umapausa

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segunda-feira, setembro 15, 2014

notas de dionísio:

Lorenzo Nuti


deletou seus vícios e encheu a cara de amor. o prazer sobe nas lacunas da alma por pressão positiva, que vem da cabeça. e não dos pés. é preciso estar chupado do ódio para o prazer subir. quando se ocupa com peso demais, a teoria do dixon nada influi.
entende-se prazer condição fortuita de viver. e para viver.


já aviso, de antemão, que me apaixonei pela sua boca. e que quando a pessoa fala, a pessoa planta. você falou sementes fortes, ríspidas e tão precoces que já floriu alguns ramos. porque quando a boca fala bonito, eu quero a boca pra mim. quero ter a boca. ser a boca. comer a boca.  






pode se viver até meter tudo e esquecer de florir os caminhos baixos com poesias?









sexta-feira, setembro 05, 2014

lítio [2]

sketchbook
de quem antes tinha um bloco de desdém fincado na vontade de continuar. isso de se encolher na cama e nunca mais sair de perto da coberta. isso de desmarcar todos os compromissos e nem sentir ausência. de quem antes clamava por raízes no quarto. ficar entre paredes que a barrava do mundo. acordava e nem se sentia viva por isso. a vida é sempre outra quando amanhece, mas isso pra quem morre ao anoitecer. e não. não morria. matava as horas em seu próprio eu. perdia todo tempo do mundo em seus desfazeres. procrastinava em pecados vazios. acumulava promessas e isso era mais peso para quem não conseguia reluzir. as noites viravam sem sentir. pra onde foram os pássaros que cantam a manhã de sol que salvava outrora? era apenas cheiro de cigarro vencido e outras comidas. e todas as cortinas fechadas. não era nascer. dentro da volta fugaz do porquê. nem o quê. apenas era um ser mole e vencido pelo tempo. nunca mais viver de novo, pensava. nunca mais nascer, falava. e não. isso configurava um contratempo que ia. sempre ia. foi.


"Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo."


quinta-feira, setembro 04, 2014

lítio [1]

apenas um abraço cor de rosa, cheio do aroma da ternura, liso de tão verdadeiro.
quem sabe assim, eu nunca mais perco a vida de vista.
e o que se ri é que não ficou nada profundo. aprendi o nado superficial.
das vivências: nem sempre mergulhar é preciso.
viver em pêndulo, mergulhos alternados
eu vi