umapausa

umapausa

sábado, maio 31, 2014

não tive medo de rasgar. nem de meter.
fiquei olhando a porta abrir 
agonizando entre o arrependimento e falácias. todas minhas.
nada aconteceu
me queimei até florir
eu precisei morrer pra me parir
eu apaguei cada vestígio do antes eu que me fudia
fui embora correndo e sangrando dali
eu prometi desamores e desprazeres 
me grudei no desapego para não desmontar 
quero escrever pra ter. possuir.
não perder de vista o que já abrandou
quero ter medo de me perder outra vez
nessas desilusões estúpidas que me distraem tão fácil
viver fundo e dentro na raiz

não me escapar 
por agora
matar saudade de morrer
e me bastar nas euforias
nascer sem deixar escapar minhas covas
lembrar de quem não sei quem sou

2 comentários:

Francis Espíndola disse...

"eu precisei morrer para parir"

no subterfúgio da raiz ocorre a metamorfose. lembrar-se do terrível desconsolo em eternamente se perder. e tudo é terreno, próprio de território, a que podemos farejar para seguir, instintivamente. na selvageria do cauteloso, matamos saudade de morrer.

(você é incrível)

luna disse...

<3 cê que é. leio e re-leio e leio.