umapausa

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terça-feira, maio 12, 2015

amor à distância que morre

ando cansada de me tirar de mim por você. Não suporto flutuar na minha própria vida. Você chega pra mim quando sempre estou suficiente, quando já me basto e nada mais. E depois de braços, pernas, saliva e conversas você vai embora e me deixa vazia, ficando em mim um formato oco que cabe você.  Não estamos mais seguindo a mesma linha de raciocínio, veja bem: estou quase sempre querendo desistir. Essas idas e vindas estão me deturpando, já não rendo mais uma dignidade de dia. Fico sem chão e lacônica, perco o humor e falo mal da vida. Não quero acordar. Nem dormir. Você tem me deixado uma pessoa pior a cada partida.
Mas não fique. E nem vou. Eu poderia querer morrer no seu abraço, como era de costume. Mas antes queria pelo menos viver. Talvez sendo minha e poupando meus pedaços. Talvez ficando longe de qualquer tipo de saudade ou amor. Pensei que tivesse raízes em você, e tinha. Mas essas viagens que você faz depressa desnutriu minha força de ser pra você. As minhas raízes estão em mim. Por falta de solo fixo e perto. Por que a vida foi assim.
Planejo não me despencar nessas despedidas não me despedindo mais de você. Ir embora do vínculo que nos prende numa saudade insolúvel. Fazer isso parar de ser costume. Planejo ser uma pessoa sem você e nem sei se serei uma pessoa, mas, ao menos, pouparei as despedidas que tiram sarro de mim. Qualquer coisa que não me despedaça na segunda-feira que você foi domingo.
Talvez adeus. Ou nunca mais. Melhor se nunca fosse.

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