maio 06, 2014

isso é um naufrágio que penetra em mim e sai de você
isso é um seco tempo deserto frio
tremendo ao vazio porque nele se cai
apocalipse que nem chega mas não vai

essa sou eu vendo envelhecer
anos e anos e anos de nenhum não
sem passo que posso
onde me esconder?
nosso amor já era
só falta morrer

quinta-feira, maio 01, 2014





não suporto suas manias e nem seus embaraços quando não estou dentro do seu abraço.
dissolve as certezas, engole as palavras. esquiva os pensamentos que não podem.
é permitido confundir amor com falta. preencher espaços com o costume
não suporto suas manias e nem seus embaraços e abraço.