umapausa

umapausa

sexta-feira, junho 06, 2014

correr pro abraço cego. você e sua voz tão conformada, de quem tem sabedoria e muita compreensão, me desaba. odeio sua forma tão meiga de destruir todos  meus planos malignos contra nós dois. me sinto pequena. murcha. revelada.  quero chorar minha maldade. expulsar meus demônios nessas lágrimas. Preciso ser envolvida. um aperto. colo. ser mimada. e quem melhor faz isso é você. que me espatifou.  

quarta-feira, junho 04, 2014

carta do meu pai pra minha mãe


descrever meus sentimentos para você, lembro-me, não é novidade, a novidade aqui é o intervalo de quase uma vida - 20 anos - em silêncio. tomei o café que você fez, bem como o pão que, delicadamente, comprou. Fiquei fazendo um retrô da minha vida, comparei com a sua e percebi que eu não evoluí nada em relação à vida sentimental. Ao contrário, devido a minha experiência de vida, já dera tempo suficiente para eu chegar no ápice.Olhei bem as coisas que eram também minhas e por um tempo, senti-me culpado por estar onde estou: no mesmo lugar onde saí em 1994. Portanto não encontrei a tal felicidade sonhada, apenas não cansei de procurá-la. Não me considero culpado pela sua vida, mas inevitavelmente questiono-me muito. Finalmente, meu desejo no momento é me aproximar de você e contribuir, ou até, proporcionar momentos de felicidades para mim e para você.

seu olhar

antes, havia vasculhado no mais profundo de mim um adeus pra você. Nesses momentos que eu, realmente, não sei. Foi difícil admitir a precisão, mas foi. Estava côncava, amarela e difusa. Mas engoli seco meu destino esfarelado. A saudade vem pra pressionar o peito. Causar dispneias desatadas de você. Era seu abraço que me salvava a raiva. Era o sexo que me derretia sua. Sem você aqui apenas me perco. Me afasto. E sinto dissolver.
Decidi romper. Parar com essa agonia de ser uma crua, sem seu abraço pra me cozer.  Ser crua e ser sem você. Talvez sem mim. Sem sofrer. Eu havia decido, mesmo bem torta. Dessas decisões fixas, onipotentes e eternas que se desmancham só de pensar no seu olhar. Olhos brilhantes e de cachorro. De criança procurando a mãe. De você se vendo sair de mim. Algum milagre precisava. Alguma coisa que hidratasse esse tempo nosso tão seco. Como se precisasse mesmo. Talvez seja só um lamento.
Quero você exorcizado do meu corpo. Sem matar nossas conversas da vida pateta, cinema e poesia, do mundo careta. As risadas sobre piadas tão nossas. As confissões desnecessárias. Conversas que ainda nutrem nosso resto.
Quero viver sem ter abstinência do seu abraço e me desenvolver sem você. Decidir eternamente, onipresente e bem fixo: apartar. Achar no vazio que fica, a cura da sua falta que me incomoda. Uma amiga me disse: lute. Outra: se entregue. Eu apenas sinto. Desenrolo o leve e único fio que ainda nos envolve. Faço o que a lógica. Sou feita de aço. O destino. Nunca mais seu olhar. Ser crua. ou sua?

domingo, junho 01, 2014

o frio ajunta os mais próximos e resseca o distante. adoça começos e azeda finais. o final é frio. e seco. mesmo ajuntando à força. chorando desafogado. o final resseca. cadê a vontade de ser linda? odiar saltos. maquiagens. calcinhas. perfumes doces. quero camiseta desbotada e grande com cheiro amaciante. fica descabelada e nunca mais seduzir. o frio resseca cabelos. mas não me toque. nunca mais me provoque. o final vem pra engolir uma vida inteira pela frente que apenas poderia. mas o frio encolheu sentimentos eternos e nanismos não me bastam.  o frio ajunta motivos e resseca a esperança. ajunta o seco e seca é minha vontade de amar e amar ficou frio.