umapausa

umapausa

segunda-feira, outubro 27, 2014

eram seus olhos que me detinham, mas preferia um contato. falava injúrias e vomitava inocência. naquele momento me prendi ao meu lado mais imperfeito. minha maior implicância de ser. odiava a pequenez. mas não resistia ao riso. fui sendo uma menina de 14 anos e sua raiva exposta, amor contido, cala a boca, mão na boca. uma discussão impotente. bêbada. sem nexo. era eu falando mil artes da fuga ao que interessava. que nada me interessava. mas era uma loucura. e desde que sou a 14 anos até aqui: nunca resisti a um copo de loucura. eu sei, são palavras confusas. mas isso porque sou incapaz de revelar meu coração. fiquei irritada com a noite. e errada, pensei fundo no que me irrita. a insensatez é resposta para a falta que me seca. me resta a loucura. pensar no que irrita. a falta de um. irritância de outro.

B A L A D A

18 de outubro,


Estava linda. Se sentia poderosa. Mas era a bala. Só a bala. Nada confluía. E ao mesmo tempo tudo descarregava.  Olhou tão fundo para o espelho que foi capaz de atravessar sua alma. "Hoje quer ir pro nada. Ser ninguém. Quero mudo. E sem cheiro. Hoje nenhuma teoria. Nenhum dogma. Nem posição. Hoje é dia de morte morri. Nada ser. Niilismo é, porque o vazio absoluta". Saiu. Mas saiu sem prestar conta de que lhe esquecera no espelho.

domingo, outubro 12, 2014

ontem, minha cabeça
lá estava meu coração,
foi nessa noite que veio dentro
vasculhou orifícios secretos
numa alma já engessada de ser
porque fui sendo
e isso endureceu
até quebrar
me fragmentou.
sou cabeça, pé, orelha e peito,
não mais um corpo unido
você foi nos orifícios que desfiz
e cavou seus planos na minha vida
meus pedaços, restos de tentar viver
esperam por você, que separados,
se uniram fiéis ao desejo que sentem
eu, fragmentada
tenho meus pedaços seu