umapausa

umapausa

quinta-feira, agosto 21, 2014

o amor cobre nossa nudez que expomos quando a entrega se revela em fúria. a sorte assopra novos ares e isso assim não resseca. a distância é um provoque. uma forma de irritar o mundo com suas garras quase neandertais. você disse que há muitos que estão perto, mas que nem se quer se sentem.  estamos longe mas tão dentro, que fogo. assim, num ataque, você disse que as barreiras são fracas. que se amor é assim, nem barreiras culminam o fim. e sim. amor que rói até as sobras dos ossos.
eu ando num ataque ansioso. quero ver seus olhos que brilha. eu ando com ciúmes da saudade. com dor da falta. eu vou. vou pro vento onde leva viver. vivo muito. e sem você aqui. me desmonto na saudade, mas me viro viva. e nua sem amor cobrindo minha friagem, evoco mais amor. porque a fúria me revela sua. eu sou uma entrega calculada. ainda que isso não me desapareça.

domingo, agosto 03, 2014

aranha ou mulher

eu que passei dias de aranha, tecendo uma força chamada eu. que agora, chorando por ele, de que adianta eu? a gente procura macetes e caminhos alternativos pra não passar em frente nossas fraquezas. a gente bebe. fuma. e dá. finge que coisa. corre pra dentro, até houver luz. a gente inventa nomes falsos para nossas almas já adulteradas pelas dores. todo dia, um alter-ego desmontado. a gente desapega do impossível. e começa apenas tentar sobreviver. a vida amarga mais, enquanto eu diluo sempre. evito conglomerações emocionais pelo medo de me perder. até sigo. até vou além. quando nem precisa conglomerações. um é suficiente. ele. e assim se vai mais um eu de aranha caduca de si. como se ele fosse um motivo de tecer outro eu. ou nós. tanto faz. me perdi. eu que passei dias de aranha venenosa tão minha, tecendo eu tão meu, caí na sua teia. de novo.
e choro nossa falta antes que você perceba a saudade. porque até lá, já me esmaguei até virar flor.