umapausa

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quarta-feira, novembro 19, 2014

final de ano de sempre

porque sempre vem esse cheiro de dezembro antes que novembro morra. sempre essa chuva tentar reparar os danos da secura de agosto. como se fosse viável ressuscitar as flores que não regou. com se fosse válido pedir perdão pelo ramos que matou. sempre tem esse cansaço dessas noites vazias. porque se pensa no quem é. por que é. e até mesmo pra quê. como um erro nato escorregadio de qualquer tipo de final cronológico. como se não bastasse todo o ano carregado nas costas, mesmo derretido em lágrimas, mesmo consumido em amor. ano de luta. de ter que acordar. ser obrigado a ser. finais que me parem monstros. que me fazem cavar um eu mais idiota de mim. finais de que me deixam mole. e com medo de acabar sem me preencher até a borda. eu apenas ando noturna. sou todas chuvas e todos os tristes enfeites natalinos reluzindo luzes forçadas. porque lá dentro da caverna dos segredos se esconde uma interrogação em mim. o sono aumenta. a saudade cansa. a carência exige. e eu apenas penso que todas angústias faz parte do dezembro chegando com seu peso acumulado de todos os meses. um mero pensar cronológico.

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